TIPOS DE TETEIRAS!

Entramos no mês de maio e para esse mês resolvemos falar um pouco dos variados modelos de teteiras que existem, suas características, funcionamento e indicações. As vezes olhamos os inúmeros modelos e desenhos, sem saber efetivamente o que cada um entrega de vantagem na ordenha e em nossos animais.

TETEIRAS

Além disso, trataremos um pouco sobre o material de fabricação da teteira como, o silicone, a borracha e suas peculiaridades.

Para que possamos ter um bom entendimento sobre as teteiras primeiramente devemos observar os tetos ou conjunto mamário do animal a serem ordenhados. Se tratando de um ser vivo, é difícil haver uma padronização de 100% no tipo de tetos podendo haver uma variedade de conformação, entretanto, com avanço do melhoramento genético podemos constituir um rebanho com características muito próximas que auxiliarão na performance da ordenha.

Há estudos no Brasil que identificaram os tipos de tetos e posição de úberes de animais em ordenha no Brasil vejamos abaixo um dos estudos (Rubim 2011);TETOS

Podemos ver no estudo (Rubim 2011) 6 tipos diferentes de anatomia no teto dos animais (vacas), para cada anatomia teria uma indicação de teteira o que operacionalmente se tornaria inviável a operação de ordenha.

Seguindo o mesmo estudo (Rubim 2011) nos demonstra a distribuição de inserção do úbere, que foram classificados em oito tipos diferentes;

UBERES

  1. Típico para ordenha
  2. Úbere abdominal
  3. Abdominocoxal
  4. Úbere coxal
  5. Úbere esférico
  6. Úbere escada
  7. Úbere triangular
  8. Úbere juvenil

Sendo assim, as teteiras e coletores de leite devem possuir um desempenho bom nesse terreno com diferentes desafios, sempre buscando maximizar o uso de um design para melhor aproveitamento em todo rebanho.

  • Teteiras com cabeça redonda: são indicadas para tetos grossos e grandes e com paredes do úbere irregular.
  • Teteiras com cabeça semi-arredondadas: com indicação mais intermediaria entre tetos grandes e médios.
  • Teteiras com cabeça plana: é o desenho mais utilizado por se adaptar em quase todos os tipos de tetos e úberes.
  • Teteiras com cabeça rasa: indicada para tetos pequenos.

Quando analisamos o produto teteira como um todo a parte descrita anteriormente também chamada de “cabeça da teteira” é uma das partes de contato direto com a pele do animal e é responsável pela estabilidade da teteira no teto, por isso essa variedade de desenhos. Quando olharmos o formato do corpo da teteira existem hoje sendo utilizados o modelo clássico redondo e os novos modelos triangular e quadrado.

Quanto ao funcionamento, todos tem o mesmo intuito de espremer e descansar a porção final do teto para que possamos extrair o leite do úbere. Entretanto, podem possuir diferenças de configurações, ou seja, utilizar dispositivo (capa ou copo metálico) próprio, por exemplo.

  • As teteiras de formato redondo trabalham, espremendo o teto por completo. Dispositivo redondo.
  •  As teteiras de formato triangular trabalham, tendo três partes espremendo o teto, e necessitam de dispositivo exclusivo para sua fixação caso contrário poderá ficar torcida durante a ordenha.
  • As teteiras de formato quadrado trabalham, se assemelhando em muito com o funcionamento das teteiras redonda espremendo o teto como um todo.

Para obtermos uma performance satisfatória após a escolha do tipo de teteira o conjunto inteiro de ordenha deve ser bem configurado, com coletor de boa vazão, mangueiras no comprimento correto e sistema de pulsação aferido, além de todo restante do sistema de ordenha estar regulado, por isso, a importância do trabalho sincronizado e harmônico entre o técnico do equipamento de ordenha e o técnico da fazenda.  Além disso é muito importante a implantação das rotinas de ordenha para poder avaliar o desempenho das sessões de ordenha.

Outra parte de extrema importância e por muitas vezes razões de corte na parte de encaixe da teteira é o entendimento da forma de encaixar a teteira no niple do coletor. As teteiras possuem um reforço próximo ao encaixe e a mesma pode ter variadas formas, entretanto com o mesmo intuito de reforço para evitar corte ou rasgo quando comprimida contra a parede do niple.

Quanto ao encaixe do coletor podem ser conforme as figuras abaixo, na esquerda o coletor sem niple de encaixe, que requer a teteira especifica e ao lado coletor com niple para encaixe.

COLETORNo caso dos coletores com niples de encaixe possuímos ainda a variação de serem retos, oblíquos com dobra e obliquo sem dobra. Esse ponto é considerado crítico pois os niples dependendo do que ocorrer podem avariar a teteira. Outro ponto extremamente importante é saber o diâmetro externo dos niples para saber o diâmetro correto de encaixe da teteira, que sempre informa o diâmetro interno. Por exemplo uma teteira encaixe 8 milímetros será indicada ao coletor com niple externo de 11 milimetros no máximo e assim por diante. O diâmetro do niple dos coletores sempre deve ser maior que o diâmetro de encaixe das teteiras, entretanto não mais que 3 milímetros senão estaremos forçando e vindo com tempo a rasgar o encaixe da teteira.

Quanto aos dispositivos devemos ter atenção ao anel de fixação de teteira no dispositivo (capa ou copo metálico) também seguindo a regra do anel da teteira ser maior que orifício do dispositivo, assim como o comprimento do dispositivo e teteira. A teteira poderá estirar entre 5 a 16 % de seu comprimento para seu bom funcionamento no dispositivo.

Já quanto aos materiais podemos produzir as teteiras em borracha que é a matéria prima mais utilizada no mundo, entretanto essa mesma possui um período de funcionamento indicado onde manterá sua performance. Trabalhar acima da vida útil da teteira poderá acarretar uma série de transtornos como queda de rendimento. Sua performance fica assegurada até 2500 ordenhas, 6 meses ou 833 horas. Sempre sugerimos utilizar números de ordenhas que pode ser calculado através da fórmula (2500/(AxB/C) onde A = número de vacas por dia, B = numero de ordenha por dia e C = número de unidades de ordenha e os 2500 o total da duração, ou verificar a tabela que acompanha as teteiras na embalagem da Inabor ou ainda utilizar a calculadora de troca que está disponível no nosso site para realizar a programação de troca de teteiras.Tabela Teteiras BorrachaQuando optamos pelo silicone que é um material mais nobre, temos uma resistência térmica maior que a borracha, resistência aos produtos químicos como clorados e a vida útil da teteira  é mais prolongada. Também utilizando a mesma lógica do cálculo de borracha, entretanto, com vida útil de 5000 ordenhas, 12 meses ou 1666 horas de ordenha. Porém, vale frisar que a resistência mecânica do silicone, impacto, é menor que a borracha e por isso que quando optarmos por silicone devemos possuir uma rotina de ordenha bem implementada para que não ocorra contratempos como corte na teteira por queda ou retirada brusca do conjunto de ordenha. Vale lembrar que o custo dos jogos de silicone é superior aos de borrachas.

Contudo retorno a frisar a importância da implementação de um bom programa de rotina de ordenha como forma de acompanhamento de desempenho da ordenha além de manter um bom entrosamento com o técnico ou empresa que presta assistência no equipamento de ordenha e possuir acompanhamento veterinário para certificar que as operações estão dentro do planejado pela granja leiteira.

        Excelente Lactação a todas fazendas.

  Lissandro Stefanello Mioso

Med. Veterinário / Consultor Técnico

 

11° Expoclara – Parque da Fenachamp

A Inabor esteve presente na 11° da Expoclara, realizada pela Cooperativa Santa Clara, parceira e cliente da Inabor na Serra Gaúcha.

Expoclara1

A 11ª Exposição de Gado Leiteiro, Máquinas e Produtos, a Expoclara, fechou suas porteiras no final da tarde deste domingo, com as expectativas iniciais superadas. Durante quatro dias de evento mais de 35 mil visitantes conferiram o melhor do rebanho leiteiro dos associados no Parque da Fenachamp, em Garibaldi.

Expoclara

A 11ª Expoclara reuniu mais de 220 animais e mais de 100 expositores. Ainda durante a exposição houve diversas atrações, shows como Thomas Machado, vencedor do The Voice Kids 2017, João Luiz Corrêa e Grupo Campeirismo e Guri de Uruguaiana, entre outros.

A Inabor esteve presente, prestigiando a Cooperativa Santa Clara e tirando dúvidas dos seus associados e produtores, quanto a melhor utilização dos seus produtos e importância de respeitar o tempo de troca indicado para as peças de reposição das máquinas ordenhadeiras.

Expoclara2

ROTINA DE ORDENHA: A CHAVE DA QUALIDADE DO LEITE

A qualidade do leite é uma questão mundial. Os consumidores demandam produtos com boa qualidade e para isso produtores e laticínios fazem ações para atenderem a essa demanda. Hoje em dia todos os consumidores possuem inúmeras ofertas de produtos e se as empresas não atenderem seus desejos os mesmos poderão adquirir outro produto.

logo

A qualidade do leite está diretamente relacionada com três áreas chaves, as quais chamamos rotina de ordenha. As três áreas nada mais são que: os animais (vacas), o ambiente onde estão alojados esses animais e o equipamento de ordenha. A interação desses três pontos forma o “Triangulo da Mastite”, e muitas vezes nos deparamos com dúvidas nesse assunto pois esquecemos de olhar as três áreas.
Para produção de leite com qualidade é necessária uma boa rotina de ordenha, entretanto, as pessoas deverão entender que as diferenças econômicas de região para região poderão influenciar nesse aspecto.

Um dos segredos para o sucesso é o entendimento de todos na fazenda, da importância da realização de rotinas de ordenhas padrões em todas as sessões. Muitos produtores e técnicos relatam que a sintonia se faz necessária para alcançar um bom nível de qualidade do produto produzido. Portanto para ter sucesso é importante primeiro entender que mudanças são necessárias, definir bem quais serão essas mudanças e deixar claro a todos os funcionários. Seguindo esses passos as chances de sucesso na implantação de rotinas de ordenha serão grandes.

Quando avaliamos uma fazenda de leite um dos fatores mais importantes a se observar é o padrão da rotina de ordenha e sua consistência. Essa deve ser preestabelecida e é de extrema importância que todos os funcionários sigam a mesma. Após essa avaliação e entendimento da rotina de ordenha, passamos a olhar o tempo das operações.

Estudos recentes tem claramente demonstrado que independentemente de qual região do país que a fazenda de leite se encontre os benefícios econômicos contemplam aqueles que possuem uma boa rotina de ordenha com tempo de ordenha correto.

Os estudos demonstram que o tempo ideal de espera entre o inicio da rotina de ordenha (pré-ordenha) até a colocação das unidades de ordenha é de 60 segundos. Em muitas fazendas existe uma variação no tempo de espera, o que está fortemente relacionado com quem realiza a ordenha e número de vacas que não tiveram uma descida de leite satisfatória antes da colocação do conjunto, esse último fenômeno também conhecido como sobre ordenha do início da ordenha.

Uma maneira rápida e fácil para se verificar se estamos com tempo de espera adequado entre a preparação dos tetos e a colocação dos conjuntos de ordenha, é observar os tetos. Se os mesmos estiverem repletos de leite será indicativo de que o estimulo e o tempo de espera estão adequados.

Se observamos tetos murchos sem a presença de leite, é indicativo que a estimulação e o tempo de espera não estão adequados, o que poderá acarretar em problemas sanitários no úbere e tempo de ordenha mais longo.

Um dos maiores desafios a se realizar numa fazenda de leite é o entendimento de todo pessoal envolvido em sua produção para aplicação de uma rotina de ordenha consistente, isso ocorre porque muitos dos funcionários de uma fazenda são advindos de outras fazendas e tem tendência de aplicar as mesmas rotinas do trabalho anterior. Não é raro observar numa mesma fazenda diferentes processo de rotinas de ordenha sendo empregados. Nesses casos a sugestão é observar o beneficio de cada processo e maximizar os mesmos para a fazenda, alcançando assim a melhor performance de ordenha e qualidade de leite.

A implantação de uma boa prática de ordenha deve iniciar pelo uso de luvas por parte dos funcionários, isso por que as mãos são fontes de contaminação principalmente do estafilococo aureus um dos principais patógenos causador de mastite. Usar luvas é importante, entretanto mantê-las limpas também, o ordenhador poderá utilizar um balde com água e sanitizante, mergulhar de tempo em tempo as mãos no balde ou até mesmo utilizar o esguicho de baixa pressão para limpar as luvas de tempo e tempo. Sendo assim é imprescindível estar com as luvas limpas para que possamos manter os níveis de risco de contaminação baixos.

Toda rotina de ordenha deve priorizar também uma devida sanitização dos tetos. Há diferentes maneiras de se realizar esse procedimento, entretanto a grande maioria dos produtores utiliza pré ordenha (Predip) para sanitizar os tetos. Predip é uma excelente estratégia para controlar bactérias ambientais e inclusive “e. aureus” que tem por características colonizar a pele da parede do teto. Portanto para alcançarmos sucesso nessa etapa duas coisas devem acontecer:

• A solução sanitizante do Predip deverá cobrir toda a superfície do teto que entrará em contato com a teteira durante a ordenha.
• Permanecer tempo suficiente para ser eficaz no seu propósito.

As recomendações geralmente estão na ordem de que 75 a 90% do teto seja coberto pela solução Predip por um tempo mínimo entre 20 a 30 segundos.

Uma forma simples e eficaz para medir a eficiência de cobertura do Predip é utilizar uma folha de papel toalha branco, enrolar em torno do teto e verificar no papel toalha o quanto está cobrindo e o quanto está faltando se for o caso. Não é por utilizar aplicadores que garantirá 100% de cobertura, contraprovas de tempo em tempo é uma boa forma de monitoramento.

Outro procedimento incluso nas rotinas e de maior desafio para sua correta implantação é a pratica de retirada dos três primeiros jatos de leite para avaliação. Estudos recentes sobre o tema, evidenciam que rebanhos onde se emprega essa prática apresentaram uma taxa de fluxo de leite melhor e menor tempo de ordenha. Em outras palavras, podemos demorar um pouco mais na preparação, pois o tempo será otimizado por um melhor estimulo.

Há várias evidências e relatos de que em rebanhos onde a prática dos três jatos de leite é realizada os resultados são: menor tempo de ordenha, CCS baixa e maior produção de leite. A prática dos três jatos de leite seria o primeiro passo a ser realizado antes ou logo após o Predip. Um dos argumentos para utilizar após o Predip é que o ordenhador poderá esparramar melhor a solução pelo teto, entretanto nunca realizar após secar os tetos devido ao risco de recontaminação e o tempo de espera ser encurtado.

Esse processo de limpeza, estimulação e secagem de teto são importantes. A secagem do teto com papel toalha auxilia na remoção da maioria das bactérias e promove uma estimulação extra. O segredo aqui é ter certeza que as pontas dos tetos estão secas e limpas pois se as pontas de tetos não tiverem bem secas e limpas provavelmente a fazenda sofrerá com casos ambientais de mastite. Muita das vezes, observamos o corpo do teto limpo, entretanto as pontas dos tetos com sujidades, o que é prejudicial. O score de ponta de tetos é uma das melhores ferramentas para avaliação do padrão da rotina de ordenha e sua qualidade.

Uma vez que os tetos se encontram limpos, secos e estimulados os conjuntos de ordenha deverão ser colocados nos animais com mínimo possível de ruído de entrada de ar entre as teteiras e o teto, quanto mais ar permitimos entrar maior será a irritação do úbere vindo a afetar a qualidade do leite. Após a apropriada colocação dos conjuntos de ordenha é praxe os ordenhadores alinharem os conjuntos de ordenha com o úbere do animal. Esse procedimento minimiza a queda das teteiras por deslizamento. A má performance na colocação dos conjuntos de ordenha é muito comum levando a um baixo desempenho na ordenha e deslizamentos contínuos das teteiras, sendo assim não importa o tipo de equipamento de ordenha que possui, o alinhamento de conjunto deverá funcionar como regra.

ordenha

Ao cessar o fluxo de leite dos conjuntos de ordenha os mesmos deverão ser retirados do animal. Muitas fazendas adotaram a tecnologia dos Extratores Automáticos de Teteira que gera muitos benefícios. Esses componentes contribuem para o padrão da ordenha independente de quem esteja fazendo a mesma.

Muita atenção quanto ao funcionamento e regulagem dos extratores automáticos de teteiras que devem ser constantemente acompanhados por técnico de ordenha para que faça os ajustes necessários para seu bom funcionamento. Os extratores deverão retirar as teteiras no momento certo para evitar a sobre ordenha. Esse fenômeno sobre ordenha deverá sempre ser evitado devido as consequências que geram ao animal.

O ponto de recolhimento dos conjuntos de ordenha são relatados em vários trabalhos, mas uma técnica simples de avaliação da ordenha é repassar o animal após o conjunto de ordenha ter sido retirado. Se o volume total de leite após a retirada do conjunto de ordenha for menor que 250 ml no úbere, é um indicativo de uma ordenha completa. Há, também, casos de ordenha não uniforme, tendo alguns tetos com mais leite que outro, por isso a importância do acompanhamento técnico do equipamento de ordenha e atualização da configuração de acordo com desenvolvimento do rebanho.

Ao retirar os conjuntos de ordenha nossa ação deverá ser de mergulhar o teto em uma solução protetora pós ordenha (Posdip) onde a meta é cobrir a superfície do teto entre 75 a 90% de sua conformidade. O que ocorre durante a ordenha é um movimento de vai e vem do leite no equipamento durante o processo, que banha o teto com leite. Essa é umas das principais razões para aplicação do Posdip, para retirar esse filme de leite do entorno do teto após a retirada dos conjuntos de ordenha e assim evitar a proliferação bacteriana. É indicada especial atenção para quem trabalha com cama de compostagem.

Uma forma de avaliação rápida e eficaz das rotinas de ordenhas numa fazenda de leite é verificar após a ordenha os filtros de leite do equipamento de ordenha;

• Filtros de Leite sujos: tetos não foram limpos corretamente
• Filtros de leite com grumos: sinal que alguma mamite clinica passou sem a devida atenção
• Filtros de leite com estratos e sujidades: muitas quedas de teteira, alinhamento pobre dos conjuntos e/ou limpeza incompleta dos tetos.

Portanto, uma vez analisado o programa de rotina de ordenha, essa deverá ser desenvolvida, implementada, impressa e posteriormente deverá ser entregue uma cópia a cada um dos envolvidos no processo. Outra excelente prática é anexar no fosso na sala de ordenha a rotina de ordenha, assim facilitando sua memorização. Reunir o pessoal e debater com os mesmos sobre o desafio de implementar as rotinas e escutar suas sugestões mantendo todo mundo engajado também pode ser considerado um dos segredos do sucesso da qualidade do leite.

Boa rotina de ordenha é a chave fundamental para a produção de leite com qualidade, se for implementada qualquer fazenda de leite poderá:

• Ordenhar mais rápido
• Produzir mais leite
• Melhorar a qualidade do leite
• Produzir um leite mais rentável

Lissandro Stefanello Mioso
Médico Veterinário – CRMV 8457
Consultor Técnico
Extraído de artigo publicado National Council Annual Meeting – Reno – Nevada (2000) Pag-123

2018 e suas perspectivas!

O ano inicia e ao olharmos pelo retrovisor os anos de 2017 e 2016 ainda marcam nossa visão, pois foram carregados por instabilidade e crises de todas as naturezas que abalaram o Brasil. Entretanto, vida que segue, temos que olhar em frente e planejar o futuro, claro sem esquecer do presente, planejando nosso próximo ano e o quanto vamos produzir.

logo

Está evidente que produzir leite não é o problema no Brasil, tanto que a produção em 2016 segundo IBGE ficou na casa dos 33,625 bilhões de litros produzidos e distribuídos em várias cidades, sendo que o leite está presente em 98,8% do território brasileiro. Porém, nem todas as regiões possuem grandes produtores. A maioria deles produz menos de 1.000 litros dia, o que pode levar os mesmos a certa dificuldade, no que tange aos itens necessários à melhoria da produção. Acompanhamento veterinário, utilização de insumos de qualidade na produção de leite, trocas periódicas conforme orientação dos fabricantes de peças de reposição, assistência técnica adequada do equipamento de ordenha, por exemplo, são pré-requisitos para a produção leiteira com maior qualidade gerando maior valor agregado ao produto.

A maximização da produção requer muitas vezes investimentos em tecnologias que auxiliem o produtor em suas ações diárias, assim obtendo êxito em sua exploração leiteira e tendo a possibilidade de obtenção de resultado financeiro satisfatório. E é essa parte do resultado financeiro que ultimamente vem afetando a produção de leite.

A grosso modo, ou seja, numa visão simplista a parte que falta é o consumo do leite propriamente dito. Vejamos algumas notícias de destaque na mídia nos últimos tempos, por exemplo, o grande número de desempregados que consequentemente gerou queda de poder aquisitivo da família brasileira, o alto índice de endividamento das famílias e inflação alta. Com esses fatores já podemos pressentir o pânico causado na classe trabalhadora brasileira nos últimos dois anos, o que levou a uma reorganização no seu dia a dia e em seu orçamento familiar, isso também acarretou em uma mudança no hábito do consumidor brasileiro, que passou a escolher opções mais em conta cortando produtos especializados. Uma pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel, mostrou que no primeiro semestre 2017 havia um recuo na ordem de 10,2% em unidades de alimentos perecíveis e mostrou um consumidor bem cauteloso na hora da compra.

leite

Entretanto, os últimos movimentos da economia brasileira já demonstram alguns sinais de recuperação com a inflação voltando a patamares mais baixos e controlada, queda dos juros e início da retomada econômica que vem avalizada pelos últimos relatórios do banco Central do Brasil que prevê crescimento do PIB e aos poucos a saída da crise, ou seja, recessão que o Brasil se encontrava. A retomada do emprego e por consequente da renda estão aos poucos melhorando, entretanto, outro fator de grande relevância que não podemos deixar de citar é a diminuição do endividamento das famílias após crise e o aprendizado das mesmas em compras de longo prazo. Se no primeiro semestre de 2017 havia cautela e medo do desemprego, a perda de renda nesse ano 2018 em pesquisas realizadas em 11 grandes centros urbanos já demonstra que 58% dos consumidores acreditam na melhoria de sua condição financeira e na recuperação de economia brasileira.

Sendo assim, nessa visão global podemos ter boas expectativas de um mercado mais promissor que dos dois últimos anos, claro não alcançando patamares do período pré-crise, mas com crescimento sustentável em um ritmo não tão acelerado como antes.

Portanto, a parte que falta são as engrenagens do sistema rodarem de forma harmônica para que todos os elos da cadeia, produtor, indústria e varejo consigam prosperar de forma consistentes. E já há fortes sinais de que essa mudança se iniciou em 2018.

Desejamos a todos uma excelente Lactação.

Lissandro Stefanello Mioso
Med. Veterinário / Consultor Técnico

Cautela com o Estresse Térmico no Verão

Nesse período do ano, o verão, muita gente sofre com calor. Imagine então uma vaca leiteira, tendo que se manter, produzir e reproduzir sob altas temperaturas.

Contudo, nos últimos anos muitas pesquisas foram feitas para entender esse acontecimento e as estratégias que podem ser utilizadas para minimizar o efeito negativo das altas temperaturas na produção de leite, visto que as perdas econômicas devido a tal efeito são consideráveis.

O estresse térmico afeta negativamente em vários aspectos a produção leiteira, este fato gera uma diminuição na produção devido à redução da ingestão de alimentos pelo animal.

Além da temperatura ambiente, a umidade relativa do ar elevada compromete a capacidade da vaca de dissipar calor para o ambiente, influenciando diretamente na diminuição da produção.

Como a evolução da produção de leite está associada ao aumento da ingestão de matéria seca (MS), aumenta-se assim o calor metabólico para produção de leite e prejudica o balanço térmico em períodos de estresse. Fatores climáticos como temperatura e umidade relativa do ar interferem significativamente na produtividade das vacas.

Segundo PIRES (2006), o estresse térmico é o conjunto das alterações que ocorrem no organismo animal na tentativa de reagir às condições ambientais como: altas temperaturas, alta umidade do ar e excesso de radiação solar.

Tais condições somadas a altas produções de calor metabólico excedem as reservas de calor corporal, e quando a capacidade de eliminação de calor é menor que o ganho de calor do ambiente e do metabolismo, determina-se o estresse térmico.

No verão a capacidade de perda de calor fica comprometida em função das condições climáticas, aliada a isso, a alta produção de calor das vacas de alta produção de leite as torna mais susceptíveis ao estresse térmico.

O primeiro mecanismo acionado para perda de calor é a vasodilatação, o segundo é a sudorese e o próximo é a respiração, sendo o aumento na frequência respiratória (FR) o primeiro sinal visível.

Quando os mecanismos de termólise dos animais homeotérmicos não são eficientes, o calor metabólico somado com o calor recebido do ambiente torna-se maior que a quantidade de calor dissipada para o ambiente, em consequência disso pode ser notado nesses animais um aumento da temperatura retal.

Animais submetidos ao estresse térmico reduzem o número de refeições diárias, duração das refeições e o consumo de MS por refeição. Altas temperaturas reduzem a frequência de alimentação durante as horas mais quentes do dia, aumentando a frequência nas primeiras horas da manhã e no final da tarde.

O consumo de água também é influenciado pelo estresse térmico, sendo maior nas horas mais quentes do dia, com aumentos nas primeiras horas da manhã, final da tarde e pequeno aumento a noite (DAMASCENO et al., 1999).

A tabela a seguir (TABELA 1), correlaciona variáveis fisiológicas (frequência respiratória e temperatura retal) com os níveis de estresse térmico.

tabela matéia milkpoint

O estresse térmico causa vários problemas na produção de leite, interfere na produção, reprodução e sanidade dos animais, gerando grandes perdas econômicas em sistemas de produção de leite.

Minimizar os efeitos do estresse térmico sobre os animais torna-se essencial para manutenção da produtividade. Fatores como sombra provida de árvores, aspersores ou nebulizadores, ventiladores, mudanças na dieta e no fornecimento do alimento podem ser utilizados para evitar o estresse térmico sobre os rebanhos.

A sombra é o principal método utilizado para minimizar o estresse térmico, no entanto, a ventilação associada à aspersão de água sobre as vacas mostrou-se mais eficaz, melhorando a produção de leite e a reprodução.

Busque conversar com o veterinário e técnicos sobre o assunto e buscar a melhor solução para sua necessidade pois as soluções podem mudar um pouco de local para local.

Lissandro Stefanello Mioso
Consultor Técnico / Médico Veterinário
Fonte: Revista Cientifica Eletrônica de Medicina Veterinária – Ano IX – Número 16 – janeiro 2011.