Bem-estar-animal: sua importância para gerar bons resultados.

O bem-estar animal é um dos principais tópicos de interesse na produção animal moderna. Compreender as necessidades dos animais é fundamental para que os mesmos tenham uma boa qualidade de vida. Todos os anos cerca de 70 bilhões de animais em todo o mundo são criados para fornecer carne, leite, ovos e outros produtos para consumo humano.

Muitos deles ainda vivem em condições de sofrimento e estresse. Os animais são seres sencientes, ou seja, são capazes de sentir sensações e sentimentos como medo e felicidade. Isso significa que suas emoções têm importância para eles e também grande influência sobre os seres humanos, porque mudam a forma como estes tratam os animais – a compreensão de suas emoções aumenta a empatia em relação a eles.vaca

Não podemos dar as costas para o problema, assim como os seres humanos, os animais têm necessidades que vão além das fisiológicas. No inicio do século XX, a utilização de animais para produção aumentou em associação com a expansão das necessidades humanas e deu-se o inicio da era de sistemas de alta densidade de lotação.

Foram geradas necessidades atribuídas aos animais e essas necessidades formaram um conceito básico – assim como a pirâmide de Maslow faz pelos humanos. Segue:

  1. Estar livre de fome e sede com acesso a água e alimento adequados para manter sua saúde e vigor;
  2. Estar livre de desconforto ambiente, com condições de abrigo e descanso adequados;
  3. Estar livre de dor, doença e injuria pela prevenção, rápido diagnóstico e tratamento adequado;
  4. Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais, proporcionada por espaço suficiente, instalações e a companhia de animais da espécie;
  5. Estar livre de medo e de estresse, com condições e meios que evitem o sofrimento mental.

A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O Brasil é dono de um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com rebanho em torno de 200 milhões de cabeças. Na produção de leite o Brasil vem se consolidando com uma produção considerável, cerca de 30,1 bilhões de litros (IBGE -2017) e podendo vir a galgar melhores posições e condições no mercado externo.

Os bovinos são animais que gostam de rotina e que, ao que tudo indica, têm boa memória. São capazes de discriminar as pessoas envolvidas nas interações apresentando reações especificas a cada uma delas em função do tipo de experiencia vivida, caracterizando assim um aprendizado associativo, do tipo condicionamento operante.

Assim, a presença de pessoas conhecidas pelos animais durante o procedimento e com comportamento não aversivo contribui para diminuir os efeitos negativos no comportamento e produção de vacas leiteiras. Conclui-se que o manejo aversivo altera o comportamento das vacas na sala de ordenha prejudicando o bem-estar animal com redução na produção de leite.

Todos os itens acima, se não observados, têm reflexos imediatos na produção, na reprodução e na sanidade. O benefício financeiro alcançado com a adoção de práticas adequadas ao bem-estar dos animais é importante, mas o grande objetivo é o respeito aos animais.

Produtores de todos os tamanhos e sistemas são capazes de conseguir internalizar os hábitos que propiciam o bem-estar animal. A produção de leite sempre foi uma atividade respeitada, que gera renda e emprego a uma camada importantíssima da população. É de primordial importância adotar atitudes que melhorem continuamente a reputação do setor.

Os bovinos por serem adeptos a rotinas, demandam um planejamento da ordenha para que se obtenha sucesso na colheita do produto leite. É necessário que haja uma definição de horários específicos para alimentação e descanso, e também para ordenha. É sabido que as vacas leiteiras se sentem mais confortáveis quando a oferta de alimentos é realizada pela mesma pessoa e nos mesmos horários.

O ordenhador tem como principal função a realização da ordenha, envolvendo todos os procedimentos necessários para que ela seja bem conduzida. Entre as responsabilidades do ordenhador, destacam-se: cumprimento dos horários de ordenha, preparação das instalações, acompanhamento da saúde das vacas, realização da ordenha e acompanhamento da qualidade do leite.

ordenha

Entre as competências pessoais, o ordenhador deve demonstrar paciência, habilidade e sensibilidade no manejo das vacas. Deve também estar fisicamente bem preparado para o desenvolvimento de seu trabalho.

O ordenhador deve conhecer os procedimentos para a manutenção adequada das instalações e dos equipamentos, além de ter meios para garantir boas condições de saúde para si mesmo e para os animais.

Dentro das instalações, principalmente no tocante ao equipamento de ordenha, deve se manter os cuidados com os componentes de uso com vida útil pré-definida, respeitar as orientações para não ocasionar transtornos na operação ou até mesmo ferir os animais. São inúmeros componentes num equipamento, entretanto dois podem ser cuidados e verificados diariamente para não interferir no processo e qualidade do leite: teteiras e mangueiras, as quais já foram abordadas em textos anteriores sobre as consequências do seu uso prolongado.

Deve conhecer também o comportamento dos bovinos e as melhores formas de manejá-los. E, acima de tudo, deve ter consciência da importância de seu trabalho para o bom desempenho da ordenha.

 

Fontes:

“Conceitos e considerações sobre bem-estar animal na produção de bovinos” – Revisão bibliográfica – Silva, Aline Alves da; Borges, Luiz Felipe Kruel.

“Boas práticas de manejo de ordenha” – Marcelo Simão da Rosa et al – Jaboticabal (Funep 2009).

“Bem-estar animal uma questão de humanidade que gera bons resultados” – Savio Santigo – MilkPoint.

www.worldanimalprotection.org.br – publicação 18/08/2016.

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                                                                                                 Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário- Consultor Técnico

 

Consuma leite é saudável e nutritivo!

O leite é uma bebida nutritiva de cor esbranquiçada e opaca produzida pelas glândulas mamárias das fêmeas dos mamíferos.

A composição química do leite é variada, devido à variação individual das espécies, raças, período de lactação, saúde animal, alimentação (tipo de pastagens), intervalo entre as ordenhas, estação do ano e clima. O leite é um alimento liquido contendo cerca de 86% de água. Está constituído por mistura de várias substâncias como lactose e minerais em solução, proteínas em forma coloidal (estando a caseína dispersa e a albumina e a globulina em solução), gorduras em forma de emulsão também dispersas no liquido, vitaminas e gases também em solução.

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A grande quantidade de lisina faz com que o leite seja utilizado como complemento de dietas baseados em cerais e outros nutrientes pobres neste aminoácido.

A quantidade de lactose pode variar entre 4,7 a 5,2% no leite de vaca. A utilização deste açúcar pela microflora intestinal resulta na produção de ácido láctico e na diminuição do ph, promovendo o desenvolvimento da lactofílica desejável, inibindo o desenvolvimento de bactérias putrefativas e patogênicas. A lactose também é importante porque melhora a absorção do cálcio no organismo.

A gordura do leite contribui para a melhor palatabilidade do produto, sendo responsável pelo grande número de ácidos graxos essenciais e pelo valor calórico do leite (1 grama de gordura fornece 9 calorias). Além disso, o valor nutricional da gordura é devido às vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e à presença do caroteno que é precursor da vitamina A.

O leite contém todos os minerais biologicamente importantes, incluindo microelementos, sendo considerado uma ótima fonte de cálcio e fósforo. O leite de vaca possui uma concentração bem mais elevada de minerais que o leite humano, razão pela qual nas fórmulas infantis deve-se ter o cuidado de diminuir a concentração deles na dieta, afim de evitar sobrecarregar o funcionamento renal, já nas demais faixas etárias, a maior concentração de minerais é vantajosa.

leite

O valor nutritivo do leite e seus derivados lácteos para a alimentação humana, se deve não somente por ser provedores de certos nutrientes essenciais, mas também a forma e distribuição equilibradas e de fácil metabolização com que esses elementos composicionais estão dispostos no produto.

Realmente, somos os únicos seres que consumimos leite na fase adulta, mas existem motivos para isso que vão além da discussão sobre saúde;

  1. Desenvolvemos técnicas para domesticação do gado e, assim, conseguimos incorporar o leite animal em nossa dieta.
  2. Não destinamos o leite à alimentação de outros animais adultos porque ele é considerado muito nobre e seu custo é alto demais para usá-lo como ingrediente de ração, embora alguns produtores de suínos utilizem soro de leite para alimentação dos animais.

Segundo a Dra. Patricia Blumer  Zacarchenco, pesquisadora Tecnolat – ITAL ( Centro de Tecnologia de Alimentos – Instituto de Tecnologia de Alimentos), que há mais de 10 anos estuda  o alimento. “Quando o filhote se torna adulto, o desmame feito pelas fêmeas das diversas espécies ocorre não porque o leite deixa de ser adequado para a cria, mas sim para que o filhote passe ingerir outros alimentos. Também serve para poupar energia da fêmea para um novo processo de gestação”.

A mesma lógica pode ser aplicada às pessoas. O leite, mesmo de origem animal, não deixa de ser nutritivo quando nos tornamos adultos, apenas incorporamos outros alimentos em nossa dieta, tanto por terem outros nutrientes que não estão presentes no leite quanto por aumentarem nossa capacidade gustativa. Por mais que exista uma vertente contrária ao seu consumo, o leite traz benefícios à saúde, sim. Ele ajuda na prevenção da síndrome metabólica, na redução da pressão arterial, na prevenção do diabetes tipo 2 e, claro, da osteoporose, pois quando o assunto é ingestão de cálcio, a bebida ainda é uma das fontes mais importantes do nutriente.

Claro que existem outros meios de ingerir o mineral. As verduras verde-escuras (brócolis, espinafre e couve), assim como castanhas-do-pará, amêndoas e tofu são excelentes fontes de cálcio como podemos verificar na tabela abaixo, muitas dessas, inclusive, tem teor mais elevado do mineral que o próprio leite.

Produto Cálcio
Brócolis – 100 gramas 513 mg
Leite – 100 ml 107 mg

Por que, então, insistir no consumo de leite? Segundo a Dra. Patricia Blumer  Zacarchenco “ Alguns alimentos, principalmente os ricos em fibras, contêm fitatos (presentes nos farelos dos cereais), oxalatos (presentes no espinafre e nas nozes) e taninos (presentes nos chás). Esses componentes diminuem a biodisponibilidade (a velocidade e extensão de absorção de um principio ativo) do cálcio, o que pode comprometer a quantidade de mineral efetivamente aproveitada pelo organismo. Já o leite conta com a presença de caseinofosfopeptideos, lactose e proteínas que facilitam a absorção do cálcio”.

QUEIJOS

Portanto além de ser um alimento saudável e nutritivo, sua cadeia produtiva envolve milhares de pessoas entre empresas, profissionais, produtores e consumidores tendo um papel fundamental e imprescindível na evolução da sociedade. Leite traz saúde, mas também renda e trabalho a vários segmentos de nossa sociedade e por isso sua grande importância social e econômica.

Hoje com a tecnologia dos alimentos as industrias conseguem disponibilizar o leite a todas as pessoas, por que conseguimos hoje processar leite especiais a pessoas com alguma intolerância aos seus princípios como por exemplo: Leite sem lactose e leite desnatado assim por diante, isso se detendo no leite fluido, mas sabemos da enormidade de derivados produzido com leite: queijos, manteigas, natas, sorvetes e etc.

Sendo assim, o leite é um alimento saudável e nutritivo podendo ser consumido de várias maneiras e possuindo uma gama grande de variação para atender as diversidades do mundo de hoje, Beba Leite é saudável e nutritivo.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

 

Referencias:

Portal da educação (www.portaldaeducção.org.br)

Portal Dráuzio Varela (www.drauziovarela.uol.com.br)

Portal beba mais leite (www.babamaisleite.com.br)

Mangueiras – O Inverno Chegou e Agora?

Nesse período do ano, mais precisamente nos três estados do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o inverno se instala com dias iniciando com temperaturas próxima a 0ºC, com ventos característicos conhecidos por minuano na região sul, além das chuvas que contribuem para a sensação térmica de frio.

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Esse clima interfere no sistema de ordenha, não na parte metálica mecânica do sistema, mas nas partes não constituídas de aço, onde algumas providencias são interessantes para que não tenhamos inconvenientes na hora de ordenhar.

Em textos anteriores falamos bastante sobre as teteiras e desta vez abordaremos as mangueiras, já que as mesmas sofrem com o inverno. As mangueiras se dividem em: próprias para passagem de vácuo, sem passagem do leite e próprias para passagem de leite tanto no conjunto de ordenha como na transferência do leite do sistema de ordenha para o tanque de resfriamento.

Podemos encontrar variadas matérias primas para fabricação das mangueiras para sistema de ordenha entre elas: borracha, silicone e PVC. O mais comumente encontrado e trabalhado nos sistemas de ordenhas são mangueiras produzidas a partir do PVC devido principalmente ao custo de aquisição frente as demais matérias primas.

As mangueiras de PVC, são usadas para diversas finalidades e a mangueira cristal transparente é um importante coadjuvante e é apresentada em diversos diâmetros e comercializada em lance de 25 ou 50 metros.

Seu campo de aplicação pode ser utilizado desde a construção civil até a indústria de alimentos para transferir líquidos como vinhos, leite e outros. Por ser transparente é muito empregada em situações onde se deve monitorar o processo de transporte.

A mesma possui uma validade de aproximadamente até 60 meses a partir da data de fabricação, isso se dá quando possuímos condições de armazenagem excelentes protegendo o produto da luz solar, umidade e em um ambiente com temperatura estável moderada.

Na sua aplicação a durabilidade está muito relacionada ao seu uso. Nas condições de fosso de ordenha por exemplo, as mesmas sofrem atrito ao serem arrastadas, são expostas às intempéries do tempo, sofrem ações químicas dos produtos de limpeza, choques de temperatura tanto durante ordenha como na lavagem. Na condição de tempo de repouso por vezes ficam torcidas ou dobradas.

Entre temperaturas ambientes de 5ºC a 35ºC as mesmas resistem bem, entretanto quando saímos destas temperaturas ou aproximamos as suas extremidades, podemos alterar sua maleabilidade e rigidez da mangueira podendo causar transtorno ou dificuldade no ato de ordenhar.

Nos estados do Sul, principalmente durante o inverno, o choque da temperatura do leite, a lavagem e os produtos utilizados na mesma atacam a composição do PVC, assim alterando suas características, tornando a mangueira mais rígida, comumente chamada no sul de “mangueira dura”. Isso ocorre principalmente nas mangueiras de uso já avançado, o que gera inconveniência na hora da ordenha e até mesmo alguma dificuldade.

Mangueiras de Vácuo – devido ao ressecamento podem começar a escapar das conexões e não deixam os conjuntos alinhados. Podem apresentar trincas e vazamentos.

Mangueiras de leite – podem apresentar enrijecimento das paredes, dificuldades de alinhamento dos conjuntos, podem escapar de conexão do coletor.

Portanto as trocas das mangueiras de PVC são recomendadas a cada 6 meses de utilização, após isso, além do inconveniente citado acima que é catalisado pelo frio, podem apresentar trincas e formação de biofilme interno que poderá causar transtorno na qualidade do leite.

Nos três estados do Sul uma estratégia para planejar as compras das mangueiras é o período que antevê a estação de principal desafio, o inverno. Assim trocas deveriam ter alguma sincronização com o clima e ser realizada a substituição das mangueiras na entrada do inverno. Essa prática pode evitar transtornos e facilitar o ato de ordenhar nesses dias frios e por muitas vezes ainda escuros na porção sul do Brasil seja pela manhã ou à tarde.

MANGUEIRAS ULTRA PVC DIAMETRO PAREDE
Mangueira do leite 14 mm 5 mm
Mangueira do leite 14 mm 5,5 mm
Mangueira do leite 15,5 mm 5 mm
Mangueira do leite 15,5 mm 5,5 mm
Mangueira do leite 19 mm 5,5 mm
Mangueira Dupla do Vácuo 7 mm 3,5 mm
Mangueira Principal do Vácuo 11 mm 5 mm

 

Hoje as mangueiras Ultra Inabor estão disponíveis em três diâmetros 14, 15,5 e 19 mm e variando a espessura de parede entre 5 e 5,5 mm. As mangueiras com parede 5,5 mm conferem uma maior longevidade quanto a brunir a mesma a uma superfície e perdura por mais temo sua maleabilidade.

 

MANGUEIRAS ULTRA DE TRANSFERÊNCIA – INABOR DIAMETRO PAREDE
Mangueira de Transferência 1 polegada 5,5 mm
Mangueira de Transferência 1.1/4 polegada 5,5 mm

 

As mangueiras conforme dito no inicio do texto podem ser fabricadas com outros materiais que conferem outras características. Como por exemplo as mangueiras confeccionadas em silicone;

MANGUEIRAS SILICONE

  • Resistem a rachaduras e proliferação de bactérias que pode impactar na qualidade do leite
  • Mais resistentes a deterioração provocada pelos componentes do leite e produtos químicos de limpeza
  • Maior resistência a produtos clorados e temperaturas da água
  • Flexibilidade e elasticidade permanente
  • Resistentes a ozônio e raios UFV
  • Maior durabilidade

As mesmas suportam até 12 meses de utilização em sistemas de ordenhas, desde que todos os procedimentos de lavagem sejam feitos corretamente. Seu grande empecilho de utilização está relacionado ao seu custo, que é elevado se comparado ao de PVC.

mangueira cristal

Mangueira Ultra Dupla Camada” nova tecnologia para valorizar ainda mais sua produção de leite.

Mangueira de dupla camada oferece benefícios de melhor performance higiênica durante o processo de lavagem devido a sua camada interna resistir e ser impermeável a detergentes e gordura do leite.

Sua coloração escura oferece uma proteção maior ao leite durante sua passagem protegendo da incidência solar e não ocorre reações na mangueira causando manchas de cores suspeitas. Ideal para utilização em sistemas com medidores eletrônicos por infravermelho pois sua opacidade não permite entrada de raios solares na câmara de medição provendo maior eficácia na medição.

Por ser dupla camada auxilia e facilita o alinhamento dos conjuntos de ordenha na vaca provendo melhor performance.

Vantagens:

Matéria Prima Importada – Camada interna não permeável a gordura – Camada externa promove maior proteção inclusive contra incidência solar – Maior resistência & flexibilidade -Ideal para sistemas com medidores eletrônicos por infravermelho, 100% atóxica.

mangueira dupla camada

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

TIPOS DE TETEIRAS!

Entramos no mês de maio e para esse mês resolvemos falar um pouco dos variados modelos de teteiras que existem, suas características, funcionamento e indicações. As vezes olhamos os inúmeros modelos e desenhos, sem saber efetivamente o que cada um entrega de vantagem na ordenha e em nossos animais.

TETEIRAS

Além disso, trataremos um pouco sobre o material de fabricação da teteira como, o silicone, a borracha e suas peculiaridades.

Para que possamos ter um bom entendimento sobre as teteiras primeiramente devemos observar os tetos ou conjunto mamário do animal a serem ordenhados. Se tratando de um ser vivo, é difícil haver uma padronização de 100% no tipo de tetos podendo haver uma variedade de conformação, entretanto, com avanço do melhoramento genético podemos constituir um rebanho com características muito próximas que auxiliarão na performance da ordenha.

Há estudos no Brasil que identificaram os tipos de tetos e posição de úberes de animais em ordenha no Brasil vejamos abaixo um dos estudos (Rubim 2011);TETOS

Podemos ver no estudo (Rubim 2011) 6 tipos diferentes de anatomia no teto dos animais (vacas), para cada anatomia teria uma indicação de teteira o que operacionalmente se tornaria inviável a operação de ordenha.

Seguindo o mesmo estudo (Rubim 2011) nos demonstra a distribuição de inserção do úbere, que foram classificados em oito tipos diferentes;

UBERES

  1. Típico para ordenha
  2. Úbere abdominal
  3. Abdominocoxal
  4. Úbere coxal
  5. Úbere esférico
  6. Úbere escada
  7. Úbere triangular
  8. Úbere juvenil

Sendo assim, as teteiras e coletores de leite devem possuir um desempenho bom nesse terreno com diferentes desafios, sempre buscando maximizar o uso de um design para melhor aproveitamento em todo rebanho.

  • Teteiras com cabeça redonda: são indicadas para tetos grossos e grandes e com paredes do úbere irregular.
  • Teteiras com cabeça semi-arredondadas: com indicação mais intermediaria entre tetos grandes e médios.
  • Teteiras com cabeça plana: é o desenho mais utilizado por se adaptar em quase todos os tipos de tetos e úberes.
  • Teteiras com cabeça rasa: indicada para tetos pequenos.

Quando analisamos o produto teteira como um todo a parte descrita anteriormente também chamada de “cabeça da teteira” é uma das partes de contato direto com a pele do animal e é responsável pela estabilidade da teteira no teto, por isso essa variedade de desenhos. Quando olharmos o formato do corpo da teteira existem hoje sendo utilizados o modelo clássico redondo e os novos modelos triangular e quadrado.

Quanto ao funcionamento, todos tem o mesmo intuito de espremer e descansar a porção final do teto para que possamos extrair o leite do úbere. Entretanto, podem possuir diferenças de configurações, ou seja, utilizar dispositivo (capa ou copo metálico) próprio, por exemplo.

  • As teteiras de formato redondo trabalham, espremendo o teto por completo. Dispositivo redondo.
  •  As teteiras de formato triangular trabalham, tendo três partes espremendo o teto, e necessitam de dispositivo exclusivo para sua fixação caso contrário poderá ficar torcida durante a ordenha.
  • As teteiras de formato quadrado trabalham, se assemelhando em muito com o funcionamento das teteiras redonda espremendo o teto como um todo.

Para obtermos uma performance satisfatória após a escolha do tipo de teteira o conjunto inteiro de ordenha deve ser bem configurado, com coletor de boa vazão, mangueiras no comprimento correto e sistema de pulsação aferido, além de todo restante do sistema de ordenha estar regulado, por isso, a importância do trabalho sincronizado e harmônico entre o técnico do equipamento de ordenha e o técnico da fazenda.  Além disso é muito importante a implantação das rotinas de ordenha para poder avaliar o desempenho das sessões de ordenha.

Outra parte de extrema importância e por muitas vezes razões de corte na parte de encaixe da teteira é o entendimento da forma de encaixar a teteira no niple do coletor. As teteiras possuem um reforço próximo ao encaixe e a mesma pode ter variadas formas, entretanto com o mesmo intuito de reforço para evitar corte ou rasgo quando comprimida contra a parede do niple.

Quanto ao encaixe do coletor podem ser conforme as figuras abaixo, na esquerda o coletor sem niple de encaixe, que requer a teteira especifica e ao lado coletor com niple para encaixe.

COLETORNo caso dos coletores com niples de encaixe possuímos ainda a variação de serem retos, oblíquos com dobra e obliquo sem dobra. Esse ponto é considerado crítico pois os niples dependendo do que ocorrer podem avariar a teteira. Outro ponto extremamente importante é saber o diâmetro externo dos niples para saber o diâmetro correto de encaixe da teteira, que sempre informa o diâmetro interno. Por exemplo uma teteira encaixe 8 milímetros será indicada ao coletor com niple externo de 11 milimetros no máximo e assim por diante. O diâmetro do niple dos coletores sempre deve ser maior que o diâmetro de encaixe das teteiras, entretanto não mais que 3 milímetros senão estaremos forçando e vindo com tempo a rasgar o encaixe da teteira.

Quanto aos dispositivos devemos ter atenção ao anel de fixação de teteira no dispositivo (capa ou copo metálico) também seguindo a regra do anel da teteira ser maior que orifício do dispositivo, assim como o comprimento do dispositivo e teteira. A teteira poderá estirar entre 5 a 16 % de seu comprimento para seu bom funcionamento no dispositivo.

Já quanto aos materiais podemos produzir as teteiras em borracha que é a matéria prima mais utilizada no mundo, entretanto essa mesma possui um período de funcionamento indicado onde manterá sua performance. Trabalhar acima da vida útil da teteira poderá acarretar uma série de transtornos como queda de rendimento. Sua performance fica assegurada até 2500 ordenhas, 6 meses ou 833 horas. Sempre sugerimos utilizar números de ordenhas que pode ser calculado através da fórmula (2500/(AxB/C) onde A = número de vacas por dia, B = numero de ordenha por dia e C = número de unidades de ordenha e os 2500 o total da duração, ou verificar a tabela que acompanha as teteiras na embalagem da Inabor ou ainda utilizar a calculadora de troca que está disponível no nosso site para realizar a programação de troca de teteiras.Tabela Teteiras BorrachaQuando optamos pelo silicone que é um material mais nobre, temos uma resistência térmica maior que a borracha, resistência aos produtos químicos como clorados e a vida útil da teteira  é mais prolongada. Também utilizando a mesma lógica do cálculo de borracha, entretanto, com vida útil de 5000 ordenhas, 12 meses ou 1666 horas de ordenha. Porém, vale frisar que a resistência mecânica do silicone, impacto, é menor que a borracha e por isso que quando optarmos por silicone devemos possuir uma rotina de ordenha bem implementada para que não ocorra contratempos como corte na teteira por queda ou retirada brusca do conjunto de ordenha. Vale lembrar que o custo dos jogos de silicone é superior aos de borrachas.

Contudo retorno a frisar a importância da implementação de um bom programa de rotina de ordenha como forma de acompanhamento de desempenho da ordenha além de manter um bom entrosamento com o técnico ou empresa que presta assistência no equipamento de ordenha e possuir acompanhamento veterinário para certificar que as operações estão dentro do planejado pela granja leiteira.

        Excelente Lactação a todas fazendas.

  Lissandro Stefanello Mioso

Med. Veterinário / Consultor Técnico

 

11° Expoclara – Parque da Fenachamp

A Inabor esteve presente na 11° da Expoclara, realizada pela Cooperativa Santa Clara, parceira e cliente da Inabor na Serra Gaúcha.

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A 11ª Exposição de Gado Leiteiro, Máquinas e Produtos, a Expoclara, fechou suas porteiras no final da tarde deste domingo, com as expectativas iniciais superadas. Durante quatro dias de evento mais de 35 mil visitantes conferiram o melhor do rebanho leiteiro dos associados no Parque da Fenachamp, em Garibaldi.

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A 11ª Expoclara reuniu mais de 220 animais e mais de 100 expositores. Ainda durante a exposição houve diversas atrações, shows como Thomas Machado, vencedor do The Voice Kids 2017, João Luiz Corrêa e Grupo Campeirismo e Guri de Uruguaiana, entre outros.

A Inabor esteve presente, prestigiando a Cooperativa Santa Clara e tirando dúvidas dos seus associados e produtores, quanto a melhor utilização dos seus produtos e importância de respeitar o tempo de troca indicado para as peças de reposição das máquinas ordenhadeiras.

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