Tendência do Leite 2019

Cada ano que passa e um novo que se inicia, sempre buscamos ler e entender um pouco sobre o ano que passou para tentar prever um cenário futuro de médio ou longo prazo para as tendências do mercado que atuamos.

Ao olharmos para trás, em 2018 tivemos um ano bem conturbado com eleições, greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo, desemprego e economia instável com o preço de leite variando muito entre altas e baixas ao longo do ano.

A produção de leite é de grande complexidade econômica necessitando para se ter eficiência uma boa gestão técnica e econômica, provocando a necessidade da busca de conhecimento e assessoria técnica para a viabilidade da atividade.

Essa é a forte tendência para 2019, no campo a total gestão da propriedade não somente técnica, mas também financeira buscando entender um pouco do “depois da porteira” e suas consequências para possuir total controle da propriedade, ou seja, dominar também o “antes da porteira”.

A viabilidade da propriedade seja ela pequena, média ou grande é o seu resultado positivo, gerando satisfação e fixação do produtor vivendo com dignidade e rentabilidade.

Sendo assim o planejamento, estudo do mercado é fundamental para se traçar estratégias e produzir leite com qualidade e melhor custo beneficio para ser competitivo e eficiente.

Com isso não evitaremos, mas com certeza minimizaremos muitos erros, sejam de investimento ou decisões de impacto direto no caixa da fazenda no decorrer do ano.

O ano de 2019, ainda traz consigo as heranças do ano anterior. As incertezas da economia, o desemprego e a diminuição do consumo nas famílias acaba afetando diretamente o mercado de produtos lácteos. Porém o novo ano traz também expectativas de melhoras, devido as ações de estimulo da economia por parte do novo governo, promovendo a geração de emprego e o aquecimento da economia com retorno do consumo lácteos, assim diminuindo a volatilidade dos preços, proporcionando um cenário mais estável para produzir e mantendo o preço do leite em uma faixa na qual o produtor consiga produzir e ter rendimentos para manter os custos da produção.

Isso é o que todos esperamos e desejamos para o ano de 2019, um clima de otimismo para nossa atividade. Nos próximos meses veremos se isso se concretiza. Ótimo ano a todos e excelente lactação em todas as fazendas.

Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico/Médico Veterinário

BOAS FESTAS

Prezados leitores, clientes e amigos, durante o ano de 2018 publicamos textos no site da Inabor e no Milkpoint (https://www.milkpoint.com.br/busca/?q=Inabor) com o intuito de levar informações sobre nossa empresa e sobre os nossos produtos, da sua importância na pecuária leiteira e de como utilizá-los de forma correta para um bom desempenho.

Entretanto, nesse mês deixaremos a parte técnica de lado, para retornar em 2019 com mais informações sobre o processo de ordenha. Dezembro de 2018 já está dando seus últimos suspiros e com isso aproxima-se o encerramento do ano.

Um ano bastante atribulado com vários eventos que influenciaram e impactaram em muito o desempenho econômico do país e consequentemente o setor leiteiro brasileiro.

Deparamo-nos com desafios como a alta das commodities milho e soja, componentes essenciais na nutrição animal, impactando diretamente no custo de produção do litro do leite. Por outro lado, a situação econômica delicada do Brasil, principalmente no que tange a questão do emprego em recessão, comprometeu a renda familiar e consequentemente influenciou negativamente o consumo das famílias afetando os produtos lácteos diretamente.

Entretanto, não podemos deixar de lembrar dois eventos do ano de 2018 que impactaram em muito a situação econômica do Brasil. Um deles, foi a paralização dos caminhoneiros que parou o país e o levou à beira do caos, com desabastecimentos em diversos municípios e descarte de leite em todas as regiões, o que no mínimo vale a reflexão do nosso modelo de transporte.

Outro importante evento do ano de 2018 foram as eleições presidenciais, certamente a mais acirrada da nossa jovem democracia, que dividiu muito as atenções do povo brasileiro em busca da renovação para um novo ciclo presidencial.

Assim como os anos iniciam e encerram nas fazendas, também segue o ciclo iniciando e encerrando lactações, novos partos, novas prenhes e muito leite a ser produzido. Passado 2018 com seus ensinamentos, conquistas e alguns contratempos que venha 2019 renovando nossas esperanças para novos desafios e novas conquistas!

Feliz Natal e Prósperas Lactações em 2019!

Lissandro Stefanello Mioso – Consultor Técnico Comercial

natal 2017

Partes & Peças do sistema de ordenha, suas funções e importância.

Nos últimos artigos conversamos sobre teteiras, mangueiras, volume de vácuo e higiene dos sistemas de ordenha, entretanto, hoje vamos focar em pequenas partes do sistema que podem interferir no seu funcionamento e até mesmo afetar a qualidade do leite e a saúde animal.

Os sistemas de ordenha, independente do fabricante, geralmente são constituídos ou montados de forma muito parecida, porém cada marca possui os seus diferencias.

Vamos falar principalmente nos sistemas canalizados linha média, que após os baldes ao pé são os equipamentos mais utilizados no Brasil, geralmente visualizo em cada canto do Brasil equipamentos com (4) postos de ordenhas em sua maioria.

Pois bem, equipamentos canalizados com (4) postos possuem um tubo de leite em aço inox. Geralmente esses tubos possuem seis metros (06) de comprimento, e devemos possuir um espaço mínimo entre as entradas de cada posto para que não haja refluxo de leite quando estamos utilizando os quatro (04), ou seja, ordenhando (4) vacas simultaneamente. Esse espaço dependerá de cada fabricante do equipamento e também é influenciado pelo tipo de contenção utilizada, espinha de peixe 1200, espinha de peixe 0800, paralela ou fila indiana. Cada um vai demandar uma forma de instalação para um bom desempenho.

sistema de ordenha

Para entendermos a imagem acima;

Em azul possuímos somente vácuo, em vermelho vácuo + leite ou água e verde leite sem vácuo sendo empurrado pela bomba de leite.

Como o sistema de ordenha tem por princípio ordenhar o leite, a utilização do vácuo é relativa, devemos possuir uma boa vedação em todo nosso sistema e ter certeza que o regulador de vácuo faça a regulagem deixando entrar o ar atmosférico necessário para estabilizar o sistema de ordenha.

Abordaremos as vedações que geralmente são constituídas de borrachas e assim como as teteiras, sofrem desgaste pela ação do tempo tanto do leite, como dos detergentes utilizados para a higienização do sistema de ordenha.

curva

  • Essa é a curva do garrafão, peça responsável por fazer a ligação do tubo de leite ao receptor de leite. Ela veda a entrada do ar no receptor/garrafão de leite. Em alguns sistemas de ordenhas mais simples se faz necessário girar essa peça antes de iniciar o processo de lavagem para que agua possa atingir a parte superior do receptor/garrafão do leite, outros já providos de chuveirinho interno não necessitam esse procedimento. Por ter contato direto com leite é muito importante verificar a condição da mesma a cada (6) meses.
  • Tampão de fechamento do tubo/cano do leite podendo ter ou não entrada para água. Bom local para verificar a eficiência da lavagem, pois se houver muito resíduo de leite é sinal de pouca água chegando no fim da linha, a mesma deve ser verificada a cada (6) meses.
  • Curvas de ligação do receptor/garrafão do leite com a bomba do leite, também devem ser verificadas a cada seis (6) meses, quanto a sua integridade, para que não interfira na chegada do leite a bomba de leite.

 

flap

  • Válvula Flap, essa peça está montada no interior da bomba de leite é extremamente importante para o despacho do leite pela bomba, por exemplo, se a mesma não fechar após acionamento da bomba de leite a mesma não conseguirá enviar o leite novamente devido à entrada excessiva de ar na bomba de leite. Essa peça sofre grande desgaste devido seu funcionamento e contato direto com leite e água.
  • Aos equipamentos de extração manual possui as chamadas válvulas tip-top que estão no interior do coletor em contato direto com leite realizando duas funções fechamento e abertura do vácuo no coletor e vedar o mesmo para não entrar muito ar. Muitas vezes são esquecidas assim com os anéis de vedação do coletor que podem deixar se corrompido entrar ar em demasia ou até mesmo sujidade podendo interferir no volume de vácuo no coletor, podendo vir a causar problemas aos animais.

Há outras partes e peças que devemos ter cuidados, por exemplo, as duchas, sprays ou velas de lavagem, que deverão estar integras para vedar bem entorno das teteiras e possuir vazão necessária para uma boa lavagem.

Sabemos que o custo da manutenção por muitas vezes alegado como principal entrave, entretanto, creio que por falta de uma boa vedação ou oscilação de vácuo poderá lesionar um animal e se esse desenvolver uma enfermidade como, mastite/mamite terá de ser afastado da linha de ordenha das saudáveis, assim sendo, vai ter o leite descartado, gastos com medicamentos além de todo um manejo diferenciado com a mesma.

É com o intuito de evitar esses contratempos e até mesmo os prejuízos que reforçamos a importância da propriedade leiteira em possuir uma boa parceria com o técnico de ordenha, ter uma estratégia de manutenção preventiva do sistema de ordenha e assim não ter surpresas no momento da colheita e produção, transcorrendo com uma boa lactação.

Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico / Médico Veterinário – CRMV 8457

 

 

LEITE/CEPEA: preço cai R$ 0,07/litro em setembro; média é 36% superior comparada a 2017

Depois de sete meses em alta, o preço do leite ao produtor em setembro (referente ao leite entregue em agosto) registou queda de 7 centavos (ou de 4,6%), considerando-se a “Média Brasil” líquida do Cepea, que fechou a R$ 1,4748/litro. Ainda assim, a média de setembro ficou 36% superior à do mesmo mês do ano passado, em termos nominais.

recuo no preço ao produtor esteve atrelado ao consumo enfraquecido de lácteos, que, por sua vez, registravam valores elevados, devido justamente à forte valorização do leite no campo neste ano. Vale ressaltar que a lenta recuperação da economia e a instabilidade do cenário político têm fragilizado o consumo, tendo em vista que a demanda por lácteos só é estimulada quando o poder de compra do brasileiro aumenta. Diante da incapacidade de o consumidor absorver novas altas, houve a necessidade de realização de promoções em agosto e setembro, resultando em queda no preço ao produtor neste mês.

No acumulado da segunda quinzena de setembro (até o dia 26), o leite UHT negociado entre indústria e mercado atacadista do estado de São Paulo se desvalorizou 0,9%. Apesar das vendas fracas, colaboradores relatam que os estoques estão baixos. Além disso, os volumes negociados de leite spot seguem estáveis, indicando que a oferta ainda segue enxuta, sem excedentes consideráveis para “inundar” o mercado. Por esse motivo, inclusive, o leite spot negociado em Minas Gerais registrou alta de 2,2% da primeira para a segunda quinzena de setembro.

Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, a expectativa é de queda nas cotações ao produtor para os próximos meses, com pressão vinda tanto da demanda, que segue fragilizada, quanto da oferta, já que o retorno das chuvas favorece a produção. No entanto, alguns fatores podem limitar esse possível crescimento da oferta, como o aumento dos custos de produção, especialmente por conta da valorização da ração. Isso associado ao cenário de queda na receita podem reforçar o desestímulo de produtores frente aos riscos de produção e comercialização, impactando os investimentos na atividade. Vale ressaltar, ainda, que a possibilidade de ocorrência do El Niño – fenômeno climático que influencia na distribuição das chuvas – entre novembro e dezembro pode prejudicar as pastagens e a safra de grãos.

Diante desse cenário, a expectativa de que a produção em 2018 fique estável ou caia em relação a 2017 ganha força entre agentes do setor. Assim, uma competição entre indústrias para garantir matéria-prima pode diminuir a intensidade da queda dos preços no campo nos próximos meses.

Artigo retirado do Milkpoint.

As informações são do CEPEA-ESALQ.

Bem-estar-animal: sua importância para gerar bons resultados.

O bem-estar animal é um dos principais tópicos de interesse na produção animal moderna. Compreender as necessidades dos animais é fundamental para que os mesmos tenham uma boa qualidade de vida. Todos os anos cerca de 70 bilhões de animais em todo o mundo são criados para fornecer carne, leite, ovos e outros produtos para consumo humano.

Muitos deles ainda vivem em condições de sofrimento e estresse. Os animais são seres sencientes, ou seja, são capazes de sentir sensações e sentimentos como medo e felicidade. Isso significa que suas emoções têm importância para eles e também grande influência sobre os seres humanos, porque mudam a forma como estes tratam os animais – a compreensão de suas emoções aumenta a empatia em relação a eles.vaca

Não podemos dar as costas para o problema, assim como os seres humanos, os animais têm necessidades que vão além das fisiológicas. No inicio do século XX, a utilização de animais para produção aumentou em associação com a expansão das necessidades humanas e deu-se o inicio da era de sistemas de alta densidade de lotação.

Foram geradas necessidades atribuídas aos animais e essas necessidades formaram um conceito básico – assim como a pirâmide de Maslow faz pelos humanos. Segue:

  1. Estar livre de fome e sede com acesso a água e alimento adequados para manter sua saúde e vigor;
  2. Estar livre de desconforto ambiente, com condições de abrigo e descanso adequados;
  3. Estar livre de dor, doença e injuria pela prevenção, rápido diagnóstico e tratamento adequado;
  4. Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais, proporcionada por espaço suficiente, instalações e a companhia de animais da espécie;
  5. Estar livre de medo e de estresse, com condições e meios que evitem o sofrimento mental.

A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O Brasil é dono de um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com rebanho em torno de 200 milhões de cabeças. Na produção de leite o Brasil vem se consolidando com uma produção considerável, cerca de 30,1 bilhões de litros (IBGE -2017) e podendo vir a galgar melhores posições e condições no mercado externo.

Os bovinos são animais que gostam de rotina e que, ao que tudo indica, têm boa memória. São capazes de discriminar as pessoas envolvidas nas interações apresentando reações especificas a cada uma delas em função do tipo de experiencia vivida, caracterizando assim um aprendizado associativo, do tipo condicionamento operante.

Assim, a presença de pessoas conhecidas pelos animais durante o procedimento e com comportamento não aversivo contribui para diminuir os efeitos negativos no comportamento e produção de vacas leiteiras. Conclui-se que o manejo aversivo altera o comportamento das vacas na sala de ordenha prejudicando o bem-estar animal com redução na produção de leite.

Todos os itens acima, se não observados, têm reflexos imediatos na produção, na reprodução e na sanidade. O benefício financeiro alcançado com a adoção de práticas adequadas ao bem-estar dos animais é importante, mas o grande objetivo é o respeito aos animais.

Produtores de todos os tamanhos e sistemas são capazes de conseguir internalizar os hábitos que propiciam o bem-estar animal. A produção de leite sempre foi uma atividade respeitada, que gera renda e emprego a uma camada importantíssima da população. É de primordial importância adotar atitudes que melhorem continuamente a reputação do setor.

Os bovinos por serem adeptos a rotinas, demandam um planejamento da ordenha para que se obtenha sucesso na colheita do produto leite. É necessário que haja uma definição de horários específicos para alimentação e descanso, e também para ordenha. É sabido que as vacas leiteiras se sentem mais confortáveis quando a oferta de alimentos é realizada pela mesma pessoa e nos mesmos horários.

O ordenhador tem como principal função a realização da ordenha, envolvendo todos os procedimentos necessários para que ela seja bem conduzida. Entre as responsabilidades do ordenhador, destacam-se: cumprimento dos horários de ordenha, preparação das instalações, acompanhamento da saúde das vacas, realização da ordenha e acompanhamento da qualidade do leite.

ordenha

Entre as competências pessoais, o ordenhador deve demonstrar paciência, habilidade e sensibilidade no manejo das vacas. Deve também estar fisicamente bem preparado para o desenvolvimento de seu trabalho.

O ordenhador deve conhecer os procedimentos para a manutenção adequada das instalações e dos equipamentos, além de ter meios para garantir boas condições de saúde para si mesmo e para os animais.

Dentro das instalações, principalmente no tocante ao equipamento de ordenha, deve se manter os cuidados com os componentes de uso com vida útil pré-definida, respeitar as orientações para não ocasionar transtornos na operação ou até mesmo ferir os animais. São inúmeros componentes num equipamento, entretanto dois podem ser cuidados e verificados diariamente para não interferir no processo e qualidade do leite: teteiras e mangueiras, as quais já foram abordadas em textos anteriores sobre as consequências do seu uso prolongado.

Deve conhecer também o comportamento dos bovinos e as melhores formas de manejá-los. E, acima de tudo, deve ter consciência da importância de seu trabalho para o bom desempenho da ordenha.

 

Fontes:

“Conceitos e considerações sobre bem-estar animal na produção de bovinos” – Revisão bibliográfica – Silva, Aline Alves da; Borges, Luiz Felipe Kruel.

“Boas práticas de manejo de ordenha” – Marcelo Simão da Rosa et al – Jaboticabal (Funep 2009).

“Bem-estar animal uma questão de humanidade que gera bons resultados” – Savio Santigo – MilkPoint.

www.worldanimalprotection.org.br – publicação 18/08/2016.

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                                                                                                 Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário- Consultor Técnico