Dicas para Manter a Performance da Ordenhadeira

Todo sistema de ordenha deverá estar equipado com um bom sistema de lavagem onde empregamos um processo de lavagem com água quente e uso de detergente alcalino para manter um bom desempenho na teteira. Processos de lavagens fracos ou mau dimensionados geram uma lavagem deficiente, resultando em um desgaste rápido da superfície da teteira e crescimento bacteriano acelerado.

É recomendável desacoplar as teteiras do sistema de lavagem após o processo ter terminado. Deixar as teteiras acopladas ao sistema de lavagem, seja do tipo ducha ou jetters, não permite que o sistema seja drenado por completo e pode acelerar o crescimento bacteriano. Teteiras deixadas acopladas em sistemas de lavagem equipados com jetters aceleram a deformação dos lábios do orifício de encaixe da teteira ao teto do animal e com isso aumenta o risco de quedas de teteiras e reduz a vida útil da mesma.

Outro fator interessante é de não tensionar as teteiras 2 anéis na metade da vida útil e sim seguir o plano de troca recomendável, teteiras tensionadas mantém por pouco tempo efetividade e são vilãs no quesito de qualidade de ponta de teto.

Capa versus Teteira: (Tensão da teteira)

Fórmula: (a-b/b)x100    – Valor objetivo entre 5 a 16%

a = comprimento da capa

b = comprimento do massageador (barrel)

Imagem 1 – sistema de lavagem jetters

Imagem 2 – sistemas de lavagem fechado (ducha + jetters)

Imagem 3 – sistemas de lavagem duchas

 

Tabelas sugestões de ações na Ordenhadeira

 

 
Fatores que contribuem Ações
Teteira não compativel com os tetos do rebanho Selecionar um modelo de teteira que sejam compatíveis com tamanho dos tetos do rebanho.
Nivel de Vácuo Manter o nível de vácuo dentro dos níveis sugeridos pelo fabricante ou técnico especializado.
Bomba de VÁCUO, linha de leite etc Certifique-se que os componentes de seu equipamento estejam corretamente dimensionados, manter as linhas de leite mais baixa possível < 1,8 metros e projetar que as mangueiras de leite não fiquem muito compridas.
Regulador de vácuo ou variador de velocidade Regulador ou variador não responsivo ou mau regulado resultará em flutuações de vácuos severas. Mantenha os mesmos limpos e operantes.
falta de alinhamento dos conjuntos de ordenhas O alinhamento dos conjuntos é importante para que o mesmo possua boa vedação entre os tetos e a teteira, tentar manter as mangueiras de leite e dupla da pulsação curtas, entretanto não tão curtas que possa puxar os conjuntos desalinhando quando acoplados no animal.
Tetos de novilhas ou finos Geralmente essa categoria deixa muito ar vazar não promovendo boa vedação entre tetos e teteira.
Teteiras torcidas Verificar se as teteiras estão alinhadas dentro do copo, geralmente as teteiras possuem flechas indicadoras caso estejam torcidas ajustem as mesmas antes da ordenha ou até mesmo da lavagem.
Peso do Coletor de leite Verifique se o mesmo não é muito leve ou muito pesado para seu rebanho.

 

Inspeção Visual:

Realizar mensalmente a inspeção visual por rachaduras, fissuras, desgastes nos componentes como teteiras e mangueiras.

· A utilização de mangueiras translucidas na curta do vácuo que ligam a capa ao coletor auxiliam na detecção de teteiras partidas pela presença do leite na mangueira.

· Teteiras não devem ter nenhuma rachadura ou fissura no tubo curto do leite que liga ao coletor e nem apresentar inchaço ou dilatação dos lábios e câmara do bocal da teteira, o interior deve estar com a superfície lisa e suave.

· Verifique sempre se as teteiras estão alinhadas nos copos.

· Além do interior estar liso não deverá soltar resíduos pretos.

Verificação de Performance:

A ocorrência recorrente de qualquer um dos itens a seguir pode indicar um problema com as teteiras ou a máquina de ordenha:

· Quedas da teteira ou dos conjuntos de ordenha (Não deve ser maior que 5 por 100 vacas)

· Condição ruins dos tetos, não deverá apresentar anéis na base do teto, manter a coloração mesmo após ordenha e os tetos não devem se apresentar inchados.

· Animais inquietos durante a ordenha

· Ordenha incompleta da vaca

· Sessão de ordenha muito longa

Para tanto essas dicas são apenas para auxiliar o operador ou proprietário sobre o que pode está acontecendo com a ordenhadeira, o mais certo e seguro a fazer é possuir um bom plano de assistência com as empresas especializadas.

A instalação do equipamento de acordo com os padrões de funcionamento e instalações, é de fundamental importância, sendo essencial que o mesmo seja submetido a revisões e manutenções periódicas. A exigência da manutenção vai girar em torno de 3 fatores: números de horas de funcionamento, do fabricante e das condições ambientais.

Portanto, podemos ter como regra que o equipamento de ordenha requer revisão a cada 750 horas, e uma manutenção a cada 1.500 horas de funcionamento.

Revisão 750 horas.

Se a sessão de ordenha dura 3 horas e geralmente temos 2 sessões por dia, podemos chegar a 125 dias ou 4 meses.

Manutenção 1.500 horas.

Se a sessão de ordenha dura 3 horas e geralmente temos 2 sessões de ordenha por dia, podemos chegar a 250 dias ou 8 meses.

Atenção quanto ao tempo de duração da ordenha, incluindo o processo de lavagem que tem grande influência no desgaste de partes e peças, havendo mais de 2 sessões, essas deverão ser computadas.

Reforçamos sempre a parceria com a manutenção do sistema de ordenha, pois muitas vezes existe genética, nutrição e sanitário excelentes com estruturas fantásticas e o sistema de ordenha é tratado com um implemento qualquer. Na pecuária de leite, o sistema de ordenha, é a nossa colheitadeira, que colhe todos os dias, mais de uma vez por dia, e por isso seu funcionamento deve estar impecável para uma excelente performance.

 

Boa Lactação !!!!!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Interação Sistema de Ordenha com o Complexo Mamário e Consequências

Nesse texto vamos abordar os efeitos da ordenha no complexo mamário e o que pode ocorrer ao animal com uma rotina de ordenha inconsistente e um equipamento de ordenha não adequado.

Sabemos que o ato de ordenhar um animal seja ele manual, mecânico ou até mesmo a mamada de um bezerro /terneiro pode comprometer o estado de integridade da pele nas pontas dos tetos, fenômeno que ocorre também em vacas de corte tendo maior importância econômica nas vacas de leite por sua rotina diária.

Na pecuária de leite uma das atividades recorrentes é ordenha dos animais com ordenhadeiras mecânicas, onde há o acoplamento do equipamento ao animal através dos conjuntos de ordenha, e nesse conjunto se encontra uma das peças em contato com o teto (teteira) que transfere toda pressão de trabalho do equipamento de ordenha ao teto para a retirada do leite.

Portanto essa ação do equipamento no teto deverá ser monitorada e regulada por técnicos profissionais em sistemas de ordenhas, para se minimizar os efeitos sobre o complexo mamário e promover melhor saúde do úbere ao nosso plantel.

Uma das consequências em não observar a aplicação de uma rotina consistente de ordenha e manutenção do equipamento de acordo com sua funcionalidade, são lesões nos tetos, ao qual nos levam ao comprometimento da qualidade do leite e bem-estar dos animais.

O nosso desafio diário é de manter a saúde do úbere e se manter alerta a qualidade das pontas de teto, não havendo esse cuidado os riscos de problemas relacionados ao teto aumentam muito, principalmente casos de Hiperqueratose.

Mas o que é Hiperqueratose?

A ponta do teto é a primeira defesa do úbere contra a invasão de microrganismos causadores de mastite, estar atento às boas condições dos tetos é essencial para evitar que o problema da mastite se agrave na propriedade. Por ser a barreira primaria fica claro que quando ocorrem alterações na pele dos tetos existe o risco do aumento de novas infecções.

Sendo assim a hiperqueratose da ponta dos tetos das vacas, nada mais é que o aumento exacerbado da pele que recobre a região do canal do teto e orifício externo. Exames histológicos de pele desta região revelam que a hiperqueratose é resultado de uma hiperplasia (nº de células aumentada) do extrato córneo das camadas da pele.  A hiperqueratose é chamada muitas vezes no campo de: calos, calosidade, cornificação, entretanto, chamar a mesma de inversão ou prolapso não é correto.

A ocorrência de hiperqueratose dos tetos é mais comum em rebanhos de altas produções, por possuir um desafio de ordenha maior devido ao tempo individual de ordenha por vaca. O início e a gravidade dessa condição nos tetos são afetados pelo clima, ambiente, manejo, equipamento de ordenha e genética.

Vacas que apresentarem tetos irregulares, mal posicionado ou tamanho inadequado para ordenha mecânica, são mais suscetíveis ao surgimento de casos de hiperqueratose, independente de máquina de ordenha ou manejo. Sendo que a hiperqueratose não é um evento instantâneo e sim a longo prazo entre duas (02) a oito (08) semanas.

Quanto a alterações provocadas pelo equipamento de ordenha:

As alterações relacionadas ao equipamento de ordenha, deverá se associar toda rotina na sala de ordenha e possuir uma visão holística devido a que a interação das ações possa ser a razão do problema.

O texto “Rotina de Ordenha: A Chave Da Qualidade Do Leite” que está no site da MilkPoint traz sugestões de como proceder para possuir uma rotina consistente. O texto ”Volume de Vácuo no Coletor de Leite em Sistemas de Ordenhas e o Efeito na Vaca” que também está no site nos traz informações sobre o que ocorre durante a ordenha. Se encontrará também informações sobre os tipos de teteiras, forma e tempo de uso das mesmas no texto “Tipos de Teteiras”.

Nesse quesito é importante o auxilio de um bom técnico de ordenha para ajuste do equipamento de ordenha caso necessário, de forma sucinta relaciono as situações que devem ser monitoradas para solução do problema ou minimização do problema.

Sendo apontada como uma das causas principais do aparecimento de situações de alteração dos tetos, o equipamento de ordenha deve ser monitorado diariamente pelos ordenhadores e revisado continuamente dentro de prazos prescritos pelos fabricantes, por técnico habilitados para serviço de regulagem e manutenção do equipamento de ordenha.

Um dos grandes vilões apontados para essa situação precária de saúde de ponta dos tetos é o nível alto de vácuo nos sistemas de ordenha. De forma simplista poderá ser a chave, entretanto devemos investigar e averiguar o sistema e o manejo para que possamos chegar as conclusões e aplicar as mudanças necessárias para enfrentar o problema.

Hoje possuímos níveis de vácuo orientativos para os sistemas de ordenha. Por exemplo em um sistema de linha média, o nível de vácuo é entre 47 a 50 Kpa. Numa linha baixa o nível de vácuo poderá ser entre 40 a 42 Kpa. Esses valores como regra geral servem para todos equipamentos de ordenha, mas dependendo do nível de produção, rotinas de ordenha, morfologia do úbere e tipos de teteiras poderá demandar uma necessidade de ajuste dos níveis orientativos de vácuo para conseguir uma melhor performance de ordenha e saúde do úbere.

O nível de vácuo do sistema de ordenha não determina a velocidade de ordenha, para que tenhamos um fluxo de leite satisfatório devemos possuir equilíbrio entre o nível de vácuo do coletor de leite com o tipo de teteira que utilizamos. Entretanto para verificar o bom funcionamento devemos averiguar o sistema de ordenha num todo, a começar pela bomba de vácuo terminando na ponta do teto do animal.

Podemos ter vácuo alto por falta de atuação do “regulador de vácuo” ou por ajuste errôneo do equipamento de ordenha.

Entretanto causas mais comuns de nível alto estão no início e fim da ordenha;

Início da Ordenha: é sabido que a vaca deverá estar preparada e estimulada para que possa liberar ocitocina (hormônio ejeção do leite) e assim dar inicio a ordenha propriamente dita, entretanto, um fenômeno recorrente em muitas fazendas é o que chamamos de Bi modalidade ou sobre ordenha do início do leite.

O acoplamento dos conjuntos de ordenha (Teteiras) a vaca se dá antes de um tempo mínimo para ação fisiológica da vaca em descer o leite, fazendo com que tenhamos vácuo em excesso e pouco fluxo de leite forçando o canal do teto. A bi modalidade pode ser evitada ou minimizada com boa preparação do animal para ordenha.

Fim da Ordenha: se dá de maneira inversa, ou seja, o fluxo de leite cessa ou diminui, mas o conjunto de ordenha não é removido do animal assim permanecendo o vácuo atuando sobre o tecido mamário forçando o canal do teto.

Esses são dois casos de operação, manejo dos animais na sala de ordenha. A sobre ordenha ao final pode ser minimizada com a utilização dos ACR (extratores automáticos de teteiras) desde que os mesmos estejam devidamente regulados para operarem.

Em relação aos componentes, os Pulsadores são responsáveis por realizar o movimento cíclico da parede da teteira definindo as etapas de ordenha (fluxo de leite) e massagem (sem fluxo de leite) e manter a circulação sanguínea ao redor do teto.

Fase de Ordenha (fase do leite): nessa fase as paredes internas da teteira estão bem separadas, abertas, sendo o momento real da ordenha com fluxo de leite no interior da teteira até o coletor de leite.

Fase de Massagem (sem leite): nessa fase se caracteriza pelo contato das paredes das teteiras com o teto, ou seja, fechadas, essa fase tem por finalidade promover a circulação sanguínea e linfática do teto durante a ordenha, para minimizar os efeitos do vácuo necessário para realizar a ordenha.

Os pulsadores podem e devem ser avaliados continuamente com utilização de aparelhos específicos para sua verificação, são os chamados de Pulsógrafos. Com esse equipamento conseguimos realizar as medições, variações de vácuo na câmara de vácuo da capa metálica, ou seja, o espaço deixado entre a teteira e a capa metálica quando montada, os níveis máximo, mínimo e médio na câmara, essa variação cíclica do vácuo está dividia em quatro (04) fases para melhor compreensão.

Fases são divididas em A, B, C e D sendo que as fases A e B corresponde a ordenha, com fluxo de leite, enquanto que as fases C e D correspondem a fase da massagem no fechamento da teteira.

Teteiras: deverão esvaziar o úbere de leite sem causar danos ou efeitos traumáticos aos tetos, para seu correto funcionamento depende de três (03) fatores:

· Funcionamento do sistema de pulsação

· Nível de vácuo do sistema de ordenha

· Características da teteira (material, espessura, elasticidade e design)

A fato mais desafiador é que as vacas possuem características morfológicas diferente de úbere e tetos e diferentes níveis de produção e fluxo de leite. Portanto, as fazendas devem adaptar uma teteira pelo padrão médio do rebanho e pelas características técnicas do sistema de ordenha, pois, chegar a um modelo de teteira perfeito é algo muito difícil pela diversidade que encontramos no rebanho.

Sendo assim para que possamos analisar uma teteira a mesma deve cumprir quatro (04) requisitos básicos;

· Que a teteira se feche hermeticamente em ambos lados da capa metálica

· Utilizar teteira com bocal da câmara de vácuo adequado ao tipo de teto para minimizar quedas e deslizamento de teteira

· Ordenhe rápido, suave e completo minimizando congestão, edema e lesões ao teto

· Deve se lavar e desinfetar facilmente

Contudo, o acompanhamento do equipamento de ordenha se faz tão importante quanto acompanhamento nutricional, sanitário ou reprodutivo do rebanho. Pode comprometer todo o trabalho por não ter um plano de manutenção do equipamento de ordenha e acompanhamento profissional.

As lesões na ponta de teto podem aumentar em até sete (07) vezes a ocorrência de mastite no rebanho, por isso cuidados para manter a saúde de teto das vacas são imprescindíveis para o controle da mastite na fazenda.

Uma dica é visualizar o aspecto dos tetos sempre antes e depois da ordenha, lembrar que hiperqueratose não é instantânea, se desenvolve a médio e longo prazo, verificar especialmente as pontas dos tetos, se as mesmas estiverem saudáveis é um forte indicativo que temos um bom funcionamento do equipamento de ordenha e das teteiras.

Excelente Lactação!

Por Lissandro Stefanello Mioso, Médico Veterinário – CRMV-RS 8457 e Consultor Técnico

 

Bibliografia:

 

Site MilkPoint – autor Marcos Veiga dos Santos (Hiperqueratose dos tetos e sua influência na mastite – Parte 1 e Parte 2).

Site Folha Agrícola – autor Patrícia Maia (A integridade da ponta de teto de vacas leiteiras impacta na ocorrência de mastite).

Site Agron – autor Equipe Agron (Entenda um pouco sobre Hiperqueratose).

Site Comprerural – autor Thamara Mendonça (Hiperqueratose problema pode ser facilmente resolvido).

Manuais técnicos de Funcionamento da teteira – autor departamento técnico Inabor (manual de funcionamento e normas técnicas para funcionamento do sistema de ordenha)

Imagem Google.

Mangueira para Sistema de Ordenha

As mangueiras são componentes fundamentais para o funcionamento do sistema de ordenha, conectando os diversos componentes entre si, por isso é importante a manutenção das mesmas integras e dentro do prazo de utilização.

As mangueiras de leite são responsáveis por fazer a ligação dos coletores ao sistema de ordenha, seja ele, balde ao pé, transferidor ou canalizada transportando o leite ordenhado do animal. Dentre as mangueiras também existem as de vácuo (ar), que conectam o sistema de vácuo a algum componente.

Mangueira para Vácuo:

Mangueira grossa ou principal do vácuo no sistema balde ao pé: responsável por alimentar de vácuo o latão/tarro para criar vácuo no mesmo e ativar a pulsação e iniciar a ordenha. O diâmetro interno se torna padrão em quase todas as marcas de equipamentos sendo uma mangueira 11.95 mm de diâmetro interno.

Mangueira dupla do vácuo: responsável por carrear o pulso do pulsador as teteiras, essa mangueira é comum a todos os sistemas de ordenhas. Os pulsadores alternados importados ou nacionais trabalham com o mesmo diâmetro 7.2 mm interno e dessa forma é extremamente importante atentar para os comprimentos das mangueiras, se as mesmas estiverem maiores de 3 metros irão prejudicar o desempenho da pulsação e consequentemente a ordenha no animal.

Mangueira de pulsação simultânea: é utilizada em sistemas de pulsação simultânea, ou seja, que ordenham os quatro tetos juntos, é importante atentar que essa mangueira possui 9,5 mm de diâmetro interno para acoplar o pulsador diferente das mangueiras finas utilizadas para fazer mangueiras curtas do vácuo que veremos a seguir.

Mangueira fina do vácuo/curta do vácuo: são as mangueiras que conectam as capas das teteiras ao distribuidor de vácuo do coletor levando o pulso para abertura e fechamento da teteira durante a ordenha. O diâmetro dessa mangueira é de 7.2 mm, similar a dupla do vácuo, sendo indicado utilizar uma mangueira termoplástica que não resseque escapando da capa metálica prejudicando a ordenha.

As mangueiras de vácuo devem ser trocadas uma vez ao ano ou quando ocorre algum rompimento precoce na mesma, essas mangueiras deverão estar maleáveis e integras para que o vácuo do sistema não sofra interferência e assim a ordenha seja estável.

Outra situação que pode ocorrer com o passar do tempo e uso prolongado da mesma é que a mangueira pode começar a escapar dos conectores principalmente a dupla do vácuo, pode soltar do pulsador ou até mesmo do distribuidor de vácuo preso junto ao coletor e com isso atrapalhar o processo de ordenha podendo gerar atraso na sessão de ordenha.

Outro fator externo que influencia sobre as mangueiras principalmente nos estados do sul do Brasil e países platinos é o frio, a temperatura baixa atua no PVC podendo enrijecer as mangueiras, principalmente se tiverem com tempo de utilização avançada.

Mangueira do Leite:

As mangueiras de leite são um componente muito importante, é nela que o leite passa após ser extraído do animal, sendo assim é de extrema importância estarmos atento a esse componente, verificando se o mesmo está dentro das especificações e prazo de utilização.

Essa mangueira já possui outras tecnologias em uso podendo variar o material de sua fabricação sendo fabricada em PVC, Silicone e borracha.

Na mangueira fabricada em PVC, o mesmo é especifico para contato com alimentos sendo um PVC especial para sua confecção e possuindo a recomendação de substituição a cada 06 meses, após isso fica difícil manter seu padrão sanitário podendo deixar a mesma enrijecida, quebradiça e com ranhuras internas que podem influenciar no status CBT (Contagem Bacteriana Total).

Isso porque essas mangueiras estão durante a ordenha com leite e após a ordenha as mesmas recebem um protocolo de limpeza, onde possuímos algumas etapas como enxague sem produtos e enxague com produtos químicos com a circulação com detergente alcalino, ácidos e sanitizante que agridem a mangueira e seus componentes.

Imagem interna da mangueira de leite -aumentada:

          

Há novos compostos que nos permitem aplicar novas tecnologias para fabricação de mangueira do leite, como a dupla camada que possui uma resistência maior e mantém pouca luminosidade ao leite. Ela é indicada para utilizar em equipamentos com medidores eletrônicos por infravermelho e tem indicação de utilização de 12 meses.

Ainda é possível utilizar o silicone para confecção desta mangueira onde possuímos uma resistência maior a agressão causada pelos agentes principalmente da lavagem, como detergentes alcalinos e ácidos. Suporta temperatura elevada sem perder suas propriedades e menor tendência ao enrijecimento no frio, possui tempo de utilização recomendável de 12 meses, tendo um custo mais elevado que as demais devido a matéria prima utilizada.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, sendo assim devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao meu coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Mangueira de Transferência do Leite

São as responsáveis por transferir o leite do sistema de ordenha para o resfriador, ficam conectadas entre o filtro do equipamento e a boca de entrada do leite no tanque resfriador.

Possui dois diâmetros um modelo de 1”polegada e de 1.1/4” polegada possui uma parede mais espessa de 6,5 mm e não possui aramado são inteiramente lisas como as utilizadas nos conjuntos de ordenha, geralmente se recomenda utilizar mangueira de transferência quando a sala do leite estiver entre 9 a 12 metros, superior a essa distancia e interessante utilizar linha de tubo inox.

Devem possuir os mesmos cuidados das demais e se certificar que a mesma esteja integra e limpa.

Portanto as mangueiras são fundamentais e devem ser consideradas no planejamento de manutenção do equipamento, podendo ser um motivo de transtorno e prejuízo, afetando a performance da ordenha.

A parceria com técnicos e empresas de serviços de manutenção dos sistemas de ordenhas são soluções que evitam possíveis transtornos e prejuízos a fazenda, sendo de grande valia a preocupação com o sistema de ordenha, como um implemento fundamental para a fazenda devendo estar em pleno funcionamento.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Sistema de Gestão da Qualidade – ISO 9001:2015

Nos dias 10,11 e 12/06/19 a Inabor foi auditada na Norma ISO 9001:2015.

Durante esses três dias todas as áreas da empresa foram auditadas e ao final foi recomendada a Recertificação.

A Inabor agradece a todos os funcionários e parceiros pelo empenho e comprometimento, só assim conseguimos atingir os objetivos propostos sempre pensando na Satisfação dos Clientes, Colaboradores, Provedores Externos e Diretores.

“Inabor, produzindo com qualidade e inovando para o futuro”.

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Desmistificando a Teteira II

A sequência do texto tem a intenção de elaborar uma ideia sobre a importância das trocas das teteiras, para melhor desempenho do sistema de ordenha e conforto do animal. Vamos demonstrar um pouco o lado financeiro das trocas das teteiras e o impacto nas contas da fazenda.

Vamos realizar os exemplos nas teteiras de borracha por serem as mais utilizadas nas fazendas brasileiras, as borrachas devem ser específicas para esse uso e serem eficientes durante a ordenha, preservando a saúde do animal.

A teteira de borracha da Inabor é projetada para 2.500 ordenhas. Dentro deste período de uso a mesma entregará os resultados propostos, que compreendem uma ordenha suave e completa, e manterá seu status higiênico de qualidade.

Na Inabor a borracha para fabricação das teteiras tem o processo de mistura dos componentes (matéria prima) realizado na própria indústria. A Inabor não compra borrachas prontas do mercado para injeção do produto, tendo todo um processo de seleção e rastreamento das matérias primas, assim como do produto acabado, conforme o propósito da empresa e as regras da ISO a qual a empresa é certificada desde de 2001. As teteiras Inabor possuem controle de série de produção gravado a laser, com isso conseguimos rastrear nossos produtos verificando lotes de produção.

Frequentemente escutamos no mercado frases como: “as teteiras ainda estão boas, não precisam ser trocadas no tempo determinado (2.500 ordenhas ou 6 meses) ”.  Vamos aprofundar uma pouco mais essa conversa e tentar demonstrar em uma conta simples, o custo de não manter em dia suas trocas. – Em outros textos publicados no site MilkPoint há informações sobre tempo de uso da teteira e suas consequências. –  O que ocorre, sucintamente, é que as teteiras que já ultrapassaram o tempo de uso determinado não conseguem ordenhar completamente, se fala em torno de 5% de leite não ordenhado. O status higiênico diminui devido as ranhuras que se formam, onde acumulam sujidades podendo alterar status de CBT (Contagem Bacteriana Total) do leite. A peça fica sujeita à deformidade de bocal e massageador, o que permitem entrada de ar em excesso acarretando em quedas dos conjuntos de ordenha, com isso podendo aspirar sujidades da sala para o sistema de ordenha, assim comprometendo a qualidade do leite alterando CBT.

As imagens nos remetem a uma ideia do que ocorre com a teteira com o passar do tempo e o seu uso. Além de sua aplicação a teteira ainda sofrerá ação do tempo, principalmente da incidência solar e do ozônio que promovem envelhecimento da borracha.

Vamos tentar entender então o que ocorre. A teteira está montada na capa metálica esticada na faixa de 15% do seu tamanho, trabalhando 2 vezes ao dia (média nacional 2 ordenhas). Cada sessão geralmente dura em torno 3 horas, ou seja, a teteira trabalha na faixa de 6 horas por dia. Nela passará leite, água fria, água quente com detergente alcalino e ácido no mínimo duas vezes ao dia.

Muitas vezes lançamos mão de diminuir as trocas para “economizar”, mas será que essa economia é favorável?

Exemplo:

Uma propriedade com 40 vacas em lactação, sendo ordenhada num equipamento com 4 postos de ordenha, produzindo em média 22 litros a um preço do litro do leite de R$ 1,39.

Exemplo para cálculo mantendo estabilidade para entendimento do exercício;

Produção diária de 880 litros totalizando no mês 26.400 litros de leite, renda mensal da propriedade R$ 36.696,00.

Para esse tamanho de equipamento e com esse número de animais deveríamos realizar 3 trocas no ano para atender a ordenha dentro do prazo de utilização das teteiras, sendo assim calculamos assumindo um custo na faixa de R$ 100,00 por jogo de teteira (Valor para realizar o exercício) obtivemos um custo anual de teteira de R$ 1.200,00.

Nessa situação, em tempo seriam 4 meses a periodicidade das trocas, entretanto se desejarmos economizar uma troca esticando para 6 meses o que poderá ocorrer;

  • Teteira já não é mais eficiente pode deixar 5% do leite
  • Tempo de ordenha aumenta devido à baixa eficiência da teteira maior gasto com energia
  • Quedas de conjunto de ordenha mais frequentes e riscos de contaminação do leite aumenta podendo ter punição nos que recebem bonificação por qualidade.
  • Baixa eficiência higiênica da teteira comprometendo a qualidade do leite
  • Incidência de mamite (a tendência é aumentar), aumentando assim o custo

Assumindo que desejamos esticar para 6 meses e apenas 2 trocas qual o risco? Imaginamos que no primeiro mês após vencimento 5% dos animais são acometidos de mamite devido a massagem não uniforme e falta de força de colapso, para retirar todo leite deixando excesso de leite residual, essa porcentagem no nosso exemplo equivaleria a 2 vacas.

Como as teteiras perdem eficiência aumentamos o custo energético com equipamento quase uma hora a mais ligado, custo do tratamento e o descarte do leite foram considerados;

Energia Custo a mais (30 dias). Tratamento (7 dias) Descarte Leite (7 dias) Total
R$ 263,40 R$ 240,00 R$ 428,12 R$ 931,52
R$ 263,40 R$ 360,00 R$ 642,18 R$ 1.265,58

Na segunda linha da tabela prospectamos um cenário com 7,5% dos animais acometido de mamite, ou seja, 3 vacas o resultado se equipara ao custo anual para 3 trocas de teteiras, ou seja, o cuidado com esse componente é essencial para a fazenda de leite. No final do mês podemos reduzir o faturamento da fazenda, que impacta na receita, entendemos que a pequena economia pode impactar no momento da troca, mas pode se tornar um prejuízo muito maior ao longo do tempo.

Claro que muitos terão bases de valores diferentes, obtendo resultados diferentes, e outros custos não contabilizados no texto, entretanto, o intuito foi demonstrar o quão importante a teteira é no processo de ordenha e quanto pode impactar na receita da fazenda, se perdurarmos por mais tempo o uso do que o recomendado. E uma simples troca, evita com que prejuízos maiores aconteçam.

Reforçamos sempre a importância de a fazenda possuir um bom suporte técnico, não só veterinário, mas no sistema de ordenha. Planos de serviços de manutenção podem ser uma alternativa interessante para que a fazenda mantenha o sistema de ordenha em alta performance e principalmente na saúde dos animais.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico