Bem-estar-animal: sua importância para gerar bons resultados.

O bem-estar animal é um dos principais tópicos de interesse na produção animal moderna. Compreender as necessidades dos animais é fundamental para que os mesmos tenham uma boa qualidade de vida. Todos os anos cerca de 70 bilhões de animais em todo o mundo são criados para fornecer carne, leite, ovos e outros produtos para consumo humano.

Muitos deles ainda vivem em condições de sofrimento e estresse. Os animais são seres sencientes, ou seja, são capazes de sentir sensações e sentimentos como medo e felicidade. Isso significa que suas emoções têm importância para eles e também grande influência sobre os seres humanos, porque mudam a forma como estes tratam os animais – a compreensão de suas emoções aumenta a empatia em relação a eles.vaca

Não podemos dar as costas para o problema, assim como os seres humanos, os animais têm necessidades que vão além das fisiológicas. No inicio do século XX, a utilização de animais para produção aumentou em associação com a expansão das necessidades humanas e deu-se o inicio da era de sistemas de alta densidade de lotação.

Foram geradas necessidades atribuídas aos animais e essas necessidades formaram um conceito básico – assim como a pirâmide de Maslow faz pelos humanos. Segue:

  1. Estar livre de fome e sede com acesso a água e alimento adequados para manter sua saúde e vigor;
  2. Estar livre de desconforto ambiente, com condições de abrigo e descanso adequados;
  3. Estar livre de dor, doença e injuria pela prevenção, rápido diagnóstico e tratamento adequado;
  4. Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais, proporcionada por espaço suficiente, instalações e a companhia de animais da espécie;
  5. Estar livre de medo e de estresse, com condições e meios que evitem o sofrimento mental.

A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O Brasil é dono de um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com rebanho em torno de 200 milhões de cabeças. Na produção de leite o Brasil vem se consolidando com uma produção considerável, cerca de 30,1 bilhões de litros (IBGE -2017) e podendo vir a galgar melhores posições e condições no mercado externo.

Os bovinos são animais que gostam de rotina e que, ao que tudo indica, têm boa memória. São capazes de discriminar as pessoas envolvidas nas interações apresentando reações especificas a cada uma delas em função do tipo de experiencia vivida, caracterizando assim um aprendizado associativo, do tipo condicionamento operante.

Assim, a presença de pessoas conhecidas pelos animais durante o procedimento e com comportamento não aversivo contribui para diminuir os efeitos negativos no comportamento e produção de vacas leiteiras. Conclui-se que o manejo aversivo altera o comportamento das vacas na sala de ordenha prejudicando o bem-estar animal com redução na produção de leite.

Todos os itens acima, se não observados, têm reflexos imediatos na produção, na reprodução e na sanidade. O benefício financeiro alcançado com a adoção de práticas adequadas ao bem-estar dos animais é importante, mas o grande objetivo é o respeito aos animais.

Produtores de todos os tamanhos e sistemas são capazes de conseguir internalizar os hábitos que propiciam o bem-estar animal. A produção de leite sempre foi uma atividade respeitada, que gera renda e emprego a uma camada importantíssima da população. É de primordial importância adotar atitudes que melhorem continuamente a reputação do setor.

Os bovinos por serem adeptos a rotinas, demandam um planejamento da ordenha para que se obtenha sucesso na colheita do produto leite. É necessário que haja uma definição de horários específicos para alimentação e descanso, e também para ordenha. É sabido que as vacas leiteiras se sentem mais confortáveis quando a oferta de alimentos é realizada pela mesma pessoa e nos mesmos horários.

O ordenhador tem como principal função a realização da ordenha, envolvendo todos os procedimentos necessários para que ela seja bem conduzida. Entre as responsabilidades do ordenhador, destacam-se: cumprimento dos horários de ordenha, preparação das instalações, acompanhamento da saúde das vacas, realização da ordenha e acompanhamento da qualidade do leite.

ordenha

Entre as competências pessoais, o ordenhador deve demonstrar paciência, habilidade e sensibilidade no manejo das vacas. Deve também estar fisicamente bem preparado para o desenvolvimento de seu trabalho.

O ordenhador deve conhecer os procedimentos para a manutenção adequada das instalações e dos equipamentos, além de ter meios para garantir boas condições de saúde para si mesmo e para os animais.

Dentro das instalações, principalmente no tocante ao equipamento de ordenha, deve se manter os cuidados com os componentes de uso com vida útil pré-definida, respeitar as orientações para não ocasionar transtornos na operação ou até mesmo ferir os animais. São inúmeros componentes num equipamento, entretanto dois podem ser cuidados e verificados diariamente para não interferir no processo e qualidade do leite: teteiras e mangueiras, as quais já foram abordadas em textos anteriores sobre as consequências do seu uso prolongado.

Deve conhecer também o comportamento dos bovinos e as melhores formas de manejá-los. E, acima de tudo, deve ter consciência da importância de seu trabalho para o bom desempenho da ordenha.

 

Fontes:

“Conceitos e considerações sobre bem-estar animal na produção de bovinos” – Revisão bibliográfica – Silva, Aline Alves da; Borges, Luiz Felipe Kruel.

“Boas práticas de manejo de ordenha” – Marcelo Simão da Rosa et al – Jaboticabal (Funep 2009).

“Bem-estar animal uma questão de humanidade que gera bons resultados” – Savio Santigo – MilkPoint.

www.worldanimalprotection.org.br – publicação 18/08/2016.

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                                                                                                 Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário- Consultor Técnico