Desmistificando a Teteira II

A sequência do texto tem a intenção de elaborar uma ideia sobre a importância das trocas das teteiras, para melhor desempenho do sistema de ordenha e conforto do animal. Vamos demonstrar um pouco o lado financeiro das trocas das teteiras e o impacto nas contas da fazenda.

Vamos realizar os exemplos nas teteiras de borracha por serem as mais utilizadas nas fazendas brasileiras, as borrachas devem ser específicas para esse uso e serem eficientes durante a ordenha, preservando a saúde do animal.

A teteira de borracha da Inabor é projetada para 2.500 ordenhas. Dentro deste período de uso a mesma entregará os resultados propostos, que compreendem uma ordenha suave e completa, e manterá seu status higiênico de qualidade.

Na Inabor a borracha para fabricação das teteiras tem o processo de mistura dos componentes (matéria prima) realizado na própria indústria. A Inabor não compra borrachas prontas do mercado para injeção do produto, tendo todo um processo de seleção e rastreamento das matérias primas, assim como do produto acabado, conforme o propósito da empresa e as regras da ISO a qual a empresa é certificada desde de 2001. As teteiras Inabor possuem controle de série de produção gravado a laser, com isso conseguimos rastrear nossos produtos verificando lotes de produção.

Frequentemente escutamos no mercado frases como: “as teteiras ainda estão boas, não precisam ser trocadas no tempo determinado (2.500 ordenhas ou 6 meses) ”.  Vamos aprofundar uma pouco mais essa conversa e tentar demonstrar em uma conta simples, o custo de não manter em dia suas trocas. – Em outros textos publicados no site MilkPoint há informações sobre tempo de uso da teteira e suas consequências. –  O que ocorre, sucintamente, é que as teteiras que já ultrapassaram o tempo de uso determinado não conseguem ordenhar completamente, se fala em torno de 5% de leite não ordenhado. O status higiênico diminui devido as ranhuras que se formam, onde acumulam sujidades podendo alterar status de CBT (Contagem Bacteriana Total) do leite. A peça fica sujeita à deformidade de bocal e massageador, o que permitem entrada de ar em excesso acarretando em quedas dos conjuntos de ordenha, com isso podendo aspirar sujidades da sala para o sistema de ordenha, assim comprometendo a qualidade do leite alterando CBT.

As imagens nos remetem a uma ideia do que ocorre com a teteira com o passar do tempo e o seu uso. Além de sua aplicação a teteira ainda sofrerá ação do tempo, principalmente da incidência solar e do ozônio que promovem envelhecimento da borracha.

Vamos tentar entender então o que ocorre. A teteira está montada na capa metálica esticada na faixa de 15% do seu tamanho, trabalhando 2 vezes ao dia (média nacional 2 ordenhas). Cada sessão geralmente dura em torno 3 horas, ou seja, a teteira trabalha na faixa de 6 horas por dia. Nela passará leite, água fria, água quente com detergente alcalino e ácido no mínimo duas vezes ao dia.

Muitas vezes lançamos mão de diminuir as trocas para “economizar”, mas será que essa economia é favorável?

Exemplo:

Uma propriedade com 40 vacas em lactação, sendo ordenhada num equipamento com 4 postos de ordenha, produzindo em média 22 litros a um preço do litro do leite de R$ 1,39.

Exemplo para cálculo mantendo estabilidade para entendimento do exercício;

Produção diária de 880 litros totalizando no mês 26.400 litros de leite, renda mensal da propriedade R$ 36.696,00.

Para esse tamanho de equipamento e com esse número de animais deveríamos realizar 3 trocas no ano para atender a ordenha dentro do prazo de utilização das teteiras, sendo assim calculamos assumindo um custo na faixa de R$ 100,00 por jogo de teteira (Valor para realizar o exercício) obtivemos um custo anual de teteira de R$ 1.200,00.

Nessa situação, em tempo seriam 4 meses a periodicidade das trocas, entretanto se desejarmos economizar uma troca esticando para 6 meses o que poderá ocorrer;

  • Teteira já não é mais eficiente pode deixar 5% do leite
  • Tempo de ordenha aumenta devido à baixa eficiência da teteira maior gasto com energia
  • Quedas de conjunto de ordenha mais frequentes e riscos de contaminação do leite aumenta podendo ter punição nos que recebem bonificação por qualidade.
  • Baixa eficiência higiênica da teteira comprometendo a qualidade do leite
  • Incidência de mamite (a tendência é aumentar), aumentando assim o custo

Assumindo que desejamos esticar para 6 meses e apenas 2 trocas qual o risco? Imaginamos que no primeiro mês após vencimento 5% dos animais são acometidos de mamite devido a massagem não uniforme e falta de força de colapso, para retirar todo leite deixando excesso de leite residual, essa porcentagem no nosso exemplo equivaleria a 2 vacas.

Como as teteiras perdem eficiência aumentamos o custo energético com equipamento quase uma hora a mais ligado, custo do tratamento e o descarte do leite foram considerados;

Energia Custo a mais (30 dias). Tratamento (7 dias) Descarte Leite (7 dias) Total
R$ 263,40 R$ 240,00 R$ 428,12 R$ 931,52
R$ 263,40 R$ 360,00 R$ 642,18 R$ 1.265,58

Na segunda linha da tabela prospectamos um cenário com 7,5% dos animais acometido de mamite, ou seja, 3 vacas o resultado se equipara ao custo anual para 3 trocas de teteiras, ou seja, o cuidado com esse componente é essencial para a fazenda de leite. No final do mês podemos reduzir o faturamento da fazenda, que impacta na receita, entendemos que a pequena economia pode impactar no momento da troca, mas pode se tornar um prejuízo muito maior ao longo do tempo.

Claro que muitos terão bases de valores diferentes, obtendo resultados diferentes, e outros custos não contabilizados no texto, entretanto, o intuito foi demonstrar o quão importante a teteira é no processo de ordenha e quanto pode impactar na receita da fazenda, se perdurarmos por mais tempo o uso do que o recomendado. E uma simples troca, evita com que prejuízos maiores aconteçam.

Reforçamos sempre a importância de a fazenda possuir um bom suporte técnico, não só veterinário, mas no sistema de ordenha. Planos de serviços de manutenção podem ser uma alternativa interessante para que a fazenda mantenha o sistema de ordenha em alta performance e principalmente na saúde dos animais.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico