O que esperar do leite em 2021

Estamos vivendo tempos um tanto diferente do que anos anteriores onde convivíamos e realizávamos nossas tarefas diárias sem receio. Entretanto, o ano de 2020 nos brindou com um acontecimento que mudou o mundo, já nos meados de março fomos atingindo por um vírus, uma pandemia, o Corona vírus mudou o mundo e o comportamento da sociedade de modo geral.

Tivemos que entender e compreender que algumas atitudes que antes eram normais do nosso cotidiano deveriam agora estar cercadas de atenções e cuidados, tivemos que incorporar o uso da máscara, o álcool em gel e principalmente manter distanciamento social para preservar a nossa saúde e a saúde do próximo. Com isso uma série de restrições e medidas foram tomadas, inclusive medidas que interferiram nas atividades econômicas do país, causando uma série de contratempos de ordem financeira.

Contudo, uma atividade que nunca parou e precisou manter seu ritmo foi o agronegócio, entre todas as mudanças na sociedade causada pela pandemia, uma segue igual que é alimentação, item de primeira necessidade andando junto com a saúde. Entre esses itens encontramos nosso amado “leite”, que logo no inicio da pandemia teve certa retração, mas logo em seguida foi se recuperando e mantendo o seu consumo capitaneado pela maior permanência das pessoas em casa e com a ajuda do auxílio emergencial, que provendo renda num momento delicado para grande parte dos brasileiros contribuiu também para o consumo lácteo.

Se pelo lado do consumo no varejo esteve promissor o produtor teve e tem seus desafios na produção assim como a indústria que passa pelos seus desafios para conseguir atravessar esse período de pandemia.

No campo o grande desafio está na alimentação do rebanho principalmente dos que utilizam concentrados e silagem, os preços dos grãos estão muito atrativos e exportações dos mesmos em alta, impactando nos preços internamente assim elevando custos de produção.

Para a indústria, a falta de matéria prima e alta demanda de produção com a retomada da economia, elevou o preço de produção com isso elevando o preço para o consumidor.

O ano que começou nos dá uma certeza que o consumo existirá logo o mercado lácteo estará em plena atividade, e o que devemos esperar de 2021?

Muito trabalho para que possamos ajustar a produção com seus custos e manter uma margem positiva para fazenda não é tarefa fácil, entretanto, há alternativas e tecnologias para que possamos manter o negócio em pleno funcionamento, para isso devemos estudar o mercado, planejar a produção e por em pratica as estratégias de trabalho.

Desejamos a todas as fazendas uma excelente lactação que ao final de 2021 possamos estar todos vacinados, livres do vírus e que possamos voltar a velha normalidade o mais rápido possível.

Que o ano de 2021 seja muito melhor do que o ano que passou, para todos.

Boa lactação!

                                                                                      Lissandro Stefanello Mioso

Consultor Técnico/Comercial

Médico Veterinário

Sistema de Pulsação na Ordenha, importância de um bom funcionamento.

Um sistema de pulsação bem configurado com o funcionamento adequado nos acarreta uma série de benefícios ao rebanho e a ordenha, o que nos permite:

· Ordenhar as vacas no menor tempo possível

· Minimizar o desconforto e dor sentido pela vaca ao fim do fluxo de leite

· Minimizar o acumulo de líquidos no tecido quando não há fluxo de leite.

A obtenção de uma pulsação correta nos permite manter a alta taxa de fluxo no teto enquanto estimula o fluxo de leite. Sendo assim, o sistema de pulsação nada mais é que um dispositivo que permite mudanças cíclicas de pressão (troca de ar & vácuo) na câmara formada ao redor da teteira no interior da capa metálica. Esse diferencial de pressão faz com que a teteira abra permitindo que o leite escorra e depois feche novamente ao redor do teto, massageando o tecido e reduzindo a congestão. Além do pulsador, possuímos uma série de acessórios conectados a ele como: tubo de vácuo e seus conectores, mangueira flexível de pulsação que conecta o pulsador a câmara de vácuo entre a teteira e a capa metálica.

Relembrando que o objetivo da pulsação é limitar a quantidade de congestão e edema que ocorre nos tecidos do teto durante a ordenha mecânica e pode causar desconforto e congestão com possibilidade de danos na extremidade do teto (hiperqueratose). Uma boa pulsação estimula uma boa descida do leite.

Os pulsadores são pneumáticos podendo ser eletrônicos ou mecânicos. É importante atentar sempre para o número de coletores conectados ao pulsador pois afetará a pulsação, sendo que a pulsação pode operar de duas maneiras no teto;

*Simultâneo (4×4) o estimulo ocorre nos 4 tetos

*Alternado (2×2) alternam o estimulo em 2 em 2 tetos.

Os pulsadores simultâneos utilizam geralmente mangueiras flexíveis para conexão, com diâmetros variando entre 8-9 milímetros, já os alternados utilizam mangueiras flexíveis para conexão com diâmetros variando entre 6-8 milímetros. Essas mangueiras são de fácil identificação, no simultâneo uma via somente e no alternado 2 vias, também conhecidas como dupla do vácuo.

Para nível de melhor entendimento dividimos o funcionamento do pulsador em duas partes em um ciclo de pulsação:

Ciclo de pulsação compreende as 4 fases denominada fases A+B+C+D sendo A e B também chamadas fase do leite e a C e D fase sem leite, o que ocorre de fato é:

Fase do leite ou aberta ou fase A e B: nessa fase a câmara de pulsação entre capa metálica e teteira se encontra com vácuo, assim promovendo a abertura da teteira expondo o teto ao vácuo, o leite por diferencial de pressão onde alta pressão no úbere para o local de baixa pressão o coletor de leite que está conectado ao vácuo do sistema.

Fase do repouso ou fechado ou fase C e D: nessa fase a câmara de pulsação entre capa metálica e teteira admite ar atmosférico aumentando a pressão da câmara de pulsação para a mesma da atmosfera assim ultrapassando a pressão do vácuo interna fazendo com que a teteira colapse ou feche em torno do teto com fluxo diminuindo e até cessando por curto período.

Pulsadores possuem normalmente duas configurações que são chamadas de taxa de pulsação e relação de pulsação, a taxa de pulsação é o número de vezes que o pulsador passa por um ciclo completo de abertura e fechamento por minuto, medida em pulsos por minuto(ppm). Já a relação de pulsação é a porcentagem do tempo em que o pulsador está na fase de ordenha (aberta) em comparação com a fase de repouso (fechada).

O ajuste ideal dos pulsadores geralmente são nas faixas para taxa de pulsação de 50 a 60 ppm e numa relação de 60/40 até 70/30. Sendo que na relação de pulsação o primeiro número se refere a fase aberta e o segundo número refere a fase de fechada. Portanto a relação de pulsação ideal maximiza a duração da fase do leite, garantido tempo de descanso suficiente para evitar o congestionamento ou danos na ponta dos tetos.

Pesquisas mostram que a fase D do ciclo de pulsação deverá ser de pelo menos 150 milissegundos ou 15% do ciclo com uma taxa de pulsação de 60 ppm para oferecer descanso adequado e minimizar ou diminuir os riscos de mamite.

Manutenção dos Pulsadores:

Limpe regularmente os filtros de ar dos pulsadores, a linha de vácuo (tubo de vácuo) onde estão conectados os pulsadores não possuem conexão com a linha de lavagem devendo ser limpos ao menos uma vez a cada 12 meses e para quem oferece ração na ordenha o cuidado é redobrado. Realize a manutenção, trocas dos componentes de acordo com a instrução do fabricante. Quanto aos pulsadores eletrônicos, necessitam geralmente novos kits de funcionamento a cada 2.000 a 4.000 horas dependendo do modelo.

Falhas comuns na pulsação:

A pulsação inadequada é uma das principais causas para o baixo desempenho de ordenha ou alta incidência de mamite. Essas são ocorrências que podem auxiliar no diagnostico de falha de pulsação ou mau funcionamento do equipamento.

Taxa de deslizamento dos conjuntos de ordenha alta, deslizamento das teteiras, comportamento irritável dos animais, chutando o coletor de leite durante a ordenha, ordenha incompleta das vacas e tempos de ordenha muito longos, lentos, são sinais para verificação do sistema de pulsação.

Não é incomum observar sistemas de ordenhas com as mangueiras de leite em suas extensões muito longas, sendo esse um fator que prejudica o desempenho da pulsação. Portanto é importante sempre estar em contato com o provedor de serviço de ordenha para uma melhor regulagem e uma eficiente manutenção e evitar contratempos.

Boa Lactação!!!

                                                                                                          Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Sistema de Ordenha e seu Dimensionamento

Neste presente trabalho vamos abordar o sistema de ordenha, como podemos dimensionar o mesmo para que tenhamos a segurança de que os animais serão ordenhados em níveis seguros para a mantença de seu status sanitário, preservando a glândula mamaria e extraindo todo leite produzido sem causar mal-estar ao animal.

Possuímos vários componentes que compõe o sistema de ordenha, entretanto possuímos um componente que podemos chamar de “coração do sistema” que definirá o tamanho do sistema, ou seja, quantos animais podemos ordenhar simultaneamente ou quantas unidades/conjuntos de ordenha poderemos utilizar em nosso sistema de ordenha.

Estamos falando da bomba de vácuo do sistema de ordenha, que por muitas vezes é negligenciada e pode resultar em contratempos na atividade leiteira. É deste componente que depende o funcionamento dos demais.

Temos vários modelos de bombas de vácuo, por lóbulo, turbina, entretanto as mais comumente utilizadas são as rotatórias que utilizam palhetas e são lubrificadas a óleo, havendo também modelos lubrificadas a água.

Mas nesse trabalho vamos nos fixar nas rotatórias de palheta lubrificadas a óleo sendo que a capacidade de retirada de ar das bombas irá determinar a quantidade dos conjuntos de

ordenha, essa capacidade é sempre expressada em litros e geralmente às bombas usam a nomenclatura de capacidade de produção de vácuo, por exemplo:

Bomba de Vácuo 330, isso quer dizer que essa bomba produz 330 litros e se utilizarmos essa bomba em um sistema balde ao pé ao nível do mar poderemos utilizar até 3 conjuntos de ordenha. A demanda de vácuo irá se alterar conforme o tipo de sistema de ordenha, em uma ordenhadeira canalizada linha média teremos uma demanda e se for linha baixa outra demanda, para isso existe uma tabela que orienta os profissionais para a correta dimensão.

Não obstante as bombas de vácuo variam sua produção de acordo com altitude de onde está instalada, ou seja, o ar rarefeito diminui e eficácia do trabalho da bomba.

Para que as bombas funcionem as mesmas tem propulsão feitas por um motor elétrico e cada fabricante possui o correto dimensionamento do motor necessário para que a bomba trabalhe adequadamente e sem esforço desnecessário do motor. As mesmas quando ligadas por correia possuem polias tanto no motor como na bomba e existe uma tensão correta para correia assim como tamanho das polias para correta rotação da bomba.

Nas bombas lubrificadas a óleo é importante manter o correto nível de óleo para o bom funcionamento da bomba, a falta de óleo durante o uso pode comprometer a vida útil da bomba, causar desgastes das palhetas ou até mesmo superaquecimento da mesma assim danificando sua estrutura.

Outro detalhe importante que as vezes passa despercebido é quando vamos desligar o equipamento de ordenha. Como temos a retirada de ar num sentido para formação do vácuo relativo para a ordenha, ao desligar é de suma importância desacoplar os conjuntos para que haja entrada de ar para que ao desligar a bomba de vácuo a mesma não sofra um contra golpe, pois caso não procedermos desta forma o risco de danificar a bomba existe.

Portanto é de suma importância possuir uma bomba de vácuo correta para nosso sistema de ordenha uma bomba subdimensionada ou pequena para nosso sistema de ordenha vai acarretar em alguns transtornos sendo o principal a falta ou a deficiência de vácuo em níveis adequados para ordenha.

Poderá afetar o desempenho da ordenha ocasionando: quedas de conjuntos, massagem ineficiente das teteiras, volume de vácuo insuficiente para uma ordenha estável e em pulsadores mecânicos/pneumáticos afetar seu funcionamento entre outros eventos. Em sistemas de ordenhas canalizados um baixo aporte de vácuo irá prejudicar o ciclo de limpeza do equipamento inclusive.

É de extrema importância que esse aporte de vácuo seja suficiente para o correto funcionamento do sistema de ordenha. Em equipamentos onde instalarmos acessórios como extratores ou medidores de leite sempre verificar os consumos de vácuo dos mesmos, esses acessórios consomem vácuo sendo importante um levantamento de produção de vácuo atual para verificar se há produção satisfatória de vácuo para instalação do acessório caso contrario poderá ocorrer transtornos e baixo desempenho dos acessórios.

Portanto sempre mantenha seu equipamento em dia com bom plano de manutenção do sistema, com dimensionamento correto para não afetar a saúde animal e a qualidade do leite, assim evitando transtornos e prejuízos. Converse sempre com seu técnico de ordenha para ver como está o sistema e o que pode ser melhorado e receber dicas para uma maior longevidade das partes do sistema de ordenha assim evitando desembolsos desnecessários.

Boa Lactação a todas as fazendas!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Imagens by google.

Desmitificando as Mangueiras e lavagem nos Sistemas de Ordenhas

Já abordamos esse assunto em outros textos aqui no site do MilkPoint, sobre o uso das mangueiras em Ordenhadeiras. Entretanto, percebemos em conversas, viagens, encontros técnicos, muitas duvidas recorrentes sobre esse componente, quanto a sua durabilidade e manuseio.

Ao observar atentamente uma ordenhadeira, seja ela sistema balde ao pé ou canalizada, modelos os quais a grande maioria dos produtores brasileiros utilizam, percebe-se que esses equipamentos são compostos em grande parte por mangueiras, seja as mangueiras para conectar o vácuo seja para transportar o leite, ou para água de lavagem.

Sendo assim, as mangueiras fazem parte de nosso equipamento de uso diário na ordenha e as mesmas necessitam de substituição periódica, comprimentos exatos e encaixes em diâmetros compatíveis e seu desempenho ou características variam conforme sua fabricação.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, logo devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Podemos encontrar variadas matérias primas para fabricação das mangueiras para sistema de ordenha entre elas: borracha, silicone e PVC. O mais comumente encontrado e trabalhado nos sistemas de ordenhas são mangueiras produzidas a partir do PVC devido principalmente ao custo de aquisição frente as demais matérias primas.

Entre temperaturas ambientes de 5ºC a 35ºC as mangueiras de PVC resistem bem, entretanto quando saímos destas temperaturas ou aproximamos as suas extremidades, podemos alterar sua maleabilidade e rigidez da mangueira podendo causar transtorno ou dificuldade no ato de ordenhar.

Possuímos a influência da temperatura ambiente e suas variações em decorrência a estação do ano em que estamos. Havendo períodos de calor intenso acima 35°C e períodos de frio e no Sul do país a amplitude térmica é grande e no inverno não são raros termos temperatura abaixo dos 5°C e até mesmo abaixo de 0°C.

Nos estados do Sul, principalmente no inverno o choque da temperatura, a lavagem e os produtos utilizados na mesma atacam a composição do PVC, assim alterando suas características, tornando a mangueira mais rígida, comumente chamada no sul de “mangueira dura”. Isso ocorre principalmente nas mangueiras de uso já avançado, o que gera inconveniência na hora da ordenha e até mesmo alguma dificuldade.

Mangueiras de Vácuo – devido ao ressecamento podem começar a escapar das conexões e não deixam os conjuntos alinhados. Podem apresentar trincas e vazamentos.

Mangueiras de leite – podem apresentar enrijecimento das paredes, dificuldades de alinhamento dos conjuntos, podem escapar de conexão do coletor.

Portanto as trocas das mangueiras de PVC são recomendadas a cada 6 meses de utilização, após isso, além do inconveniente citado acima que é catalisado pelo frio ou calor extremo, podem apresentar trincas e formação de biofilme interno que poderá causar transtorno na qualidade do leite.

Uma questão de grande importância é durante a ordenha e o manuseio das mangueiras, ou seja, aplicação das mesmas e o uso agressivo que elas sofrem: força interna do vácuo, passagem constante da gordura do leite, pisoes dos animais, desgaste por arrasto em superfícies abrasivas, flexões exacerbadas, amplitudes de temperatura do ambiente, choques térmicos na lavagem, produtos químicos na lavagem e muitas vezes à própria água utilizada após ordenha na lavagem leva a desgastes precoces dos componentes das mangueiras.

Para melhor entendimento adotamos a rotina de trabalho abaixo;

No processo diário de ordenha:

1. Sanitização do sistema de ordenha (Temperatura Água 35 a 40 ° C)

2. Ordenha propriamente dita (Leite na faixa de 37°C de temperatura)

3. Pré enxague (Temperatura Água entre 35 a 40°C)

4. Lavagem Alcalina (Varia conforme o fabricante do detergente em via de regra entre 76 a 80°C)

5. Enxague (Geralmente temperatura ambiente)

6. Lavagem ácida (temperatura em torno de 40°C, mas varia conforme o tipo de detergente ácido)

7. Pós enxague ou não, depende da estratégia da fazenda (Temperatura ambiente ou 35 a 40°C).

Em nosso trabalho diário de uso das mangueiras há um componente que por vezes é negligenciado, que é água utilizada no processo de ordenha. Na atividade leiteira, a quantidade e a qualidade da água são fundamentais para suprir as necessidades de consumo do homem e dos animais, além da limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos visando garantir a saúde humana e animal necessária para a produção de leite. Infelizmente a qualidade da água por vezes não tem sido considerada quando se deseja desenvolver a atividade leiteira ou produzir leite de melhor qualidade.

 Há vários aspectos a monitorar na qualidade da água na produção de leite, entretanto vamos permanecer nos aspectos físico-químicos da água sem adentrar na questão microbiológica da agua de extrema importância também.

Porque a qualidade física – química da água afeta a qualidade do leite?

Por reduzir principalmente a eficiência dos processos de limpeza e desinfecção tanto dos utensílios, equipamentos de ordenha e tanques resfriadores, com isso diminuindo a vida útil de alguns componentes dos equipamentos.

O exame físico químico da água deve incluir obrigatoriamente, a análise de turbidez, cor, PH, sólidos totais dissolvidos, dureza, ferro, manganês, sulfatos, nitrogênio amoniacal e nitroso.

Tabela – 1

ParâmetroLimiteObservação
Cor15 uHPresença de ferro e manganês
Turbidez5 mg/LOcorrência de chuvas pesadas
Sabor e odor =Alterada quando salobra e contaminada por algas
AcidezInfluenciada pelo tipo de contaminação e poluição do ambiente – ácidos minerais
Alcalinidade10 a 50 mg/LPresença de bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos e boratos
Nitrato e nitritos10 mg/LDecomposição da MO ou lançamento de adubos nitrogenados
Sílica2 a 100 mg/LFormam depósitos nas tubulações de água quando são aquecidas
Ferro e manganês100 mg/LGosto amargo, cor amarela e turva
Sólidos totais dissolvidos250 mg/LResponsável por efeitos laxativos e pelo gosto desagradável
Dureza total10 a 200 mg/LCausada pelos íons de cálcio e magnésio
Substância químicas indesejáveis e metaisA estudarAgrotóxicos, antibióticos, ivermectinas, hormônio, inseticidas, fungicidas e metais pesados

Fonte: adaptado de Viana, 2008.

As características físicas química da água de relevância aos processos de limpeza, desinfecção e vida útil dos componentes da ordenha são a dureza e o PH.

A dureza da água é caracterizada pela capacidade de neutralizar e precipitar sabões – sendo calculada a partir da soma concentrações de íons cálcio e magnésio na água como equivalentes de carbonatos de cálcio (CaCo3), expressos em ppm ou em mg/litro conforme verificamos na tabela 2 abaixo. Estes sais formam a chamada “pedra de leite”, sendo necessário para sua eliminação o uso de detergentes ácidos em maior frequência e concentração.

Tabela – 2 Classificação da dureza da água 
< 100 ppmMole
Até 270 ppmSemi dura
< 360 ppmDura
>470 ppmMuito Dura

Há uma reação entre os compostos do detergente e os íons cálcio e magnésio presentes na água dura que produz precipitados insolúveis, o detergente acaba, por conseguinte apresentando ação reduzida e menor capacidade de formar espuma, não atingindo o PH ideal da solução de limpeza. Portanto, diminuindo a vida útil de vários componentes da ordenha com eventual dificuldade ou impedindo de manusear válvulas, agredindo as mangueiras até mesmo danificando os aquecedores de água. O ciclo de limpeza deve atender a especificações quanto à temperatura, tempo, turbulência e concentração de detergentes.

O PH da água pode ser influenciado em função da passagem das águas da chuva sobre os tipos de rochas presentes no solo de uma determinada região incorporando os sais dissolvidos a ela assim conferindo o PH correspondente.

Águas naturais que contém ácidos minerais, ácidos orgânicos e CO2 são ácidas as águas naturais que contém bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos, boratos são alcalinas, não obstante o PH das águas poderá ser influenciado pelo tipo de contaminação do ambiente. Águas ácidas, além de promoveram corrosão de equipamentos, neutralizam detergentes alcalinos dificultando o estabelecimento do PH ideal nos procedimentos de limpeza.

Sendo assim, conhecer a qualidade da água ao menos no contexto aqui descrito físico-químico é muito importante pois a dureza da água é um fator a se considerar conforme Pedraza 1998, água semidura, dura ou muito dura diminuem significativamente a eficiência da limpeza nos sistemas de ordenhas quando os detergentes não incluem abrandadores na proporção adequada.

Portanto, possuímos reflexos negativos na produção com a utilização de águas duras na limpeza aumentando os custos dessa operação devidos aumentos da frequência e ou dosagem do detergente, trocas precoces de componentes e busca de novas estratégias e fórmulas capazes de neutralizar os efeitos da dureza.

Consulte sempre seu técnico de ordenha sobre o desempenho da sua ordenha e componentes para que analisem novas estratégias e novos produtos quanto a sua aplicação, custo e resistência.

Boa Lactação!!!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Estratégias na Lactação

A produção leiteira está sempre impondo desafios em vários aspectos, o que faz o profissional e produtor de leite permanecer em uma busca diária de alternativas e tecnologias que o auxiliem no seu trabalho.

Os profissionais envolvidos nessa atividade buscam sempre entregar o melhor serviço e estão sempre em busca de novas soluções, promovendo a introdução de novos conceitos e tratamentos, sendo um deles entre tantos a aplicação de ozônio como método de tratamento da mastite bovina.

Ozônio é um gás encontrado naturalmente na estratosfera, ele forma uma camada que envolve a atmosfera terrestre bloqueando a passagem da radiação solar para terra.

Esta camada de ozônio está localizada em uma faixa entre 15 a 55 km acima da superfície terrestre. O ozônio (O3) foi detectado pela primeira vez em 1785 pelo físico alemão Martinus Von Marum. E em 1857 o engenheiro Werner Von Siemens desenvolveu a primeira unidade geradora de ozônio. Com isso foi possível realizar os primeiros testes bacteriológicos sobre microrganismo e a primeira insuflação de gás em animais e humanos em 1873 e se descobriu a capacidade desse gás para eliminar microrganismos.

Na medicina foi durante a I Guerra Mundial que o Dr. Albert Wolf utilizou ozônio para tratamento de feridas e fistulas. Após isso o ozônio perde sua relevância devido à ausência de dispositivos adequados para aplicação e o advento dos antibióticos, penicilina e sulfamidas, entretanto no inicio da década de 60 retorna o uso e com advento do plástico novas formas de aplicação e um novo modelo de gerador de ozônio é lançado.

Em 1986 na universidade de Marbug é realizado os primeiros estudos em animais abrindo uma nova fase para ozônio terapia. A mesma é utilizada nos últimos 35 anos por diversos países, aumentando os estudos e conhecimentos sobre seu efeito farmacológico para serem utilizados tanto em animais como em humanos.

Esse pequeno histórico é para se conhecer um pouco mais da ozônio terapia e seu potencial de uso na veterinária principalmente no problema que representa uma perda significativa de valor econômico na pecuária leiteira, a mastite bovina que é impactada por todo o procedimento para tratamento do animal e seus desdobramentos

O uso da ozônio terapia se mostrou eficiente na mastite por deixar o leite livre de resíduos durante a terapia, na inflamação do úbere e na recuperação dos animais como tratamento de eleição ou coadjuvante ao tratamento convencional, sendo eficaz e segura alternativa de tratamento não sendo observados efeitos negativos durante aplicação de ozônio intramamario em vacas leiteiras.

De certa maneira a mastite está presente em 100% das fazendas sendo muito importante seu monitoramento e pronta recuperação do animal para minimizar as perdas de produção e econômica. A importância do monitoramento da condição de uso do sistema de ordenha é fundamental para o controle da mastite. É preciso observar sempre a capacidade do equipamento quanto aos seus níveis de vácuo e adaptação dos conjuntos de ordenha. Controlar a utilização e substituição das partes de borracha, em especial as teteiras que possuem vida útil pré-determinada e a integridade e comprimento das mangueiras, tanto de leite como de vácuo para melhor desempenho do equipamento minimizando os efeitos negativos da ordenha.

Devemos estar sempre vigilantes, entretanto com estratégias definidas e aplicadas. Devemos contar com bom assessoramento veterinário e técnico para o sistema de ordenha auxiliando no alcance dos objetivos e numa lactação sem imprevistos.

Boa lactação!

 Por Lissandro Stefanello Mioso, Consultor Técnico/Comercial, Médico Veterinário

Bibliografia:

Ozônio Terapia em Medicina Veterinária; autora: Phd. DMV. Zullit B. Zamora Rodrigues;

Colaboradores: DMVZ. Eduardo Fleitas Gonzalez

                             PhD. Oscar E Ledea Lozano

                              Dr. Sc. Wilfredo Irrazabal Urruchi