Sinais para 2022

Informações e sinais para 2022

Sinais sempre devem ser vistos com atenção, reanalisados frequentemente para serem corretamente interpretados e incorporados à estratégia do negócio. Nesses tempos atípicos que vivemos ao navegar em sites e relatórios de consultorias técnicas voltadas ao agronegócio observamos alguns movimentos de transformação na estrutura da cadeia leiteira.

Acompanhando o site Milkpoint e alguns dados e artigos constatamos que a produção de leite no Brasil permanece estável, ou seja, sem crescimento nos últimos anos e analisando mais profundamente se constata um movimento de mudança de sistemas de produção havendo um aumento significativo da adoção de sistemas confinados onde o sistema de “compost barn” puxa a frente na preferência.

Dados de laticínios indicam que em média 35% do leite captado no Brasil são oriundos de confinamentos, o que nos sugere a busca de aperfeiçoamento dos resultados da produção com maior produtividade e profissionalização da propriedade.

Inabor

Segundo a Emater/RS há redução na ordem de 50% no número de produtores nos últimos 6 anos no estado gaúcho, contudo a produção não é afetada. Para isso ocorrer se entende que houve uma maior produtividade nas granjas que permanecem graças a aplicação de técnicas e tecnologias.

O Engenheiro Agrônomo na Emater/RS Leandro Ebert relata: “Não é que está acontecendo uma migração dos produtores do sistema a base de pasto para os sistemas mais intensivos, confinado ou semiconfinado. O que está acontecendo é uma exclusão dos produtores da produção de leite do Rio Grande do Sul. Uma pequena parte está indo para os sistemas confinado e semiconfinado, e consegue se manter dessa forma.”

Com esses sinais entendemos uma tendência para maior controle dos recursos destinados à produção leiteira com aumento da preferência dos sistemas confinados. Esses sistemas têm por características a concentração dos animais, com isso surge também um novo desafio, o destino dos dejetos.

A sustentabilidade ambiental devido aos dejetos abre-se outra janela de oportunidade à propriedade, com a utilização dos dejetos para produção de biofertilizantes tendo assim impacto na redução de custos para o produtor.

Isso devido à alta significativa que os fertilizantes vêm sofrendo, utilizar os dejetos para transformá-los em fertilizantes reduz significativamente os gastos com esses insumos, além de ser uma alternativa que oferece excelentes ganhos ambientais. Esses biofertilizantes, se manejados da forma correta, podem ser aplicados em todo tipo de cultura agrícola presente na propriedade, inclusive alimentos destinados aos próprios animais. A destinação correta desses dejetos é de suma importância para a produção e pode ser uma oportunidade para a redução de custos.

Verificando a situação dos fertilizantes essenciais à produção verificou o seguinte cenário internacional, com preços de gás natural e petróleo sob forte pressão e problemas no mercado de fornecimento desses itens principalmente com um dos principais atores a Bielo-Rússia sendo alvo de sanções por parte União europeias e Estados Unidos. De acordo com José Mendonça de Barros, da MB Agronegócio, “há uma escassez física de material no mercado por causa das restrições comerciais com a Bielo-Rússia e o potássio é indispensável. É produzida em alguns lugares, como Canadá, Rússia, Bielo-Rússia e um pouco na China – que está travando as exportações de fertilizantes para proteger seu mercado interno”.

Na questão do fornecimento de potássio, pode normalizar alguma coisa, mas entra o efeito da desvalorização do câmbio – o dólar está cada vez mais alto. Com isto, a pressão sobre os custos de produção para a agricultura vai continuar mesmo em um cenário em que a União Europeia alivie a pressão sobre a Bielo-Rússia”, conclui Mendonça de Barros.

Fator novo pode mudar preços da soja para 2022. O problema começará a aparecer na compra dos insumos para o milho safrinha de 2022, crescem as possibilidades de que o aumento dos custos com fertilizantes reduza a área que será destinada à produção de cereais no próximo ciclo, aponta a TF Consultoria Agroeconômica. De acordo com os analistas de mercado, esse é um fator novo que pode mudar a tendência dos preços da soja para 2022.

Haverá fertilizantes suficientes para todos? Segundo analistas, a situação, neste momento, é: “Os preços dos fertilizantes para a próxima safra de verão no Brasil estão garantidos e definidos, porque já foram comprados e entregues”. “O problema começará a aparecer na compra dos insumos para o milho safrinha de 2022 e o trigo da safra 2022, atingindo a soja posteriormente”, conclui a TF Consultoria Agroeconômica.

Portanto a atenção nesse período de reorganização dos mercados a normalização do fluxo comercial pós-pandemia requer muita informação e dados para que possamos traçar uma estratégia de negócio robusta para que possamos seguir produzindo sem sobressaltos alicerçados num plano de negócio bem formulado.

Ordenha

Que o momento que atravessamos está repleto de desafios e que precisamos de informações reais e atentas a todos os sinais de mercado. Dados nos trazem que a produção de leite não apresenta grande crescimento, entretanto o desempenho animal melhorou, sistemas de criação foram aperfeiçoados mostrando o perfil de profissionalização no campo para a produção de leite.

Sofremos com a demanda reprimida devido ao desemprego, perda do poder de compra do consumidor, entretanto ao olhar a jarra meio cheia vimos às importações lácteas caírem e iniciamos de certo modo exportação de lácteos que pode ser uma boa alternativa de futuro ao setor.

Gostaríamos de desejar saúde, sucesso, trabalho e excelentes lactações futuras.

Feliz Natal e um excelente 2022!

Boa Lactação a todas as fazendas!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Teteiras: Borracha ou Silicone?

Vocês sabem de que materiais são feitos as teteiras/insufladores? Neste texto, falaremos sobre os diferentes tipos de matéria prima para fabricar as teteiras do sistema de ordenha. 

Na Inabor, produzimos as teteiras com dois tipos de matéria prima, a borracha e o silicone. Essa segunda muito estigmatizada com várias dúvidas sobre ela, tentaremos aqui trazer um pouco de esclarecimentos sobre esse tema.

Ambos os produtos, fabricados com matérias primas importadas de primeira linha, 100% atóxico, podendo estar em contato com alimento e um processo produtivo de última geração. Todas as teteiras, antes de sair de fábrica passa por um rígido processo de inspeção de qualidade e o Sistema de Gestão é certificado pela Norma ISO 9001:2015

A teteira de silicone quando lançada no mercado prometia maior durabilidade de ordenhas durando o dobro da de borracha. Bem, isso sim realmente é uma característica das teteiras de silicone em todas as provas o silicone suporta 5.000 ordenhas, ou seja, o dobro do planejado na borracha (2.500 ordenhas), resistência térmica muito superior à borracha (tanto interna relação a água, quanto externa de temperaturas extremas) promovendo baixa irritabilidade à pele do teto, essas são vantagens do silicone em relação a borracha.

Inabor

Contudo, com essa qualidade o silicone apresenta também alguns detalhes peculiares para quem pretende utilizar, é um produto com maior longevidade de uso na ordenha sim, entretanto possui menor resistência mecânica que a fabricada em borracha. Ou seja, mais sensível a quedas, choques, pisões, etc. Por essa característica se requer alguns cuidados na sua instalação e uso, é extremamente recomendável a informação correta acerca do produto.

A rotina de ordenha requer uma série de operações na teteira, durante uma sessão exigindo esforço e resistência do material. Devido a isso é imprescindível não só nas teteiras de silicone como na de borracha se certificar que o encaixe do coletor e da teteira são compatíveis, caso contrário o risco de danificar a teteira no encaixe é alto quando não compatíveis ou até mesmo não permanecer no local caindo facilmente. Na hora da instalação no niple do coletor, usar um detergente, ou até mesmo água, para o encaixe mais suave e sempre se certificar de que o niple onde a teteira vai ser encaixada está bem limpa, fazer a limpeza do coletor antes da instalação do novo conjunto de teteira.

Nesse ponto nas teteiras ocorrem grande esforço e tensão do material que encobre os niples de encaixe dos coletores. Na Inabor já fabricamos a parte do encaixe mais reforçada para resistir a esse tipo de situação, mas, para minimizar problemas neste ponto existe já no mercado a venda reforço do encaixe da teteira, caso necessário, para evitar transtornos com quedas e batida nesse ponto podendo ocasionar o rompimento da teteira de silicone.

Teteira de silicone

Utilizar a capa correta para o modelo de teteira pretendida que promova a tensão e os encaixes corretos tanto dos anéis como do bocal, com isso promovendo a ordenha e massagem ideal nos tetos dos animais.

Atentar ao tamanho do bocal da teteiras, sempre adaptando ao padrão médio dos tetos do rebanho, promovendo encaixe harmônico realizando uma ordenha com a durabilidade das teteiras com êxito. Os demais cuidados estão relacionados aos mesmos das de borrachas certificarem que o modelo e desenho escolhido de teteira seja o mais indicado ao seu padrão de úbere e assim regular o sistema de ordenha para sua máxima eficiência.

Deverá realizar a regulagem do equipamento de ordenha para utilizar as teteiras de silicone já que a força de colapso se difere da borracha sendo assim boa avaliação técnica será de grande importância, pois evitará uma série de intercorrências que poderiam acontecer. Principalmente quando está fazendo migração de teteira de borracha para silicone haverá um tempo para ajuste e adaptação da ordenha, pois como dito o colapso difere sendo mais leve no silicone.

Essas sugestões de atenção quanto ao manuseio de teteira de silicone é para assegurar que o cliente possua uma boa experiência de uso, a mesma entrega o que necessita uma teteira com massagem e extração do leite de maneira rápida completa e suave como deve ser. 

Sempre é sugerida para locais com uma rotina de ordenha constante em estrutura de ordenha dotada de fosso, com extração automática para melhor manuseio dos conjuntos de ordenha. Demais sistemas, como balde ao pé também podem utilizar, entretanto, devem ter mais atenção ao manuseio dos conjuntos de ordenha, para evitar quedas do conjunto, lembrem-se que as teteiras de silicone são mais sensíveis às quedas, isso devido ao seu nobre material, se procuram uma teteira mais resistente, usem as de borracha.

Boa Lactação a todas as fazendas!

Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico

Teteiras 2 anéis: afinal pra que serve?

Sabemos que a teteira é uma parte do equipamento de ordenha e que a mesma é a única parte em contato com o animal a ser ordenhado. As teteiras são responsáveis pela a massagem no teto realizando o processo de fechamento e abertura através da diferença de pressão, assunto já abordado em outros textos.

Entretanto, possuímos diversos modelos de teteiras com cabeças diferentes, massageadores distintos, mas todas possuem uma coisa em comum que são os anéis de encaixe na capa metálica.

Inabor

Recordarmos que a teteira necessita ser montada ou instalada numa capa metálica onde ficará com a tensão certa ou esticada de forma a trabalhar com melhor desempenho. Podemos fazer uma analogia ao pneu que necessita ser montado numa roda, sendo assim temos que saber as medidas do pneu e da roda para sua correta montagem e funcionamento, o mesmo ocorre na teteira e a capa metálica deverá formar um conjunto perfeito.

Ao verificar um catálogo ou visitar uma revenda de ordenha observa-se uma variação muito comum no Brasil. Teteiras parecidas, entretanto diferentes nos encaixes, umas com um (1) anel de encaixe e outras com dois (2) anéis de encaixe.

Uma das conversas que muito escutei foi de se trabalhar três (3) meses num anel e outros três (3) meses no outro anel deixando as teteiras com tensão sempre. Mas e as de um anel então perdem a tensão? Não, todas as teteiras de qualidade são produzidas para que suportem as 2.500 ordenhas ou seis meses o que vencer primeiro.

Então nos modelos de dois anéis o material de fabricação é pior? Não. São fabricadas com a mesma rigidez e qualidade das demais e passam por todos os testes de igual maneira. É produzido com a mesma especificidade para duração das 2.500 ordenhas ou seis meses, o que vencer primeiro.

Sendo assim para que os dois anéis? As ordenhadeiras devem estar acompanhando o melhoramento genético dos animais, assim, com o tempo, estudos e acompanhamento de dados de ordenhas novos produtos surgiram como coletores de leite novos e até mesmo capas de ordenhas maiores ou em outros materiais que não o aço inox.

Para tanto na questão das capas metálicas possuímos capas com 140 mm de comprimento que acredito terem sido as primeiras e logo tivemos também as capas de 155 mm de comprimento tendo como única diferença o comprimento, no restante são iguais. Sabendo que precisamos que a teteira tenha uma tensão certa, ou seja, que o massageador não fique nem muito frouxo enrugando ou muito esticado batendo palma é ai que entra a tecnologia simples dos dois anéis a teteira dois (2) anéis seria universal para ambos os comprimentos;

1° Anel para capas 155 mm

2° Anel para capas 140 mm

Desta maneira estamos garantidos que a tensão da teteira perfeita para seu correto funcionamento e a mesma estar em condições por 2.500 ordenhas no mesmo anel de encaixe como se fosse a de um anel. Essa é a diferença a meu ver quando utilizamos o modelo dois anéis podendo instalar nessa variação de comprimento de capa o que não ocorre na de um (1) anel que deverá estar instalada na sua capa de origem. Outro fator que considero muito importante é que a vazão das teteiras de dois (2) anéis geralmente é mais baixa que as de um anel sendo esses modelos largamente utilizados em equipamentos balde ao pé.

Claro que já presenciei propriedades lançando mão da troca de anel com sucesso, mas, no entanto tenho forte convicção que se utilizar da maneira descrita acima o funcionamento da mesma será correto com uma ordenha excelente.

Teteiras

Boa Lactação a todas as fazendas!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Leite, onde tudo começa!

Esse mês de julho mais precisamente no dia 12/07 comemoramos uma data muito especial o “Dia Nacional do Produtor de Leite”, pessoas dedicadas e comprometidas com seu trabalho e propósito.

Produtor de Leite

Geralmente uma vocação passada em família de geração após geração, mas também composta por pessoas que se encontraram e se apaixonaram pela pecuária leiteira fazendo dela seu modo e estilo de vida. Sim, produzir leite pode ser considerado um estilo de vida, pois são 365 dias de dedicação, sem feriados e finais de semanas, mas a realização é vista nos olhos e nas conversas de quem se dedica a essa atividade.

Essa dedicação do homem do campo possibilita e propicia uma enormidade de oportunidades gerando emprego e renda a milhares de pessoas envolvidas na cadeia do leite. Seja antes ou depois da porteira, sua cadeia produtiva é extremamente importante para economia do Brasil. Além de ser um alimento muito saudável e nutritivo.

A produção leiteira evoluiu muito acompanhando os tempos modernos de hoje. Conta com ordenha robótica, sistemas de gestão eletrônicos etc. Bem diferente dos primórdios da atividade. Sistemas de criação estabulados, sistemas de resfriamento de vacas, todas as tecnologias para otimizar a produção e maximizar os lucros da atividade. A medicina veterinária evoluiu com exames mais rápidos e precisos como ultrassom e tratamentos mais eficientes e assertivos e com grande incremento na reprodução animal.

Inabor

Hoje o animal praticamente não vai mais a busca da comida, pois conseguimos desenvolver sistemas para produção e alimentação animal muito eficientes, o que mostra a grande habilidade das pessoas envolvidas, porque precisam compreender o bem-estar, produção, reprodução e saúde animal. Não obstante entender de agricultura, arar, plantar, colher, processar e alimentar os animais.

Por toda essa complexidade só nos resta agradecer e parabenizar cada produtor brasileiro de leite e me sinto muito grato, pois este foi o setor que me acolheu e onde desenvolvo meu trabalho.

Com isso me recordo de uma citação feita por um radialista norte-americano, Paul Harvey, que citou o seguinte texto no intervalo de um grande evento esportivo nos Estados Unidos, que penso ser uma homenagem ideal a todos os produtores rurais:

E no oitavo dia, “Deus olhou para baixo, viu o paraíso que havia planejado”.

“E disse eu preciso de um zelador”!

Então Deus criou o Produtor Rural

Deus disse “Eu preciso de alguém disposto a levantar antes do amanhecer ordenhar as vacas, trabalhar no campo o dia todo, ordenhar as vacas de novo, jantar e em seguida ir para cidade e ficar até tarde da noite em uma reunião do conselho de classe escolar”.

Deus disse “Eu preciso de alguém disposto a passar a noite ao lado de um potro enfermo e vê-lo morrer”. Depois secar os olhos e dizer “Quem sabe ano que vem”.

Eu preciso de alguém que saiba moldar o cabo de um machado com um pedaço de madeira, ferrar um cavalo, fazer um arreio usando sisal, sacos de ração e solas de sapato.

Alguém que em períodos de plantio e colheita irá finalizar sua semana de trabalho de 40 horas na terça-feira meio dia e logo em seguida trabalhar mais 72 horas.

Deus disse “Eu preciso de alguém forte suficiente para derrubar árvores e limpar baias, mas ao mesmo tempo gentil o suficiente para criar cordeiros, desmamar leitões e cuidar de frangos alguém que irá parar seu trator por uma hora para cuidar de um animal ferido”.

“Alguém que arasse a terra de forma profunda e reta com perfeição, alguém para semear, combater ervas-daninhas, adubar, arar, plantar tosquiar e coar o leite”.

Alguém que manteria uma família unida através de laços fortes, que iria rir e suspirar e depois responder com os olhos sorridentes, quando o filho dissesse que quer passar sua vida “fazendo o que o pai faz”.

 Muito obrigado produtor rural, e em especial aos nossos amigos produtores de leite!

Texto: So God made a farm/ Paul Harvey

Tradução livre.

Boa Lactação!                                                                  

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário / Consultor Técnico

Este é um conteúdo de Inabor.

Leite além da Vaca

Normalmente tratamos de assuntos técnicos sobre o sistema de ordenha. Desta vez, aproveitando o mês de Junho (1° de Junho é o dia Mundial do Leite) vamos falar sobre esse alimento que é tão importante, nutritivo e está na vida de todos.

Inabor

Nesse texto a proposta e verificar as inúmeras espécies domesticadas, que podemos utilizar para produzir esse precioso alimento. Sendo assim, abordaremos além do leite de vacas, os leites de cabras, ovelhas e búfalas conhecendo um pouco mais das suas aplicações e possibilidade de mercado, tentando mostrar um pouco sobre outros cenários de produção que podem ser explorados.

Leite de vaca

Leite de Vaca: é o predominante devido a sua capacidade de produção e de rebanho no Brasil. O leite produzido por esses animais é uma rica fonte de proteínas, carboidratos e cálcio. Apresenta ainda vitaminas A, D e K além de gorduras saturadas e insaturadas. Existem pessoas com intolerância a lactose, a lactose é o açúcar do leite que pode causar transtornos digestivos, entretanto já há tecnologia para isentar esse carboidrato.

Há novidades no setor como a produção de leite orgânico, que segue algumas regras definidas que já dá sinais de ser um novo nicho de mercado e o leite A2 já em franca expansão, tendo como características marcantes a produção da proteína beta-caseína A2 e não A1 e A2 como de costume. Possuindo como “vantagem” de evitar o mal estar de má digestão em certas pessoas. Já há muita informação sobre esse leite no site Milkpoint e outros especializados com maiores detalhes.

O leite de vaca é rico em nutrientes, vitaminas e minerais, dos quais se destaca o cálcio, mineral mais importante para a saúde dos ossos e prevenção de doenças como a osteoporose. Além disso, possui em sua composição fósforo, potássio, vitamina B2, vitamina B12, vitaminas A, D, E e K, sódio e magnésio. O leite de vaca contém ainda proteínas de alto valor biológico e energia que ajudam na regeneração, crescimento e fortalecimento dos músculos.

Alimentos produzidos derivados do leite de vaca são variados, além do próprio leite, queijos, iogurte, requeijão, sorvete, doce de leite, manteiga, ricota, etc.

Leite de búfala

Leite de Búfala: Os búfalos são animais dóceis e do leite bubalino cria-se um dos queijos mais nobres do mundo: a mozzarella de búfala. O Brasil possui hoje o maior rebanho do Ocidente, são aproximadamente 3 milhões de cabeças. Um número impressionante. 

O leite desse animal é riquíssimo em proteína, gordura e carboidratos ao compararmos com o leite de vaca, possui 59% mais cálcio e o índice de gordura bem mais elevado que o de vaca propiciando a esse leite um alto rendimento para obtenção de derivados.

Um derivado de grande destaque do leite de búfala, além da mozzarella, é o queijo tipo “Burrata”, de textura ímpar. O mercado, segundo a associação de criadores, apresenta crescimento de procura da ordem de 20 a 30% ao ano. O Grande desafio do setor é a sazonalidade da produção, o que dificulta o comercio e a produção do produto.

O consumidor que quer aproveitar essa dica pode encontrar sua fonte de cálcio não só na mozzarella ou no leite de búfala, mas também em uma gama de alimentos que hoje são feitos exclusivamente com leite de bubalinos: ricota, coalho, burrata, manteiga ou frescal. São muitas opções.

Leite de cabra

Leite de Cabra: é um leite muito similar ao de vaca, entretanto através de pesquisa se constatou que os glóbulos de gorduras do leite desse animal eram menores que os de vaca, por isso facilita a digestão, entretanto os demais itens estão presentes como no de vaca. Outro fator que difere um pouco é sua coloração sendo bem branca devida ausência de betacarotenos que dão um toque levemente amarelado no leite de vaca. 

Uma das mais importantes características do leite de cabra está ligada à sua melhor tolerabilidade, em comparação ao leite de vaca, sendo amplamente indicado no tratamento das alergias da infância. Devido a estas características, é cada vez mais prescrito por nutricionistas e médicos, principalmente pediatras.

Sua produção é mais regionalizada tendo destaque no nordeste brasileiro e de forma pouco profissionalizada o que dificulta o crescimento desse alimento no mercado. Possui um cheiro a sabor mais acentuado e por vezes sofre certa resistência e a falta de hábito do consumidor brasileiro com esse produto.

Pode-se encontrar queijos, Iogurte, doce leite, manteiga e derivados produzidos com queijo de cabra.

Leite de ovelha

Leite de Ovelha: acredito que esse é o leite de menor familiaridade dos consumidores brasileiros. Talvez devido ao seu alto custo de produção e do animal produzir pouco volume, exista menos investimentos nessa cadeia não havendo grande oferta desse produto no mercado. O leite produzido é riquíssimo, tendo como característica marcante a alta concentração de gordura e lactose proporcionando a esse alimento um aspecto mais viscoso e adocicado. Hoje o grande foco está na produção de derivados especiais como queijos e iogurtes, aqui damos destaque ao original iogurte grego produzido com leite de ovelha não necessitando de processo complementar para produzir oaspecto cremoso e firme característico desse produto. 

Em comparação ao leite da vaca, ele tem uma coloração mais branca e contém 50% a mais de cálcio. O nutriente é essencial em tratamentos e na prevenção de osteoporose, bem como na formação óssea de crianças e adolescentes. Outros minerais também são encontrados em maior quantidade no tais como: potássio, manganês, sódio, cobre, zinco e fósforo.

Alguns queijos como feta, pecorino e samsoe são os mais conhecidos produzidos com o leite de ovelha, assim como o Iogurte.

A ideia do texto foi de fazer um breve passeio sobre os tipos de leite e destacar alguns pontos em cada espécie animal mais comum no Brasil, em outros países o leite também é consumido de outros animais como os Camelos na região do oriente médio e os Alces na Rússia.

No Brasil, para todas espécies encontramos equipamentos de ordenhas com teteiras especialmente desenvolvida para cada tipo de animal, o que possibilita mecanizar a produção da mesma forma como é feito com o leite de vaca, facilitando a ordenha e profissionalizando a atividade. Para saber mais, clique aqui.

Leite é um alimento saudável e nutritivo, importante fonte de cálcio como de outros nutrientes e ainda produz uma série de derivados nutritivos e saborosos ampliando sua gama de produtos no mercado. #BEBAMAISLEITE

Boa Lactação!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário / Consultor Técnico