Desmistificando as Teteiras!!

 

Temos o desafio mensal de escrever no site textos sobre produção de leite e mais especificamente sobre teteiras, produto o qual a empresa é fabricante.

Sempre quando visitamos clientes ou em atendimentos, as ocorrências e dúvidas são sempre as mesmas, o artigo de hoje tem intuito de passar uma informação simples para identificação, montagem e duração das teteiras nos equipamentos e durante a ordenha.

Umas das grandes dúvidas é quanto ao material que é fabricado a teteira, hoje se fabrica teteira basicamente com duas matérias primas borracha e silicone. Esses componentes são bem diferentes quimicamente um do outro e a ordenha é igualmente distinta.

A borracha é o material mais convencional para fabricação da teteira. Na teteira precisamos ter boa elasticidade e memória devido sua aplicação resultar em um massageamento (abre/fecha) no teto realizando sempre a mesma tarefa. A maciez e poder dermatológico são qualidade imprescindíveis. A borracha sofre ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e os componentes do leite afetam as propriedades das teteiras de borracha.

Já o silicone é um material alternativo muito nobre utilizado para fabricação de teteiras, possuindo praticamente as mesmas qualidades químicas de borracha se diferenciando em alguns pontos. O silicone é mais resistente a ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e aos componentes do leite, em contrapartida mais frágil mecanicamente, sendo muito sensível a quedas durante a ordenha.

A borracha possui um massageamento mais consistente, entretanto com uma longevidade menor já o silicone possui um massageamento mais suave com uma longevidade maior. Quanto a longevidade nas teteiras fabricadas com borracha sua projeção de uso é para 2.500 ordenhas, já as fabricadas em silicone sua projeção de uso é para 5.000 ordenhas.

Sempre que optarmos por uma mudança no material da teteira (borracha/silicone) deveremos ter a consciência do ajuste e adaptação do rebanho em ordenha, por terem diferença na massagem, que irá interferir diretamente no o tempo de ordenha (por sessão). A utilização das rotinas de ordenhas consistentes auxiliam a fazer uma ordenha rápida, suave e gentil claro observando a regulagem e dimensionamento do equipamento de ordenha.

Outra dúvida é como identificar a teteira para o equipamento ou solicitada pelo produtor, como são vários modelos para os mais variados conceitos de ordenha além das diferentes marcas de equipamentos, a dúvida quanto aos seus desenhos e funcionalidades.

Sempre somos questionados sobre a diferença nos anéis e cabeça da teteira, vamos tentar explicar de forma bem prática.

São vários formatos que são indicados a variados tamanhos de tetos e tipo de úbere a ser ordenhado, já conversamos sobre essas características de tipos de teteiras em outro texto MilkPoint, há mais informações sobre tipos de teteira nesse texto → Tipos de Teteiras.

Também teremos outro fator importante na cabeça das teteiras, o diâmetro do orifício onde o teto será inserido. Temos diâmetros indo de 18 mm a 24 mm. Sendo o mais comum de 24 mm, mas devemos estar atentos nos ganhos genéticos e evolução do úbere quanto a posição, formato, disposição, tamanhos dos tetos e raça utilizada.

 

As imagens demonstram bem a diferença do orifício da teteira para o teto.

Importante, podemos estar enforcando o teto por estar com o orifício muito apertado podendo ocasionar até marcas no corpo do teto ou não conseguir acoplar a teteira ao teto.

Ao contrário, pois se for muito grande a entrada de ar em torno do teto pode prejudicar o vácuo podendo ocorrer o deslizamento da teteira do teto.

 

Outra dúvida recorrente são quantos aos anéis das teteiras e como utilizar corretamente.

Teteira 2 anéis:

Possui anel de encaixe menor que a de 1 anel.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É muito utilizada em sistemas balde ao pé ou com transferidores.

 

Teteira 1 anel:

Possui anel de encaixe maior que a de 2 anéis.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É utilizada em vários sistemas inclusive em sistemas canalizados.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 2 anéis.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 1 anel.

 

Sendo assim a capa das teteiras modelo 1 anel são diferentes das de 2 anéis não podendo ser adaptadas uma na outra, entretanto dois anéis muitas vezes possuem apenas detalhes de design diferente, porém com mesma aplicação e podendo ser adaptadas em capas para esse modelo.

E por último e não menos importante devemos atentar para o diâmetro de encaixe da teteira ao coletor, para que possamos instalar o modelo correto para que não ocorra problemas na teteira como rasgar pelo diâmetro muito pequeno ou cair do coletor devido ao diâmetro muito grande.

Na Inabor informamos o diâmetro do orifício de encaixe teteira (tubo curto do leite), ou seja, o diâmetro deixado para o leite fluir. Por exemplo uma teteira que informamos que o encaixe é de 8 mm o coletor para essa teteira deverá possuir o tubo de encaixe de 11 mm externo (niple do coletor). Com uma teteira de encaixe 10 mm deverá ter até 13 mm externo. Como nesse modelo 1 e 2 anéis a uma variedade grande de diâmetros que vão de 8 mm, 9,5 mm e 10 mm devemos estar atentos para não ocorrer transtornos durante a ordenha por instalar teteira de diâmetro errado ao coletor.

Diâmetro de encaixe da teteira errado pode ocasionar rompimento da teteira rasgando no encaixe, queda da teteira do coletor (fica escapando do coletor) o que gera muito contratempo e prejuízo na hora da ordenha.

Portanto para que a troca de teteira não vire um mistério é interessante possuir uma uniformidade no equipamento de ordenha, principalmente para quem possui mais de um conjunto de ordenha tentando preservar o mesmo modelo de coletor e teteiras em todos os postos de ordenhas, ter os modelos e descrições do equipamento em mãos e se possível levar um exemplar ao local de compra para verificar a semelhança, mas acredito que o fortalecimento da parceria com técnico de ordenha e empresas que atuam nesse ramo são de grande valia e segurança ao produtor na hora de realizar as trocas das teteiras.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Resfriar o Leite no Verão

O verão é uma estação desafiadora na produção de leite pelas características desta estação do ano, com dias mais quentes, marcados por temporais e descargas elétricas.

Nesse período temos o desafio de manter nossas vacas sem stress térmico para que sigam produzindo leite utilizando as tecnologias existentes que auxiliem no stress térmico na vaca.

Entretanto o resfriamento do leite após a ordenha também se torna um desafio devido às temperaturas ambientes serem altas, principalmente a segunda ordenha da tarde, claro que o processo de resfriamento se dá ao longo do ano em todas as estações, mas é no verão que os tanques de refrigeração de leite deverão se mostrar eficientes e que atinja a temperatura necessária de forma rápida e eficiente para que possamos ter um leite de qualidade. Portanto, entender sobre os equipamentos de refrigeração e suas configurações é importante para um bom desempenho com o resfriamento.

A granelização do leite como é conhecida, trouxe muitos benefícios tanto para qualidade como para logística do leite até a indústria, assim otimizando todo processo na cadeia leiteira.

O Tanque de Refrigeração é um equipamento destinado para armazenar e manter o leite em condições adequadas e determinadas de resfriamento até o momento da coleta a granel.

O ministério da agricultura no Brasil determina através da IN 62 (instrução normativa 62) que o leite deverá estar a 4°C na fazenda no momento da coleta pela a indústria.

Os Tanques Refrigeradores podem ser classificados em:

Tanque de duas ordenhas: deverá resfriar 50% do seu volume nominal por ordenha, conforme sua classe de desempenho, podendo ser esvaziado diariamente (24 h);

Exemplo: Tanque de 1000 litros 2 ordenhas = resfria 500 litros.

Tanque de quatro ordenhas: deverá resfriar 25% do seu volume nominal por ordenha, conforme sua classe de desempenho, podendo ser esvaziado a cada dois dias (48 h).

Exemplo: Tanque de 1000 litros 4 ordenhas = resfria 250 litros.

Quanto ao desempenho também devemos ficar atento a sua classificação:

a) Quanto ao número de ordenha (2 ou 4), descrito acima;

b) Quanto a temperatura ambiente;

c) Tempo de refrigeração do leite.

Classificação Temperatura de desempenho (TD)°C Temperatura operacional de segurança (TS)°C
A 38 43
B 32 38
C 25 32

Tempo Resfriamento em Horas

Classificação Todas as ordenhas 35 a 4 °C Segunda ordenha 10 a 4 °C.
I 2,5 1,25
II 3,0 1,5
III 3,5 1,75
IV 1 1

Exemplo: o fabricante do equipamento sempre informa a classificação do tanque assim como a voltagem, capacidade nominal, número de série do equipamento, carga de gás, tipo de gás e a potência dos compressores.

Se a placa informar: Tanque de Resfriamento de leite 1.000 litros 4BII trifásico, significa:

Capacidade nominal do tanque: 1000 litros

O numero 4 antes da letra B informa que o regime do tanque é 4 ordenhas

A letra B informa que a temperatura ambiente ideal de trabalho para o equipamento é de 32°C podendo chegar a 38°C para um desempenho satisfatório.

Já o algarismo II informa que o leite de primeira ordenha deverá ir de 35°C a 4°C em no máximo 3 horas, e as demais ordenhas de 10°C a 4°C em no máximo 1,5 horas.

Já no último, não menos importante, tipo da rede elétrica que pode ser monofásica ou trifásica, deve-se informar do padrão na fazenda e se há energia para funcionar os compressores. Geralmente tanques acima de 2000 litros utilizam compressores grandes que demandam energia para sua partida, que por muitas vezes não há na zona rural, fazendo com que o tanque não ligue ocasionando muito transtorno.

As demais informações são extremamente úteis aos técnicos de refrigeração para quando necessitar realizar uma manutenção no equipamento.

É indispensável que o equipamento tenha um aterramento, que deverá ser feito de acordo com as instruções do fabricante. A manutenção periódica se faz necessária para que o aterramento conserve a sua principal função, que é a proteção do operador.

Dispositivo de proteção deverá ser capaz de garantir a operação do equipamento de refrigeração. Esse dispositivo deverá ser dimensionado de acordo com reais necessidades elétricas do equipamento. Deve-se ser observada a vida útil de cada dispositivo de proteção para que seja garantido o seu perfeito funcionamento.

É indispensável o uso de dispositivos de proteção contra descargas elétricas e variações excessivas de tensão.

Os equipamentos deverão ser fabricados principalmente onde há contato com leite em aço inox (corpo do refrigerador) e demais componente (juntas, vedações…) em contato com leite serem atóxicas e resistentes aos produtos de limpeza.

O isolamento térmico garante a manutenção da temperatura do leite armazenado. Quando maior e melhor o isolamento, menor será o gasto de energia elétrica para manter esta temperatura. O meio isolante não deverá se assentar no fundo e não pode estar sujeito a deslocamento durante o transporte ou a manutenção.

Um tanque deverá ter uma ou mais tampas justas e auto drenantes que se encaixem na(s) abertura(s) do corpo interno e tenham bordas voltadas para baixo. As tampas deverão permitir a fácil inspeção e amostragem do leite, o enchimento do tanque deve ser realizado sem que haja necessidade de sua abertura.

As tampas dos tanques projetados para serem limpos manualmente deverão ser construídas de forma que possam ser abertas para possibilitar a fácil limpeza manual de todas as partes. No caso de tampas com dobradiças, as mesmas deverão ser providas de suporte seguro para a posição aberta. As tampas dos tanques projetados para serem limpos por meio de métodos não manuais deverão permitir a inspeção de todas as partes que possam vir a ter contato com o leite. Estes tanques não podem ter menos que uma abertura com dimensões, no mínimo, equivalentes a uma elipse de 400 mm x 300 mm.

O dispositivo de agitação deve ser construído de forma que seja fornecida proteção contra qualquer contaminação do leite proveniente de agentes externos. O agitador deverá ser protegido de tal maneira que o operador não possa ter contato com as partes em movimento e ser projetado de forma que possa haver uma limpeza eficaz.

As vedações do eixo do agitador deverão ser de estrutura robusta e estar projetadas de tal maneira que nenhum vapor d’água condensado, óleo ou outras substâncias que possam contaminar o leite, entrem em contato com o produto.

Um tanque deverá ter uma drenagem para a água de limpeza. O orifício de saída e o fundo do corpo interno devem ser projetados de tal maneira que toda a água de limpeza escoe para a saída.

Instrumento para medir a temperatura do leite

Todo tanque deverá ter um instrumento para medir a temperatura do leite (em graus Celsius) em qualquer volume entre 10% e 100% do volume nominal. O instrumento deverá ser capaz de suportar, sem perda da calibragem, temperaturas dentro do receptáculo interno de –10 a +70°C e temperaturas ambientes de –10°C até a temperatura operacional de segurança (TOS), e não deverá penetrar no corpo interno.

A escala medidora (régua de volume) deverá ser graduada de 10% ou menos até, no mínimo, 100% do volume nominal. Cada divisão da escala medidora representará um volume de, no máximo, 0,5% do volume nominal (deverá ser correspondente ao volume contido em 1 mm de leite).

Sistema de refrigeração:

É proibida a utilização de tanques refrigeradores que utilizem serpentinas o sistema de refrigeração deverá ser por expansão direta.

Limpeza:

Tanto os tanques verticais como horizontais deverão ser higienizados após seu esvaziamento o procedimento deverá levar em consideração o protocolo correto para diluição do detergente na quantidade e temperatura da água para lavagem do equipamento.

Os tanques horizontais fechados geralmente utilizam sistema CIP de lavagem atentar as instruções do fabricante do tanque e do detergente.

Nos tanques verticais abertos não entrar no tanque para realizar a limpeza adquirir as ferramentas para lavagem do corpo e válvula de escoamento para garantir uma boa higienização não esquecendo das partes como o agitador e a régua de medição do volume.

O local de instalação do equipamento é de extrema importância, deverá o mesmo estar próximo a sala de ordenha, mas não na sala de ordenha. Possuir o que chamamos de sala do leite onde se encontram os tanques e quem possui sistema de programador automático de limpeza para a sala de ordenha geralmente fica nessa sala.

Para um melhor desempenho é interessante que as unidades de refrigeração, compressores e condensadores estejam em um local bem ventilado, protegidos de intempéries do tempo e animais.

Em tanques de grande volume geralmente se realiza a instalação das unidades de frio remota, ou seja, separada do tanque, entretanto tanques menores por questão econômica e comercial as unidades se encontram acopladas.

Ter uma sala com “pé direito” suficiente para que fique um espaço no mínimo um (01) metro entre a ponta da tampa aberta e o forro da sala, verificar as necessidades de pisos especiais para quem for comprar tanques grandes acima de 3.000 litros, sendo interessante revestir a sala e projetar drenos para total escoamento da água após as lavagens.

Saber quanto se quer resfriar e qual regime para entrega são os primeiros passos para decidir sobre uma compra.

O entendimento sobre esse equipamento permite com que possamos manter um padrão de qualidade no leite com um resfriamento adequado e um rendimento de consumo energético satisfatório ano todo.

 

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Tendência do Leite 2019

Cada ano que passa e um novo que se inicia, sempre buscamos ler e entender um pouco sobre o ano que passou para tentar prever um cenário futuro de médio ou longo prazo para as tendências do mercado que atuamos.

Ao olharmos para trás, em 2018 tivemos um ano bem conturbado com eleições, greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo, desemprego e economia instável com o preço de leite variando muito entre altas e baixas ao longo do ano.

A produção de leite é de grande complexidade econômica necessitando para se ter eficiência uma boa gestão técnica e econômica, provocando a necessidade da busca de conhecimento e assessoria técnica para a viabilidade da atividade.

Essa é a forte tendência para 2019, no campo a total gestão da propriedade não somente técnica, mas também financeira buscando entender um pouco do “depois da porteira” e suas consequências para possuir total controle da propriedade, ou seja, dominar também o “antes da porteira”.

A viabilidade da propriedade seja ela pequena, média ou grande é o seu resultado positivo, gerando satisfação e fixação do produtor vivendo com dignidade e rentabilidade.

Sendo assim o planejamento, estudo do mercado é fundamental para se traçar estratégias e produzir leite com qualidade e melhor custo beneficio para ser competitivo e eficiente.

Com isso não evitaremos, mas com certeza minimizaremos muitos erros, sejam de investimento ou decisões de impacto direto no caixa da fazenda no decorrer do ano.

O ano de 2019, ainda traz consigo as heranças do ano anterior. As incertezas da economia, o desemprego e a diminuição do consumo nas famílias acaba afetando diretamente o mercado de produtos lácteos. Porém o novo ano traz também expectativas de melhoras, devido as ações de estimulo da economia por parte do novo governo, promovendo a geração de emprego e o aquecimento da economia com retorno do consumo lácteos, assim diminuindo a volatilidade dos preços, proporcionando um cenário mais estável para produzir e mantendo o preço do leite em uma faixa na qual o produtor consiga produzir e ter rendimentos para manter os custos da produção.

Isso é o que todos esperamos e desejamos para o ano de 2019, um clima de otimismo para nossa atividade. Nos próximos meses veremos se isso se concretiza. Ótimo ano a todos e excelente lactação em todas as fazendas.

Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico/Médico Veterinário

BOAS FESTAS

Prezados leitores, clientes e amigos, durante o ano de 2018 publicamos textos no site da Inabor e no Milkpoint (https://www.milkpoint.com.br/busca/?q=Inabor) com o intuito de levar informações sobre nossa empresa e sobre os nossos produtos, da sua importância na pecuária leiteira e de como utilizá-los de forma correta para um bom desempenho.

Entretanto, nesse mês deixaremos a parte técnica de lado, para retornar em 2019 com mais informações sobre o processo de ordenha. Dezembro de 2018 já está dando seus últimos suspiros e com isso aproxima-se o encerramento do ano.

Um ano bastante atribulado com vários eventos que influenciaram e impactaram em muito o desempenho econômico do país e consequentemente o setor leiteiro brasileiro.

Deparamo-nos com desafios como a alta das commodities milho e soja, componentes essenciais na nutrição animal, impactando diretamente no custo de produção do litro do leite. Por outro lado, a situação econômica delicada do Brasil, principalmente no que tange a questão do emprego em recessão, comprometeu a renda familiar e consequentemente influenciou negativamente o consumo das famílias afetando os produtos lácteos diretamente.

Entretanto, não podemos deixar de lembrar dois eventos do ano de 2018 que impactaram em muito a situação econômica do Brasil. Um deles, foi a paralização dos caminhoneiros que parou o país e o levou à beira do caos, com desabastecimentos em diversos municípios e descarte de leite em todas as regiões, o que no mínimo vale a reflexão do nosso modelo de transporte.

Outro importante evento do ano de 2018 foram as eleições presidenciais, certamente a mais acirrada da nossa jovem democracia, que dividiu muito as atenções do povo brasileiro em busca da renovação para um novo ciclo presidencial.

Assim como os anos iniciam e encerram nas fazendas, também segue o ciclo iniciando e encerrando lactações, novos partos, novas prenhes e muito leite a ser produzido. Passado 2018 com seus ensinamentos, conquistas e alguns contratempos que venha 2019 renovando nossas esperanças para novos desafios e novas conquistas!

Feliz Natal e Prósperas Lactações em 2019!

Lissandro Stefanello Mioso – Consultor Técnico Comercial

natal 2017

Partes & Peças do sistema de ordenha, suas funções e importância.

Nos últimos artigos conversamos sobre teteiras, mangueiras, volume de vácuo e higiene dos sistemas de ordenha, entretanto, hoje vamos focar em pequenas partes do sistema que podem interferir no seu funcionamento e até mesmo afetar a qualidade do leite e a saúde animal.

Os sistemas de ordenha, independente do fabricante, geralmente são constituídos ou montados de forma muito parecida, porém cada marca possui os seus diferencias.

Vamos falar principalmente nos sistemas canalizados linha média, que após os baldes ao pé são os equipamentos mais utilizados no Brasil, geralmente visualizo em cada canto do Brasil equipamentos com (4) postos de ordenhas em sua maioria.

Pois bem, equipamentos canalizados com (4) postos possuem um tubo de leite em aço inox. Geralmente esses tubos possuem seis metros (06) de comprimento, e devemos possuir um espaço mínimo entre as entradas de cada posto para que não haja refluxo de leite quando estamos utilizando os quatro (04), ou seja, ordenhando (4) vacas simultaneamente. Esse espaço dependerá de cada fabricante do equipamento e também é influenciado pelo tipo de contenção utilizada, espinha de peixe 1200, espinha de peixe 0800, paralela ou fila indiana. Cada um vai demandar uma forma de instalação para um bom desempenho.

sistema de ordenha

Para entendermos a imagem acima;

Em azul possuímos somente vácuo, em vermelho vácuo + leite ou água e verde leite sem vácuo sendo empurrado pela bomba de leite.

Como o sistema de ordenha tem por princípio ordenhar o leite, a utilização do vácuo é relativa, devemos possuir uma boa vedação em todo nosso sistema e ter certeza que o regulador de vácuo faça a regulagem deixando entrar o ar atmosférico necessário para estabilizar o sistema de ordenha.

Abordaremos as vedações que geralmente são constituídas de borrachas e assim como as teteiras, sofrem desgaste pela ação do tempo tanto do leite, como dos detergentes utilizados para a higienização do sistema de ordenha.

curva

  • Essa é a curva do garrafão, peça responsável por fazer a ligação do tubo de leite ao receptor de leite. Ela veda a entrada do ar no receptor/garrafão de leite. Em alguns sistemas de ordenhas mais simples se faz necessário girar essa peça antes de iniciar o processo de lavagem para que agua possa atingir a parte superior do receptor/garrafão do leite, outros já providos de chuveirinho interno não necessitam esse procedimento. Por ter contato direto com leite é muito importante verificar a condição da mesma a cada (6) meses.
  • Tampão de fechamento do tubo/cano do leite podendo ter ou não entrada para água. Bom local para verificar a eficiência da lavagem, pois se houver muito resíduo de leite é sinal de pouca água chegando no fim da linha, a mesma deve ser verificada a cada (6) meses.
  • Curvas de ligação do receptor/garrafão do leite com a bomba do leite, também devem ser verificadas a cada seis (6) meses, quanto a sua integridade, para que não interfira na chegada do leite a bomba de leite.

 

flap

  • Válvula Flap, essa peça está montada no interior da bomba de leite é extremamente importante para o despacho do leite pela bomba, por exemplo, se a mesma não fechar após acionamento da bomba de leite a mesma não conseguirá enviar o leite novamente devido à entrada excessiva de ar na bomba de leite. Essa peça sofre grande desgaste devido seu funcionamento e contato direto com leite e água.
  • Aos equipamentos de extração manual possui as chamadas válvulas tip-top que estão no interior do coletor em contato direto com leite realizando duas funções fechamento e abertura do vácuo no coletor e vedar o mesmo para não entrar muito ar. Muitas vezes são esquecidas assim com os anéis de vedação do coletor que podem deixar se corrompido entrar ar em demasia ou até mesmo sujidade podendo interferir no volume de vácuo no coletor, podendo vir a causar problemas aos animais.

Há outras partes e peças que devemos ter cuidados, por exemplo, as duchas, sprays ou velas de lavagem, que deverão estar integras para vedar bem entorno das teteiras e possuir vazão necessária para uma boa lavagem.

Sabemos que o custo da manutenção por muitas vezes alegado como principal entrave, entretanto, creio que por falta de uma boa vedação ou oscilação de vácuo poderá lesionar um animal e se esse desenvolver uma enfermidade como, mastite/mamite terá de ser afastado da linha de ordenha das saudáveis, assim sendo, vai ter o leite descartado, gastos com medicamentos além de todo um manejo diferenciado com a mesma.

É com o intuito de evitar esses contratempos e até mesmo os prejuízos que reforçamos a importância da propriedade leiteira em possuir uma boa parceria com o técnico de ordenha, ter uma estratégia de manutenção preventiva do sistema de ordenha e assim não ter surpresas no momento da colheita e produção, transcorrendo com uma boa lactação.

Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico / Médico Veterinário – CRMV 8457