Mangueira para Sistema de Ordenha

As mangueiras são componentes fundamentais para o funcionamento do sistema de ordenha, conectando os diversos componentes entre si, por isso é importante a manutenção das mesmas integras e dentro do prazo de utilização.

As mangueiras de leite são responsáveis por fazer a ligação dos coletores ao sistema de ordenha, seja ele, balde ao pé, transferidor ou canalizada transportando o leite ordenhado do animal. Dentre as mangueiras também existem as de vácuo (ar), que conectam o sistema de vácuo a algum componente.

Mangueira para Vácuo:

Mangueira grossa ou principal do vácuo no sistema balde ao pé: responsável por alimentar de vácuo o latão/tarro para criar vácuo no mesmo e ativar a pulsação e iniciar a ordenha. O diâmetro interno se torna padrão em quase todas as marcas de equipamentos sendo uma mangueira 11.95 mm de diâmetro interno.

Mangueira dupla do vácuo: responsável por carrear o pulso do pulsador as teteiras, essa mangueira é comum a todos os sistemas de ordenhas. Os pulsadores alternados importados ou nacionais trabalham com o mesmo diâmetro 7.2 mm interno e dessa forma é extremamente importante atentar para os comprimentos das mangueiras, se as mesmas estiverem maiores de 3 metros irão prejudicar o desempenho da pulsação e consequentemente a ordenha no animal.

Mangueira de pulsação simultânea: é utilizada em sistemas de pulsação simultânea, ou seja, que ordenham os quatro tetos juntos, é importante atentar que essa mangueira possui 9,5 mm de diâmetro interno para acoplar o pulsador diferente das mangueiras finas utilizadas para fazer mangueiras curtas do vácuo que veremos a seguir.

Mangueira fina do vácuo/curta do vácuo: são as mangueiras que conectam as capas das teteiras ao distribuidor de vácuo do coletor levando o pulso para abertura e fechamento da teteira durante a ordenha. O diâmetro dessa mangueira é de 7.2 mm, similar a dupla do vácuo, sendo indicado utilizar uma mangueira termoplástica que não resseque escapando da capa metálica prejudicando a ordenha.

As mangueiras de vácuo devem ser trocadas uma vez ao ano ou quando ocorre algum rompimento precoce na mesma, essas mangueiras deverão estar maleáveis e integras para que o vácuo do sistema não sofra interferência e assim a ordenha seja estável.

Outra situação que pode ocorrer com o passar do tempo e uso prolongado da mesma é que a mangueira pode começar a escapar dos conectores principalmente a dupla do vácuo, pode soltar do pulsador ou até mesmo do distribuidor de vácuo preso junto ao coletor e com isso atrapalhar o processo de ordenha podendo gerar atraso na sessão de ordenha.

Outro fator externo que influencia sobre as mangueiras principalmente nos estados do sul do Brasil e países platinos é o frio, a temperatura baixa atua no PVC podendo enrijecer as mangueiras, principalmente se tiverem com tempo de utilização avançada.

Mangueira do Leite:

As mangueiras de leite são um componente muito importante, é nela que o leite passa após ser extraído do animal, sendo assim é de extrema importância estarmos atento a esse componente, verificando se o mesmo está dentro das especificações e prazo de utilização.

Essa mangueira já possui outras tecnologias em uso podendo variar o material de sua fabricação sendo fabricada em PVC, Silicone e borracha.

Na mangueira fabricada em PVC, o mesmo é especifico para contato com alimentos sendo um PVC especial para sua confecção e possuindo a recomendação de substituição a cada 06 meses, após isso fica difícil manter seu padrão sanitário podendo deixar a mesma enrijecida, quebradiça e com ranhuras internas que podem influenciar no status CBT (Contagem Bacteriana Total).

Isso porque essas mangueiras estão durante a ordenha com leite e após a ordenha as mesmas recebem um protocolo de limpeza, onde possuímos algumas etapas como enxague sem produtos e enxague com produtos químicos com a circulação com detergente alcalino, ácidos e sanitizante que agridem a mangueira e seus componentes.

Imagem interna da mangueira de leite -aumentada:

          

Há novos compostos que nos permitem aplicar novas tecnologias para fabricação de mangueira do leite, como a dupla camada que possui uma resistência maior e mantém pouca luminosidade ao leite. Ela é indicada para utilizar em equipamentos com medidores eletrônicos por infravermelho e tem indicação de utilização de 12 meses.

Ainda é possível utilizar o silicone para confecção desta mangueira onde possuímos uma resistência maior a agressão causada pelos agentes principalmente da lavagem, como detergentes alcalinos e ácidos. Suporta temperatura elevada sem perder suas propriedades e menor tendência ao enrijecimento no frio, possui tempo de utilização recomendável de 12 meses, tendo um custo mais elevado que as demais devido a matéria prima utilizada.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, sendo assim devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao meu coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Mangueira de Transferência do Leite

São as responsáveis por transferir o leite do sistema de ordenha para o resfriador, ficam conectadas entre o filtro do equipamento e a boca de entrada do leite no tanque resfriador.

Possui dois diâmetros um modelo de 1”polegada e de 1.1/4” polegada possui uma parede mais espessa de 6,5 mm e não possui aramado são inteiramente lisas como as utilizadas nos conjuntos de ordenha, geralmente se recomenda utilizar mangueira de transferência quando a sala do leite estiver entre 9 a 12 metros, superior a essa distancia e interessante utilizar linha de tubo inox.

Devem possuir os mesmos cuidados das demais e se certificar que a mesma esteja integra e limpa.

Portanto as mangueiras são fundamentais e devem ser consideradas no planejamento de manutenção do equipamento, podendo ser um motivo de transtorno e prejuízo, afetando a performance da ordenha.

A parceria com técnicos e empresas de serviços de manutenção dos sistemas de ordenhas são soluções que evitam possíveis transtornos e prejuízos a fazenda, sendo de grande valia a preocupação com o sistema de ordenha, como um implemento fundamental para a fazenda devendo estar em pleno funcionamento.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Sistema de Gestão da Qualidade – ISO 9001:2015

Nos dias 10,11 e 12/06/19 a Inabor foi auditada na Norma ISO 9001:2015.

Durante esses três dias todas as áreas da empresa foram auditadas e ao final foi recomendada a Recertificação.

A Inabor agradece a todos os funcionários e parceiros pelo empenho e comprometimento, só assim conseguimos atingir os objetivos propostos sempre pensando na Satisfação dos Clientes, Colaboradores, Provedores Externos e Diretores.

“Inabor, produzindo com qualidade e inovando para o futuro”.

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Desmistificando a Teteira II

A sequência do texto tem a intenção de elaborar uma ideia sobre a importância das trocas das teteiras, para melhor desempenho do sistema de ordenha e conforto do animal. Vamos demonstrar um pouco o lado financeiro das trocas das teteiras e o impacto nas contas da fazenda.

Vamos realizar os exemplos nas teteiras de borracha por serem as mais utilizadas nas fazendas brasileiras, as borrachas devem ser específicas para esse uso e serem eficientes durante a ordenha, preservando a saúde do animal.

A teteira de borracha da Inabor é projetada para 2.500 ordenhas. Dentro deste período de uso a mesma entregará os resultados propostos, que compreendem uma ordenha suave e completa, e manterá seu status higiênico de qualidade.

Na Inabor a borracha para fabricação das teteiras tem o processo de mistura dos componentes (matéria prima) realizado na própria indústria. A Inabor não compra borrachas prontas do mercado para injeção do produto, tendo todo um processo de seleção e rastreamento das matérias primas, assim como do produto acabado, conforme o propósito da empresa e as regras da ISO a qual a empresa é certificada desde de 2001. As teteiras Inabor possuem controle de série de produção gravado a laser, com isso conseguimos rastrear nossos produtos verificando lotes de produção.

Frequentemente escutamos no mercado frases como: “as teteiras ainda estão boas, não precisam ser trocadas no tempo determinado (2.500 ordenhas ou 6 meses) ”.  Vamos aprofundar uma pouco mais essa conversa e tentar demonstrar em uma conta simples, o custo de não manter em dia suas trocas. – Em outros textos publicados no site MilkPoint há informações sobre tempo de uso da teteira e suas consequências. –  O que ocorre, sucintamente, é que as teteiras que já ultrapassaram o tempo de uso determinado não conseguem ordenhar completamente, se fala em torno de 5% de leite não ordenhado. O status higiênico diminui devido as ranhuras que se formam, onde acumulam sujidades podendo alterar status de CBT (Contagem Bacteriana Total) do leite. A peça fica sujeita à deformidade de bocal e massageador, o que permitem entrada de ar em excesso acarretando em quedas dos conjuntos de ordenha, com isso podendo aspirar sujidades da sala para o sistema de ordenha, assim comprometendo a qualidade do leite alterando CBT.

As imagens nos remetem a uma ideia do que ocorre com a teteira com o passar do tempo e o seu uso. Além de sua aplicação a teteira ainda sofrerá ação do tempo, principalmente da incidência solar e do ozônio que promovem envelhecimento da borracha.

Vamos tentar entender então o que ocorre. A teteira está montada na capa metálica esticada na faixa de 15% do seu tamanho, trabalhando 2 vezes ao dia (média nacional 2 ordenhas). Cada sessão geralmente dura em torno 3 horas, ou seja, a teteira trabalha na faixa de 6 horas por dia. Nela passará leite, água fria, água quente com detergente alcalino e ácido no mínimo duas vezes ao dia.

Muitas vezes lançamos mão de diminuir as trocas para “economizar”, mas será que essa economia é favorável?

Exemplo:

Uma propriedade com 40 vacas em lactação, sendo ordenhada num equipamento com 4 postos de ordenha, produzindo em média 22 litros a um preço do litro do leite de R$ 1,39.

Exemplo para cálculo mantendo estabilidade para entendimento do exercício;

Produção diária de 880 litros totalizando no mês 26.400 litros de leite, renda mensal da propriedade R$ 36.696,00.

Para esse tamanho de equipamento e com esse número de animais deveríamos realizar 3 trocas no ano para atender a ordenha dentro do prazo de utilização das teteiras, sendo assim calculamos assumindo um custo na faixa de R$ 100,00 por jogo de teteira (Valor para realizar o exercício) obtivemos um custo anual de teteira de R$ 1.200,00.

Nessa situação, em tempo seriam 4 meses a periodicidade das trocas, entretanto se desejarmos economizar uma troca esticando para 6 meses o que poderá ocorrer;

  • Teteira já não é mais eficiente pode deixar 5% do leite
  • Tempo de ordenha aumenta devido à baixa eficiência da teteira maior gasto com energia
  • Quedas de conjunto de ordenha mais frequentes e riscos de contaminação do leite aumenta podendo ter punição nos que recebem bonificação por qualidade.
  • Baixa eficiência higiênica da teteira comprometendo a qualidade do leite
  • Incidência de mamite (a tendência é aumentar), aumentando assim o custo

Assumindo que desejamos esticar para 6 meses e apenas 2 trocas qual o risco? Imaginamos que no primeiro mês após vencimento 5% dos animais são acometidos de mamite devido a massagem não uniforme e falta de força de colapso, para retirar todo leite deixando excesso de leite residual, essa porcentagem no nosso exemplo equivaleria a 2 vacas.

Como as teteiras perdem eficiência aumentamos o custo energético com equipamento quase uma hora a mais ligado, custo do tratamento e o descarte do leite foram considerados;

Energia Custo a mais (30 dias). Tratamento (7 dias) Descarte Leite (7 dias) Total
R$ 263,40 R$ 240,00 R$ 428,12 R$ 931,52
R$ 263,40 R$ 360,00 R$ 642,18 R$ 1.265,58

Na segunda linha da tabela prospectamos um cenário com 7,5% dos animais acometido de mamite, ou seja, 3 vacas o resultado se equipara ao custo anual para 3 trocas de teteiras, ou seja, o cuidado com esse componente é essencial para a fazenda de leite. No final do mês podemos reduzir o faturamento da fazenda, que impacta na receita, entendemos que a pequena economia pode impactar no momento da troca, mas pode se tornar um prejuízo muito maior ao longo do tempo.

Claro que muitos terão bases de valores diferentes, obtendo resultados diferentes, e outros custos não contabilizados no texto, entretanto, o intuito foi demonstrar o quão importante a teteira é no processo de ordenha e quanto pode impactar na receita da fazenda, se perdurarmos por mais tempo o uso do que o recomendado. E uma simples troca, evita com que prejuízos maiores aconteçam.

Reforçamos sempre a importância de a fazenda possuir um bom suporte técnico, não só veterinário, mas no sistema de ordenha. Planos de serviços de manutenção podem ser uma alternativa interessante para que a fazenda mantenha o sistema de ordenha em alta performance e principalmente na saúde dos animais.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Desmistificando as Teteiras!!

 

Temos o desafio mensal de escrever no site textos sobre produção de leite e mais especificamente sobre teteiras, produto o qual a empresa é fabricante.

Sempre quando visitamos clientes ou em atendimentos, as ocorrências e dúvidas são sempre as mesmas, o artigo de hoje tem intuito de passar uma informação simples para identificação, montagem e duração das teteiras nos equipamentos e durante a ordenha.

Umas das grandes dúvidas é quanto ao material que é fabricado a teteira, hoje se fabrica teteira basicamente com duas matérias primas borracha e silicone. Esses componentes são bem diferentes quimicamente um do outro e a ordenha é igualmente distinta.

A borracha é o material mais convencional para fabricação da teteira. Na teteira precisamos ter boa elasticidade e memória devido sua aplicação resultar em um massageamento (abre/fecha) no teto realizando sempre a mesma tarefa. A maciez e poder dermatológico são qualidade imprescindíveis. A borracha sofre ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e os componentes do leite afetam as propriedades das teteiras de borracha.

Já o silicone é um material alternativo muito nobre utilizado para fabricação de teteiras, possuindo praticamente as mesmas qualidades químicas de borracha se diferenciando em alguns pontos. O silicone é mais resistente a ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e aos componentes do leite, em contrapartida mais frágil mecanicamente, sendo muito sensível a quedas durante a ordenha.

A borracha possui um massageamento mais consistente, entretanto com uma longevidade menor já o silicone possui um massageamento mais suave com uma longevidade maior. Quanto a longevidade nas teteiras fabricadas com borracha sua projeção de uso é para 2.500 ordenhas, já as fabricadas em silicone sua projeção de uso é para 5.000 ordenhas.

Sempre que optarmos por uma mudança no material da teteira (borracha/silicone) deveremos ter a consciência do ajuste e adaptação do rebanho em ordenha, por terem diferença na massagem, que irá interferir diretamente no o tempo de ordenha (por sessão). A utilização das rotinas de ordenhas consistentes auxiliam a fazer uma ordenha rápida, suave e gentil claro observando a regulagem e dimensionamento do equipamento de ordenha.

Outra dúvida é como identificar a teteira para o equipamento ou solicitada pelo produtor, como são vários modelos para os mais variados conceitos de ordenha além das diferentes marcas de equipamentos, a dúvida quanto aos seus desenhos e funcionalidades.

Sempre somos questionados sobre a diferença nos anéis e cabeça da teteira, vamos tentar explicar de forma bem prática.

São vários formatos que são indicados a variados tamanhos de tetos e tipo de úbere a ser ordenhado, já conversamos sobre essas características de tipos de teteiras em outro texto MilkPoint, há mais informações sobre tipos de teteira nesse texto → Tipos de Teteiras.

Também teremos outro fator importante na cabeça das teteiras, o diâmetro do orifício onde o teto será inserido. Temos diâmetros indo de 18 mm a 24 mm. Sendo o mais comum de 24 mm, mas devemos estar atentos nos ganhos genéticos e evolução do úbere quanto a posição, formato, disposição, tamanhos dos tetos e raça utilizada.

 

As imagens demonstram bem a diferença do orifício da teteira para o teto.

Importante, podemos estar enforcando o teto por estar com o orifício muito apertado podendo ocasionar até marcas no corpo do teto ou não conseguir acoplar a teteira ao teto.

Ao contrário, pois se for muito grande a entrada de ar em torno do teto pode prejudicar o vácuo podendo ocorrer o deslizamento da teteira do teto.

 

Outra dúvida recorrente são quantos aos anéis das teteiras e como utilizar corretamente.

Teteira 2 anéis:

Possui anel de encaixe menor que a de 1 anel.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É muito utilizada em sistemas balde ao pé ou com transferidores.

 

Teteira 1 anel:

Possui anel de encaixe maior que a de 2 anéis.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É utilizada em vários sistemas inclusive em sistemas canalizados.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 2 anéis.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 1 anel.

 

Sendo assim a capa das teteiras modelo 1 anel são diferentes das de 2 anéis não podendo ser adaptadas uma na outra, entretanto dois anéis muitas vezes possuem apenas detalhes de design diferente, porém com mesma aplicação e podendo ser adaptadas em capas para esse modelo.

E por último e não menos importante devemos atentar para o diâmetro de encaixe da teteira ao coletor, para que possamos instalar o modelo correto para que não ocorra problemas na teteira como rasgar pelo diâmetro muito pequeno ou cair do coletor devido ao diâmetro muito grande.

Na Inabor informamos o diâmetro do orifício de encaixe teteira (tubo curto do leite), ou seja, o diâmetro deixado para o leite fluir. Por exemplo uma teteira que informamos que o encaixe é de 8 mm o coletor para essa teteira deverá possuir o tubo de encaixe de 11 mm externo (niple do coletor). Com uma teteira de encaixe 10 mm deverá ter até 13 mm externo. Como nesse modelo 1 e 2 anéis a uma variedade grande de diâmetros que vão de 8 mm, 9,5 mm e 10 mm devemos estar atentos para não ocorrer transtornos durante a ordenha por instalar teteira de diâmetro errado ao coletor.

Diâmetro de encaixe da teteira errado pode ocasionar rompimento da teteira rasgando no encaixe, queda da teteira do coletor (fica escapando do coletor) o que gera muito contratempo e prejuízo na hora da ordenha.

Portanto para que a troca de teteira não vire um mistério é interessante possuir uma uniformidade no equipamento de ordenha, principalmente para quem possui mais de um conjunto de ordenha tentando preservar o mesmo modelo de coletor e teteiras em todos os postos de ordenhas, ter os modelos e descrições do equipamento em mãos e se possível levar um exemplar ao local de compra para verificar a semelhança, mas acredito que o fortalecimento da parceria com técnico de ordenha e empresas que atuam nesse ramo são de grande valia e segurança ao produtor na hora de realizar as trocas das teteiras.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Resfriar o Leite no Verão

O verão é uma estação desafiadora na produção de leite pelas características desta estação do ano, com dias mais quentes, marcados por temporais e descargas elétricas.

Nesse período temos o desafio de manter nossas vacas sem stress térmico para que sigam produzindo leite utilizando as tecnologias existentes que auxiliem no stress térmico na vaca.

Entretanto o resfriamento do leite após a ordenha também se torna um desafio devido às temperaturas ambientes serem altas, principalmente a segunda ordenha da tarde, claro que o processo de resfriamento se dá ao longo do ano em todas as estações, mas é no verão que os tanques de refrigeração de leite deverão se mostrar eficientes e que atinja a temperatura necessária de forma rápida e eficiente para que possamos ter um leite de qualidade. Portanto, entender sobre os equipamentos de refrigeração e suas configurações é importante para um bom desempenho com o resfriamento.

A granelização do leite como é conhecida, trouxe muitos benefícios tanto para qualidade como para logística do leite até a indústria, assim otimizando todo processo na cadeia leiteira.

O Tanque de Refrigeração é um equipamento destinado para armazenar e manter o leite em condições adequadas e determinadas de resfriamento até o momento da coleta a granel.

O ministério da agricultura no Brasil determina através da IN 62 (instrução normativa 62) que o leite deverá estar a 4°C na fazenda no momento da coleta pela a indústria.

Os Tanques Refrigeradores podem ser classificados em:

Tanque de duas ordenhas: deverá resfriar 50% do seu volume nominal por ordenha, conforme sua classe de desempenho, podendo ser esvaziado diariamente (24 h);

Exemplo: Tanque de 1000 litros 2 ordenhas = resfria 500 litros.

Tanque de quatro ordenhas: deverá resfriar 25% do seu volume nominal por ordenha, conforme sua classe de desempenho, podendo ser esvaziado a cada dois dias (48 h).

Exemplo: Tanque de 1000 litros 4 ordenhas = resfria 250 litros.

Quanto ao desempenho também devemos ficar atento a sua classificação:

a) Quanto ao número de ordenha (2 ou 4), descrito acima;

b) Quanto a temperatura ambiente;

c) Tempo de refrigeração do leite.

Classificação Temperatura de desempenho (TD)°C Temperatura operacional de segurança (TS)°C
A 38 43
B 32 38
C 25 32

Tempo Resfriamento em Horas

Classificação Todas as ordenhas 35 a 4 °C Segunda ordenha 10 a 4 °C.
I 2,5 1,25
II 3,0 1,5
III 3,5 1,75
IV 1 1

Exemplo: o fabricante do equipamento sempre informa a classificação do tanque assim como a voltagem, capacidade nominal, número de série do equipamento, carga de gás, tipo de gás e a potência dos compressores.

Se a placa informar: Tanque de Resfriamento de leite 1.000 litros 4BII trifásico, significa:

Capacidade nominal do tanque: 1000 litros

O numero 4 antes da letra B informa que o regime do tanque é 4 ordenhas

A letra B informa que a temperatura ambiente ideal de trabalho para o equipamento é de 32°C podendo chegar a 38°C para um desempenho satisfatório.

Já o algarismo II informa que o leite de primeira ordenha deverá ir de 35°C a 4°C em no máximo 3 horas, e as demais ordenhas de 10°C a 4°C em no máximo 1,5 horas.

Já no último, não menos importante, tipo da rede elétrica que pode ser monofásica ou trifásica, deve-se informar do padrão na fazenda e se há energia para funcionar os compressores. Geralmente tanques acima de 2000 litros utilizam compressores grandes que demandam energia para sua partida, que por muitas vezes não há na zona rural, fazendo com que o tanque não ligue ocasionando muito transtorno.

As demais informações são extremamente úteis aos técnicos de refrigeração para quando necessitar realizar uma manutenção no equipamento.

É indispensável que o equipamento tenha um aterramento, que deverá ser feito de acordo com as instruções do fabricante. A manutenção periódica se faz necessária para que o aterramento conserve a sua principal função, que é a proteção do operador.

Dispositivo de proteção deverá ser capaz de garantir a operação do equipamento de refrigeração. Esse dispositivo deverá ser dimensionado de acordo com reais necessidades elétricas do equipamento. Deve-se ser observada a vida útil de cada dispositivo de proteção para que seja garantido o seu perfeito funcionamento.

É indispensável o uso de dispositivos de proteção contra descargas elétricas e variações excessivas de tensão.

Os equipamentos deverão ser fabricados principalmente onde há contato com leite em aço inox (corpo do refrigerador) e demais componente (juntas, vedações…) em contato com leite serem atóxicas e resistentes aos produtos de limpeza.

O isolamento térmico garante a manutenção da temperatura do leite armazenado. Quando maior e melhor o isolamento, menor será o gasto de energia elétrica para manter esta temperatura. O meio isolante não deverá se assentar no fundo e não pode estar sujeito a deslocamento durante o transporte ou a manutenção.

Um tanque deverá ter uma ou mais tampas justas e auto drenantes que se encaixem na(s) abertura(s) do corpo interno e tenham bordas voltadas para baixo. As tampas deverão permitir a fácil inspeção e amostragem do leite, o enchimento do tanque deve ser realizado sem que haja necessidade de sua abertura.

As tampas dos tanques projetados para serem limpos manualmente deverão ser construídas de forma que possam ser abertas para possibilitar a fácil limpeza manual de todas as partes. No caso de tampas com dobradiças, as mesmas deverão ser providas de suporte seguro para a posição aberta. As tampas dos tanques projetados para serem limpos por meio de métodos não manuais deverão permitir a inspeção de todas as partes que possam vir a ter contato com o leite. Estes tanques não podem ter menos que uma abertura com dimensões, no mínimo, equivalentes a uma elipse de 400 mm x 300 mm.

O dispositivo de agitação deve ser construído de forma que seja fornecida proteção contra qualquer contaminação do leite proveniente de agentes externos. O agitador deverá ser protegido de tal maneira que o operador não possa ter contato com as partes em movimento e ser projetado de forma que possa haver uma limpeza eficaz.

As vedações do eixo do agitador deverão ser de estrutura robusta e estar projetadas de tal maneira que nenhum vapor d’água condensado, óleo ou outras substâncias que possam contaminar o leite, entrem em contato com o produto.

Um tanque deverá ter uma drenagem para a água de limpeza. O orifício de saída e o fundo do corpo interno devem ser projetados de tal maneira que toda a água de limpeza escoe para a saída.

Instrumento para medir a temperatura do leite

Todo tanque deverá ter um instrumento para medir a temperatura do leite (em graus Celsius) em qualquer volume entre 10% e 100% do volume nominal. O instrumento deverá ser capaz de suportar, sem perda da calibragem, temperaturas dentro do receptáculo interno de –10 a +70°C e temperaturas ambientes de –10°C até a temperatura operacional de segurança (TOS), e não deverá penetrar no corpo interno.

A escala medidora (régua de volume) deverá ser graduada de 10% ou menos até, no mínimo, 100% do volume nominal. Cada divisão da escala medidora representará um volume de, no máximo, 0,5% do volume nominal (deverá ser correspondente ao volume contido em 1 mm de leite).

Sistema de refrigeração:

É proibida a utilização de tanques refrigeradores que utilizem serpentinas o sistema de refrigeração deverá ser por expansão direta.

Limpeza:

Tanto os tanques verticais como horizontais deverão ser higienizados após seu esvaziamento o procedimento deverá levar em consideração o protocolo correto para diluição do detergente na quantidade e temperatura da água para lavagem do equipamento.

Os tanques horizontais fechados geralmente utilizam sistema CIP de lavagem atentar as instruções do fabricante do tanque e do detergente.

Nos tanques verticais abertos não entrar no tanque para realizar a limpeza adquirir as ferramentas para lavagem do corpo e válvula de escoamento para garantir uma boa higienização não esquecendo das partes como o agitador e a régua de medição do volume.

O local de instalação do equipamento é de extrema importância, deverá o mesmo estar próximo a sala de ordenha, mas não na sala de ordenha. Possuir o que chamamos de sala do leite onde se encontram os tanques e quem possui sistema de programador automático de limpeza para a sala de ordenha geralmente fica nessa sala.

Para um melhor desempenho é interessante que as unidades de refrigeração, compressores e condensadores estejam em um local bem ventilado, protegidos de intempéries do tempo e animais.

Em tanques de grande volume geralmente se realiza a instalação das unidades de frio remota, ou seja, separada do tanque, entretanto tanques menores por questão econômica e comercial as unidades se encontram acopladas.

Ter uma sala com “pé direito” suficiente para que fique um espaço no mínimo um (01) metro entre a ponta da tampa aberta e o forro da sala, verificar as necessidades de pisos especiais para quem for comprar tanques grandes acima de 3.000 litros, sendo interessante revestir a sala e projetar drenos para total escoamento da água após as lavagens.

Saber quanto se quer resfriar e qual regime para entrega são os primeiros passos para decidir sobre uma compra.

O entendimento sobre esse equipamento permite com que possamos manter um padrão de qualidade no leite com um resfriamento adequado e um rendimento de consumo energético satisfatório ano todo.

 

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico