2018 e suas perspectivas!

O ano inicia e ao olharmos pelo retrovisor os anos de 2017 e 2016 ainda marcam nossa visão, pois foram carregados por instabilidade e crises de todas as naturezas que abalaram o Brasil. Entretanto, vida que segue, temos que olhar em frente e planejar o futuro, claro sem esquecer do presente, planejando nosso próximo ano e o quanto vamos produzir.

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Está evidente que produzir leite não é o problema no Brasil, tanto que a produção em 2016 segundo IBGE ficou na casa dos 33,625 bilhões de litros produzidos e distribuídos em várias cidades, sendo que o leite está presente em 98,8% do território brasileiro. Porém, nem todas as regiões possuem grandes produtores. A maioria deles produz menos de 1.000 litros dia, o que pode levar os mesmos a certa dificuldade, no que tange aos itens necessários à melhoria da produção. Acompanhamento veterinário, utilização de insumos de qualidade na produção de leite, trocas periódicas conforme orientação dos fabricantes de peças de reposição, assistência técnica adequada do equipamento de ordenha, por exemplo, são pré-requisitos para a produção leiteira com maior qualidade gerando maior valor agregado ao produto.

A maximização da produção requer muitas vezes investimentos em tecnologias que auxiliem o produtor em suas ações diárias, assim obtendo êxito em sua exploração leiteira e tendo a possibilidade de obtenção de resultado financeiro satisfatório. E é essa parte do resultado financeiro que ultimamente vem afetando a produção de leite.

A grosso modo, ou seja, numa visão simplista a parte que falta é o consumo do leite propriamente dito. Vejamos algumas notícias de destaque na mídia nos últimos tempos, por exemplo, o grande número de desempregados que consequentemente gerou queda de poder aquisitivo da família brasileira, o alto índice de endividamento das famílias e inflação alta. Com esses fatores já podemos pressentir o pânico causado na classe trabalhadora brasileira nos últimos dois anos, o que levou a uma reorganização no seu dia a dia e em seu orçamento familiar, isso também acarretou em uma mudança no hábito do consumidor brasileiro, que passou a escolher opções mais em conta cortando produtos especializados. Uma pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel, mostrou que no primeiro semestre 2017 havia um recuo na ordem de 10,2% em unidades de alimentos perecíveis e mostrou um consumidor bem cauteloso na hora da compra.

leite

Entretanto, os últimos movimentos da economia brasileira já demonstram alguns sinais de recuperação com a inflação voltando a patamares mais baixos e controlada, queda dos juros e início da retomada econômica que vem avalizada pelos últimos relatórios do banco Central do Brasil que prevê crescimento do PIB e aos poucos a saída da crise, ou seja, recessão que o Brasil se encontrava. A retomada do emprego e por consequente da renda estão aos poucos melhorando, entretanto, outro fator de grande relevância que não podemos deixar de citar é a diminuição do endividamento das famílias após crise e o aprendizado das mesmas em compras de longo prazo. Se no primeiro semestre de 2017 havia cautela e medo do desemprego, a perda de renda nesse ano 2018 em pesquisas realizadas em 11 grandes centros urbanos já demonstra que 58% dos consumidores acreditam na melhoria de sua condição financeira e na recuperação de economia brasileira.

Sendo assim, nessa visão global podemos ter boas expectativas de um mercado mais promissor que dos dois últimos anos, claro não alcançando patamares do período pré-crise, mas com crescimento sustentável em um ritmo não tão acelerado como antes.

Portanto, a parte que falta são as engrenagens do sistema rodarem de forma harmônica para que todos os elos da cadeia, produtor, indústria e varejo consigam prosperar de forma consistentes. E já há fortes sinais de que essa mudança se iniciou em 2018.

Desejamos a todos uma excelente Lactação.

Lissandro Stefanello Mioso
Med. Veterinário / Consultor Técnico

Cautela com o Estresse Térmico no Verão

Nesse período do ano, o verão, muita gente sofre com calor. Imagine então uma vaca leiteira, tendo que se manter, produzir e reproduzir sob altas temperaturas.

Contudo, nos últimos anos muitas pesquisas foram feitas para entender esse acontecimento e as estratégias que podem ser utilizadas para minimizar o efeito negativo das altas temperaturas na produção de leite, visto que as perdas econômicas devido a tal efeito são consideráveis.

O estresse térmico afeta negativamente em vários aspectos a produção leiteira, este fato gera uma diminuição na produção devido à redução da ingestão de alimentos pelo animal.

Além da temperatura ambiente, a umidade relativa do ar elevada compromete a capacidade da vaca de dissipar calor para o ambiente, influenciando diretamente na diminuição da produção.

Como a evolução da produção de leite está associada ao aumento da ingestão de matéria seca (MS), aumenta-se assim o calor metabólico para produção de leite e prejudica o balanço térmico em períodos de estresse. Fatores climáticos como temperatura e umidade relativa do ar interferem significativamente na produtividade das vacas.

Segundo PIRES (2006), o estresse térmico é o conjunto das alterações que ocorrem no organismo animal na tentativa de reagir às condições ambientais como: altas temperaturas, alta umidade do ar e excesso de radiação solar.

Tais condições somadas a altas produções de calor metabólico excedem as reservas de calor corporal, e quando a capacidade de eliminação de calor é menor que o ganho de calor do ambiente e do metabolismo, determina-se o estresse térmico.

No verão a capacidade de perda de calor fica comprometida em função das condições climáticas, aliada a isso, a alta produção de calor das vacas de alta produção de leite as torna mais susceptíveis ao estresse térmico.

O primeiro mecanismo acionado para perda de calor é a vasodilatação, o segundo é a sudorese e o próximo é a respiração, sendo o aumento na frequência respiratória (FR) o primeiro sinal visível.

Quando os mecanismos de termólise dos animais homeotérmicos não são eficientes, o calor metabólico somado com o calor recebido do ambiente torna-se maior que a quantidade de calor dissipada para o ambiente, em consequência disso pode ser notado nesses animais um aumento da temperatura retal.

Animais submetidos ao estresse térmico reduzem o número de refeições diárias, duração das refeições e o consumo de MS por refeição. Altas temperaturas reduzem a frequência de alimentação durante as horas mais quentes do dia, aumentando a frequência nas primeiras horas da manhã e no final da tarde.

O consumo de água também é influenciado pelo estresse térmico, sendo maior nas horas mais quentes do dia, com aumentos nas primeiras horas da manhã, final da tarde e pequeno aumento a noite (DAMASCENO et al., 1999).

A tabela a seguir (TABELA 1), correlaciona variáveis fisiológicas (frequência respiratória e temperatura retal) com os níveis de estresse térmico.

tabela matéia milkpoint

O estresse térmico causa vários problemas na produção de leite, interfere na produção, reprodução e sanidade dos animais, gerando grandes perdas econômicas em sistemas de produção de leite.

Minimizar os efeitos do estresse térmico sobre os animais torna-se essencial para manutenção da produtividade. Fatores como sombra provida de árvores, aspersores ou nebulizadores, ventiladores, mudanças na dieta e no fornecimento do alimento podem ser utilizados para evitar o estresse térmico sobre os rebanhos.

A sombra é o principal método utilizado para minimizar o estresse térmico, no entanto, a ventilação associada à aspersão de água sobre as vacas mostrou-se mais eficaz, melhorando a produção de leite e a reprodução.

Busque conversar com o veterinário e técnicos sobre o assunto e buscar a melhor solução para sua necessidade pois as soluções podem mudar um pouco de local para local.

Lissandro Stefanello Mioso
Consultor Técnico / Médico Veterinário
Fonte: Revista Cientifica Eletrônica de Medicina Veterinária – Ano IX – Número 16 – janeiro 2011.

BOAS FESTAS

Prezados leitores, clientes e amigos, durante o ano de 2017 publicamos alguns textos aqui no nosso site e no Milkpoint com o intuito de levar informação a cerca do nosso produto e de sua importância na pecuária de leite e de como utilizá-lo de forma correta para que não prejudique, tanto o animal como o produto final, o leite.

Entretanto, nesse mês deixaremos a parte técnica de lado, para retornar em 2018 com mais informações sobre o processo de ordenha.

Geralmente nessa época do ano as empresas realizam seus fechamentos, as pessoas seus balanços do ano que passou, mas também é momento de prospectar, planejar e buscar novas conquistas.

São esses sentimentos que desejamos a todos os leitores, clientes e amigos. Sabemos o quão desafiador foi 2017 em todos os sentidos, mas sempre há esperança e com ela novos sonhos!

A Inabor, deseja um Feliz Natal e um 2018 repleto de saúde e realizações comemorados com muito Leite!

natal 2017

Gestão da ordenha

O ato de ordenhar não é uma interação simples como se pensa, e sim uma operação complexa envolvendo homem, animal e equipamento. Há um princípio de funcionamento adequado no sistema de ordenha para que não haja dano ao animal e nem ao operador do equipamento.

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Entendendo o princípio de operação do equipamento:

• Todo sistema de ordenha deverá ter um nível de vácuo regulado adequadamente;
• Teteiras dentro do prazo de sua vida útil;

Outros parâmetros do equipamento deverão ser parametrizados numa avaliação dinâmica de acordo com as instruções do fabricante e por um técnico capacitado.

Procedimentos para ordenha:

• Limpar, secar e preparar os tetos;
• Ordenhar todos os animais em lactação todos os dias ao menos duas vezes por dia;
• Possuir o menor tempo possível do conjunto de ordenha na vaca;
• Ordenhar vacas sadias.

*Procedimentos de ordenha afetam a qualidade do leite.

Preparar grupo de 4 a 6 vacas, dependendo do número de ordenhadores e tamanho do equipamento, sempre retornando na primeira vaca para início da ordenha.

Monitorar e cronometrar as sessões de ordenha para verificar performance da sala de ordenha.
Busque montar uma rotina de trabalho no intuito dos tetos estarem sempre limpos, secos e preparados. Para isso utilize:

Luvas limpas;
• Pré-Dip 30 segundos antes do contato;
• Exame em busca de novas infecções (mamites);
• Secagem com toalhas individuais por teto;
• Colocar os conjuntos de ordenha de 60 – 120 segundos após a secagem dos tetos que também criam estimulo;
• Observe se há ruídos ou chiados nas teteiras;
• Evite a sobre ordenha;
• Pos- dip;

milkpoint nov 1*Em média a ocitocina leva 60 segundos para atingir a concentração adequada no úbere para ejeção do leite.

Esses procedimentos são para que possamos atingir um desempenho de ordenha aceitável e com qualidade, da utilização dos mesmos poderemos avaliar a performance do equipamento e da sala de ordenha e deveremos encontrar:

Colocação do conjunto de ordenha no tempo certo e com duração curta;
• Tempo para inicio do pico do fluxo de leite entre 60 a 90 segundos;
• Atingir 50% do leite a ser ordenhado nos primeiros 2 minutos;
• Teteiras sem ruídos e com massageamento uniforme;

milkpoint nov 2Tradução:
Properly prepped = preparação adequada
Improperly prepped = preparação inadequada.
Imagem de gráfico comparativo entre duas curvas de ordenha.

Os procedimentos de ordenha são operações essenciais para obtenção de qualidade, com procedimentos pobres de ordenha poderemos encontrar as seguintes situações:

Se o tempo do dip for menor de 30 segundos aumenta o risco de mastite ambiental;
• Se a preparação e colocação do conjunto de ordenha forem menores que 60 segundos teremos inicio de ordenha seco ou seja pouco leite;
• Se a preparação e colocação do conjunto de ordenha for maior que 120 segundos poderá se perder o pico de concentração da ocitocina e vir a causar lesão nas pontas dos tetos;

A saúde dos tetos pode revelar muitas informações para auxiliar as tomadas de decisão do dia-dia na fazenda. Podemos avaliar os mesmos criando uma tabela de pontuação ou score dos tetos para que nos forneçam dados para formação do diagnóstico do que pode estar ocorrendo, assim evitando novos riscos de infecções e prejuízos.

A condição de saúde do teto pode ser afetada de formas diferentes dependendo do tempo que está exposto a um ambiente que afetam o mesmo.

Período exposição curta: efeitos causados por algumas sessões de ordenhas.

Observamos mudança de cor, inchaço e dureza na ponta do teto e no corpo do teto. Anéis na base do teto na inserção ao úbere e se verificarem abertura permanente do orifício do teto maior que 2 mm é um fator preocupante.

Possíveis causa: sobre ordenha, coletor com peso não adequado, vácuo alto e pulsação com falha.

Período exposição média: efeitos causados por alguns dias ou semanas de ordenhas.

Verificamos endurecimento e enrijecimento da pele do teto principalmente em dias frios, úmidos e ventosos. Irritação química e presença de petequeias hemorrágicas.

Possíveis causa: condição climática ruim, ambiente dos animais inadequado, uso de desinfetante inadequado para animais, vácuo alto, sobre ordenha e falha na pulsação mesmo em vácuo constante.

Período exposição longa: efeito de um mês de ordenha.

Período exposição muito longa: efeito de meses de ordenha.

Nos períodos longo e muito longo de exposição podemos verificar uma mudança na saúde do teto: hiperqueratose.

Possíveis causas: má preparação de ordenha, formato e tamanho do teto, nível de produção, sobre ordenha, predisposição genética, vacas duras de alta produção e vácuo alto.

Para utilizar a pontuação dos tetos (score) devemos classificar os tetos através de exame visual existem tabelas guias com sugestão de classificação sendo assim:

Pontue (exame visual) 4 tetos;
• Verifique as condições da pele do teto antes da ordenha;
• Verifique (exame) novamente os tetos após a ordenha;
• Secar o teto com papel toalha;
• Examinar o teto na sua totalidade;

Dica em rebanhos até 80 animais pontuar todos os animais e em rebanhos entre 80 – 400 vacas escolha aleatoriamente 80 vacas, já nos rebanhos acima de 400 animais pontuar 20% do rebanho.

Com a pontuação podemos acompanhar a saúde dos tetos do rebanho podendo ter nessa técnica, indícios seguros de problema nos tetos referente a ordenha:

Se 20% dos animais demonstrarem mudança na coloração dos tetos para avermelhado;
• Se mais de 20% dos animais apresentarem tetos inchados;
• Mais de 20% dos animais apresentam orifício do teto dilatado, ou com lesões vasculares;
• Se observamos mais 5% do rebanho com lesão aberta nos tetos;
• Hiperqueratose ponta de teto acima de 20% entre áspero e muito áspero ou acima de 10% de muito áspero.

Esses são alguns indícios de que a eficiência da ordenha não está adequada, e para melhorar esse desempenho é indicado rever os procedimentos de ordenha, funcionamento e regulagem do equipamento de ordenha e alinhamento dos conjuntos de ordenha mantendo em dia as peças de trocas periódicas como mangueira e teteiras.

Para se familiarizar com a técnica de avaliação dos tetos e sua pontuação existem profissionais que aplicam a técnica com conhecimento e podem auxiliar a fazenda na gestão desse parâmetro na produção de leite, converse a apresente os dados ao técnico do equipamento de ordenha para que possa ajustar o mesmo para que permita uma melhor performance ao rebanho em lactação da fazenda.

Tabela sugestão/ilustrativa:
milkpoint nov 3

Lissandro Stefanello Mioso
Médico Veterinário CRMV/Rs 8457 / Consultor Técnico

Higiene no Sistema de Ordenha

Já abordamos muito as questões das partes de borrachas (teteiras e juntas), mangueiras e demais itens que possuem vida útil para utilização e verificamos o que pode ocorrer com uso prolongado desses produtos.

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Verificamos as formas de regulagem de vácuo e configurações dos sistemas de ordenhas para uma performance boa na ordenha, mas não poderíamos deixar de fora outra operação muito importante em uma sala de ordenha que é o protocolo de limpeza dos sistemas de ordenhas.

Esse processo é também de extrema importância para alcançar padrões de qualidade higiênica no leite e vai variar conforme o modelo de sistema de ordenha instalado na fazenda. Sabemos que poderemos encontrar no Brasil uma variedade de sistemas como: balde ao pé, transferidores e canalizados.

Entretanto antes de adentrar nos protocolos de lavagem propriamente dito, precisamos saber se o meio onde diluiremos os detergentes possui uma adequada qualidade físico química para realizar o processo de lavagem com eficiência.

Portanto para que possamos garantir a eficiência da lavagem é de grande valia os exames de qualidade da água para que possamos, se necessário, realizar as correções para que a mesma tenha um status adequado para o propósito que será usada. Além da parte microbiológica que devemos corrigir, outro fator muito corriqueiro no interior do Brasil é o que chamamos de “água dura” ou “salobra” ou seja, água com alto índice de sais dissolvido nela que poderá causar certos problemas para a ordenha.

Sendo assim um dos passos importante nesse processo é a fazenda conhecer a qualidade da sua água, que também influencia em outros fatores de produção que estão abordados em outros textos no próprio site MilkPoint. De posse desse conhecimento podemos então partir para as próximas etapas do protocolo de lavagem.

Na tabela abaixo vamos conhecer um pouco da composição do leite e assim entender as etapas de lavagem e sua importância para remoção dos componentes do leite no sistema de ordenha.

Composição Leite de Vaca
Água ————– 88 gr
Proteína ———- 3,2 gr
Gordura ———– 3,4 gr
Lactose ———– 4,7 gr
Minerais ———- 0,72 gr
Energia ———– 61 Kcal
*Referência da porção 100 gr

Conforme observamos na tabela o leite possui vários ingredientes os quais, se permanecerem parados em recipientes, utensílios e equipamentos, criam excelente oportunidade para o desenvolvimento de microrganismos.

De modo a evitar este problema, todos as partes que tenham contato com o leite devem ser muito bem higienizadas imediatamente após o término da ordenha, primeiramente com enxágue bem feito para facilitar a limpeza química e por fim, o uso de sanitizantes completando o processo da boa higienização.

Salientando novamente a importância da água que influencia na eficiência dos detergentes conforme comentamos no início deste texto, entretanto devemos ter especial atenção a outros três parâmetros para máxima eficiência da lavagem que são a concentração de detergente, temperatura da água e tempo de duração de cada etapa do processo de lavagem.

Vamos entender os detergentes. Geralmente visualizamos nas lojas tipos diferentes de detergentes como alcalinos, ácido e sanitizantes para ordenhadeira. Nesse texto não abordaremos as limpezas dos tetos, outra operação essencial para a qualidade, realização da pré-ordenha, checagem dos primeiros jatos de leite e do pós-ordenha.

Função do detergente alcalino: esse produto é responsável por remover a gordura e proteína principalmente do sistema de ordenha para que não haja proliferação bacteriana.

Função do detergente ácido: remover os minerais do sistema de ordenha e prevenir a formação de pedra do leite em regiões de água dura.

Função do sanitizante: antes do início da sessão de ordenha para prover um ambiente no sistema de ordenha mais limpo.

Mas para obtermos sucesso em nosso protocolo devemos estar atento a diluição, temperatura e duração do ciclo de lavagem e para isso existem muitas soluções:

Diluição – buscar fornecedores com conhecimento técnico de seus produtos e seguir as recomendações descritas nos rótulos dos produtos utilizando ferramentas para que a diluição seja mais assertiva possível.

Temperatura – existem no mercado tanques aquecedores de água elétrico e até mesmo com energia solar para esse fim. Esses tanques estão dotados de termostatos que mantém a água na temperatura que desejamos. Alguns possuem isolamento térmico e outros não servem apenas para aquecer a água, mas tem o recurso de manter a mesma quente por tempo prolongado sem consumo de energia.

Tempo do ciclo é muito importante entender que por mais que o tempo seja respeitado temos uma outra situação a verificar para que tenhamos certeza de que o ciclo está desempenhando o papel satisfatório.

Portanto, a eficiência de detergentes e de sanitizantes está na dependência da temperatura da solução e da concentração adotada, influenciadas pela qualidade da água de cada local. Por exemplo, na limpeza automática do equipamento de ordenha mecânica, imediatamente após o término da ordenha deve-se fazer o enxágue com água morna à temperatura de 35º a 40ºC para retirar os resíduos de leite, utilizando o volume necessário para que na saída a água esteja límpida. Esta água não deve ser reutilizada nesse procedimento e o equipamento deve ser totalmente drenado. Salienta-se a importância da temperatura da água neste processo. Caso ela esteja inferior a 35ºC, poderá ocorrer a fixação de sujidades nas tubulações e acima de 45ºC, poderá ocorrer o cozimento das proteínas do leite, com a sua fixação nas superfícies.

Após essa etapa, conhecida como “pré-enxágue”, deve se circular por média dez minutos uma solução com detergente alcalino clorado à temperatura inicial entre os 70º a 75º C e à temperatura final mínima, de saída, de 40ºC, com posterior drenagem do equipamento. Novamente, as temperaturas são importantes. Por um lado, caso a temperatura final seja inferior a 40ºC, o detergente não será eficiente. Por outro lado, se a temperatura inicial for superior a 80ºC, haverá maior chance de evaporação do detergente alcalino.

Recomenda-se a utilização de detergente ácido após o uso do detergente alcalino. Anteriormente, era feita a indicação de lavagem semanal com o produto ácido, mas, em locais onde a água possui quantidade grande de minerais que ocasionam as chamadas “pedras do leite” ou sistemas de ordenhas com medidores eletrônicos com sensor de medição por eletrodo, deve-se aumentar a periodicidade da aplicação deste tipo de detergente, com temperatura de entrada no sistema de 35ºC a 45ºC e circulação mínima durante dez minutos. O equipamento deve ser sanitizado antes da próxima ordenha.

No caso do tanque de expansão, devem ser realizados os mesmos procedimentos aplicados ao equipamento de ordenha e na mesma sequência, com o cuidado de que o material utilizado para esfregar o interior do tanque não provoque ranhuras, nas quais pode haver depósito de microrganismos, cuja remoção será trabalhosa. Nos tanques com lavagem automática ajustar bem os ciclos e certificar que todas as mangueiras estejam integras e que haja detergente nos galões.

Acessórios para a lavagem:

Sistema Balde ao Pé: Geralmente são dotados de escovas, e guias para lavagem manual dos conjuntos e teteiras.
Entretanto ainda há a opção da utilização do “Lavador Automático” que realiza a circulação do produto com auxílio do vácuo da própria ordenhadeira.

Sistema Canalizado: Nos sistemas canalizados também há opção de automatizar a limpeza através dos “Programadores de Lavagem”. Existem muitas opções, inclusive com números de bombas peristálticas, os mais completos, que controlam os 3 detergentes: alcalino, ácido e sanitizante. Devemos ter atenção nos detergentes dos galões e nas mangueiras para que a dosagem esteja sempre correta.

Tanques Expansão: Os tanques de resfriamento de leite denominados fechados, sejam cilíndricos ou elípticos são dotados de programadores de lavagem devido seu formato.
Já os convencionais abertos não, a lavagem deve ser manual.

Por Lissandro Stefanello Mioso, Médico veterinário – CRMV/RS 8457 e Consultor Técnico da Inabor.